icons.title signature.placeholder Vitor Pimenta
11/06/2014
07:10

Com boas passagens e títulos conquistados tanto por Fluminense, quanto por Flamengo, e hoje no Al-Hilal (SAU), o meia Thiago Neves constantemente tem seu nome envolvido em especulações para retornar ao futebol carioca. Sábado passado, ele esteve nas Laranjeiras para visitar os ex-companheiros de clube. Essa foi deixa para que o nome do jogador fosse ligado a uma possível volta ao Tricolor. Vez ou outra, o atleta utiliza a conta no Twitter para desmentir algumas dessas notícias e, em entrevista ao LANCE!Net, fez questão de reiterar sua posição.

– Agora não. Não queria ter saído do Fluminense, mas agora não penso em voltar. Meu foco é ficar no mínimo mais três anos na Arábia. Depois verei o que vai ser da minha carreira. Uso meu Twitter até para deixar os torcedores do Al-Hilal tranquilos. Vejo quando meu nome é envolvido em especulação no Fluminense. Outro dia saiu algo envolvendo o Flamengo também. Então, é bom falar por lá porque assim todo mundo vai ver que não tem nada. O objetivo é mesmo desmentir porque não estou negociando com o Fluminense, com o Flamengo, com ninguém – afirmou.

Na segunda passagem pela Arábia, Thiago Neves garante que a adaptação, desta vez, foi muito mais fácil. Com 21 gols em 33 jogos na última temporada do Campeonato Saudita, o jogador de 29 anos aproveita para curtir a fama de artilheiro, apesar de sua equipe ter ficado com o vice-campeonato local.


– Agora está bem confortável. Já conhecia o clube, já conhecia a cidade. Para mim foi mais fácil a adaptação. O ano foi maravilhoso, depois de ter começado mal no Fluminense, com muitas lesões. Então o balanço que faço é bastante positivo. Essa fase de artilheiro, na Arábia, sempre consegui ser um dos principais do time. Foi um ano muito especial para a minha carreira – analisou o jogador, que deixou o Fluminense em julho do ano passado.

Confira abaixo, na íntegra, o bate-papo de Thiago Neves com a reportagem do LANCE!Net

Hoje, o que o motiva a não querer retornar ao futebol brasileiro?
São vários motivos que me levam a não querer voltar. É um pouco da violência, porque minha filha tem só três anos e tenho que pensar nela. No Brasil, querendo ou não, o jogador de futebol acaba sendo perseguido. Tento preservá-la ao máximo.

A pressão por resultados na Arábia também é menor. Isso pesa na sua decisão?
A pressão é diferente. Quem é estrangeiro sofre uma pressão muito maior porque, bem ou mal, é um dinheiro grande investido. Ainda mais pelo esforço que eles fizeram para me tirar do Fluminense. Só que a gente estava jogando bem, o time oscila bastante, mas tanto eu como o Digão (zagueiro, ex-Flu e que agora atua pelo Al-Hilal) estávamos muito bem. Eles reconhecem o esforço.

Uma proposta do Fluminense faria você reconsiderar?
O carinho é muito grande, não posso esconder. É o clube que abriu as portas para mim no futebol brasileiro. Foi onde consegui o título de campeão brasileiro, campeão carioca, campeão da Copa do Brasil. Então, sei que tenho uma história no Flu que é difícil apagar. Não dá para esquecer. Mas meu foco é ficar no mínimo mais três anos na Arábia.

Apesar dessa identificação com o Fluminense, você também teve destaque com a camisa do Flamengo, o que causou muita revolta nos tricolores. Se arrepende de alguma forma?
Não me arrependo nem um pouco. O Flamengo foi maravilhoso para mim. Foi um clube que abriu as portas quando eu estava em uma situação complicada na Arábia e louco para voltar para o Brasil. Cheguei no Flamengo tendo uma identidade com o Fluminense e fui muito bem recebido. Fiz uma amizade com os caras mais antigos de lá. Não tenho do que reclamar. Se tivesse que voltar, voltaria. Até pela torcida do Flamengo, uma torcida linda.


Jogador está de férias no Rio após o fim da temporada saudita (Foto: Rossana Fraga/ LANCE!Press)

Mas na época você despertou a ira da torcida do Fluminense e também não agradou os rubro-negros de início...
Torcedor, sabe como é: pura paixão. Já tinha passagem boa pelo Flu, conquistando títulos. O Flamengo, principal rival. A torcida rubro-negra também já era desconfiada comigo. Depois disso, a torcida do Fluminense também ficou irada. No começo, foi muito difícil para mim, mas consegui dar a volta por cima.

E o que foi mais difícil: fazer a torcida do Flamengo mudar de ideia ou retornar ao Fluminense logo no ano seguinte?
Essa transição foi bem difícil para mim. No começo foi muita pressão, a torcida do Flamengo me chamando de traíra o tempo inteiro e para chegar no Fluminense de novo, também tinha muita gente contra mim. Mas logo conseguimos o título de campeão carioca (em 2012), o que acalmou um pouco. Mas o ano inteiro, quando jogava mal ou quando o time ia mal, a responsabilidade maior era em cima de mim. Tive que trocar meu número no Fluminense para poder esquecer um pouco. Mas isso são coisas de torcedores e nós somos atletas profissionais.

Mas se pudesse escolher um clube para encerrar a carreira, qual seria?
Para ser sincero, estou bem na dúvida ainda. Para encerrar a carreira tenho duas opções na minha cabeça. Ou o Fluminense, ou o Paraná, que foi o clube pelo qual me criei como jogador profissional. Ainda não decidi, até porque está longe ainda. Mas o desejo é encerrar em um desses dois sim. Vamos ver mais para frente.