icons.title signature.placeholder Bruno Braz, Daniel Guimarães, Leo Burlá e Rodrigo Ciantar
15/12/2013
08:04

Foram 71 minutos de paralisação, onde o Brasil assistiu ao vivo e chocado a barbárie na Arena Joinville. Passada exata uma semana, o LANCE!, após ouvir jogadores, dirigentes e jornalistas, revela que, em nome do Bom Senso Futebol Clube, os atletas de Vasco e Atlético-PR não queriam prosseguir com a partida, mas foram voto vencido com a decisão do árbitro Ricardo Marques Ribeiro.

De acordo com apuração da reportagem, tão logo o jogo foi paralisado, o zagueiro Cris e o volante Wendel, do Vasco, procuraram o apoiador Paulo Baier e o zagueiro Luiz Alberto, do Atlético-PR.

Citando o Bom Senso (grupo criado por jogadores para debater melhorias no futebol brasileiro), Cris argumentou que não havia condições de jogo. Os rubro-negros concordaram e o posicionamento foi passado às suas respectivas diretorias. Foram então criadas duas frentes: dos dirigentes vascaínos querendo a suspensão e dos atleticanos desejando o reinício.

Antônio Lopes, diretor de futebol do Furacão, insistia pela continuação e teve um grande bate-boca com o vice-geral do Vasco, Antônio Peralta. Passado o entreveiro, o trio de arbitragem comunicou ao presidente Roberto Dinamite que se o Cruz-Maltino deixasse o campo, seria aplicada a regra do W.O.

O dirigente, então, ligou para o diretor jurídico, Gustavo Pinheiro, que citou o jogo São Paulo x Tigre (ARG), na final da Sul-Americana de 2012, como exemplo de que, de fato, isso poderia acontecer, já que após briga, os argentinos abandonaram o campo e a lei prevaleceu.

Conformado, o Vasco aceitou a continuação e o time foi goleado por 5 a 1, sendo rebaixado. O LANCE! entrou em contato com o Bom Senso Futebol Clube, mas a organização revelou que não irá se posicionar sobre o caso.

Jogador do Vasco ao árbitro: ‘Você vai recomeçar o jogo?’

Ao LANCE!Net, um jogador do Vasco que não quis se identificar revelou que os atletas também tentaram convencer o árbitro a encerrar o jogo, mas não conseguiram:

– Disse a ele: “Você vai recomeçar? Não tem clima para continuar”. Ele, no início, parecia concordar, mas percebi que estava meio pressionado.

Ainda de acordo com este jogador, as pessoas determinantes para o reinício foram o árbitro, o delegado do jogo e o diretor do Atlético-PR, Antônio Lopes.

Com a decisão tomada, segundo este vascaíno, Ricardo Marques ainda teria dito:

– Vocês tiveram 37 rodadas para sair desta situação e na última querem reclamar?

Com a palavra

Paulo Sergio
Fotógrafo do LANCE! que estava trabalhando na Arena Joinville

"Temi por uma tragédia de proporção maior"

"Quando vimos a torcida do Atlético-PR invadindo o lado dos vascaínos, ficamos com medo, mas estávamos trabalhando. Então a gente tinha que registrar. Alguns repórteres de rádio e TV não tiveram reação, ficaram estáticos, mas a gente que faz imagem, não dá para ficar parado.

Na hora, eu temi por uma tragédia com uma proporção maior. Estávamos sendo hostilizados e a qualquer momento, um torcedor daqueles podia pular no campo para nos agredir. Até a Polícia aparecer, foi bastante tenso."