icons.title signature.placeholder Enrico Bruno
27/03/2014
10:30

Três meses depois, a conquista do Brasileirão 2013 ainda continua fresca na cabeça do cruzeirense. Virtual finalista do Campeonato Mineiro e ainda com chances de chegar à fase de mata-mata da Copa Libertadores, o clube conta com o apoio do torcedor estrelado para alcançar os objetivos na temporada. Dentre eles, Henrique Portugal, tecladista do Skank, e autor do livro "Cruzeiro Tricampeão Brasileiro", lançado recentemente junto com Bruno Matheus, editor da Revista Cruzeiro.

Em conversa com o L!Net, Henrique comentou não só a experiência de escrever sua primeira obra, resgatando as histórias, fotos, fichas e relatos dos três títulos nacionais do Cruzeiro. O músico, economista e colunista do jornal Estado de Minas também falou sobre a atual fase do clube, a magia do Mineirão, elogiou e pediu a permanência de 'La Bestia' Júlio Baptista, e mostrou confiança na classificação na Libertadores e, quem sabe, colaborar com novas obras e preencher ainda mais as páginas imortais do clube estrelado.

Confira o bate-papo com Henrique Portugal:

Como surgiu a ideia de produzir o livro?

Foi um convite da diretoria do Cruzeiro, fiquei muito satisfeito, ainda mais escrevendo com o Bruno Matheus, que escreve a Revista do Cruzeiro. Conversamos muito sobre fazer o livro do tricampeonato, mas não só do título de 2013, além de preservar a emoção e o ambiente que cercava cada partida, pelo menos as mais importantes, e o emocional na semana de cada jogo. Por isso, pensamos também em colocar as colunas do Estado de Minas, que são temporais. Preservar essas informações é importante para contarmos como foi a história do título.

Razão ou paixão? Qual foi a principal linha seguida na obra?

Eu não sou jornalista, formei em economia, mas o nosso jeito de escrever vai mais pela história do torcedor. Não tivemos isso da razão, mas a emoção pura, futebol tem um pouco disso. Dependendo do jogo, a gente sai o Mineirão acabado fisicamente, parece que estamos dentro do campo. Há esse envolvimento.

Fizemos um trabalho com as fotos que ficou sensacional. A do Willian ‘abrindo o compasso‘, do Ricardo Goulart no ar, uma sequência de fotos em que o Borges dá uma cambalhota... Foi uma construção tranquila, somos apaixonados, entendemos a linguagem, sobre o que a torcida gosta, o que deve ser mostrado.

Como foi a experiência de escrever seu primeiro livro?

Isso me deu muito trabalho. Às vezes, em uma coluna de jornal, você derrama a emoção da semana, do momento. O livro já é mais atemporal. Então foi uma mudança de conceito interessante, alguns textos me deram muito trabalho. Quando contei sobre o Mineirão, que foi um protagonista em 1966, 2003 e 2013, foi preciso dar o carinho necessário e mostrar o contexto de cada conquista, colocando o estádio como personagem que já comemorou e sofreu com o torcedor. As amizades temporais são uma coisa super interessante. Pessoas que você encontra no estádio e se tornam seus melhores amigos, mas você nunca encontra em outra ocasião. Isso tudo são coisas que acontecem no futebol. Então essa mudança na forma de escrever, no sentido de passar os sentimentos através da escrita, foi trabalhoso mas é uma coisa que fiquei bastante apaixonado.

Como você fez para conciliar os jogos com a agenda de shows e viagens?

Hoje já é mais fácil por causa da internet. Alguns jogos, a gente estava fora de Belo Horizonte, já aconteceu de atleticanos da nossa equipe informarem placares incorretos, mas isso é muito legal porque às vezes a própria plateia já nos informa nos shows, sabendo do nosso gosto pelo futebol de uma forma geral.

Qual foi o momento que você percebeu que o Cruzeiro realmente seria campeão?

Eu apontaria dois jogos: a vitória de 3 a 0 sobre o Botafogo e diante do Grêmio, também por 3 a 0. Se o Botafogo ganhasse, eles teriam dois jogos fáceis pela frente, e o Cruzeiro dois jogos difíceis. A história poderia ter sido outra. Mas ganhamos, com vitória contundente e presença forte do Júlio Baptista. Mas para mim, a conquista de forma emocional, não matemática, foi contra o Grêmio.

Para você, esta partida foi a melhor do Cruzeiro no campeonato?

O jogo contra o Criciúma (5 a 3 no Mineirão) foi difícil, é uma equipe complicada de jogar contra, chata, que joga muito bem na defesa. O Cruzeiro vacilou e deixou o Criciúma virar o jogo. Eu estava no Mineirão com minhas filhas e acho que foi a grande reabilitação. O time deu uma relaxada partidas antes, mas já estava ficando meio crônico. Mas esse jogo foi uma maneira do time mostrar que estava vivo e ainda com sobras na tabela.

Como você avalia o atual momento da Raposa?

Achei o Cruzeiro mais abatido depois daquele empate contra o Defensor, mas que conseguiu reagir muito bem contra o Boa. Para mim, o grande protagonista desse momento é o Júlio Baptista, porque estamos precisando de uma pessoa que chame responsabilidade. O Júlio já marcou contra o Defensor, outro gol contra o Boa, está respondendo bem, é experiente, mostra segurança. Acho que para os dois jogos da Libertadores, é fundamental a presença dele em campo. Libertadores não é só jogar, tem todo o lado emocional, é um praticamente um outro esporte. Acho a figura do Júlio muito importante, fisicamente, emocionalmente, e está na hora da ‘Bestia’ mostrar a que veio.

Com certeza temos totais chances de classificar. O Cruzeiro não sabe se defender. O time sabe fazer mais gols que tomar. Essa é a característica, não adianta ficar tocando a bola, nós não sabemos fazer isso e agora não é a hora de aprender a fazer. O Defensor, o Real Garcilaso sabem fazer isso. Nós não temos que mudar nossa característica.

Como você imagina o Cruzeiro ao fim da temporada?

Temos um grande time, continuamos com uma grande equipe, e temos tudo para fazer outro Brasileirão de forma brilhante. Acho que devíamos ganhar tudo esse ano. A diferença é que não somos mais surpresa. Mas espero uma grande participação no Brasileiro e se tudo der certo, conquistar o tetracampeonato.