icons.title signature.placeholder Renato Rodrigues
03/11/2013
10:02

Renato Augusto só pensa em ajudar o Corinthians a salvar 2013 nesta reta final de Brasileirão. Se com as pernas anda difícil, já que as lesões durante o ano não o deixaram ficar com sua condição física ideal, o meia tende a usar outra arma em campo: o espírito de liderança e a consciência tática.

Visto com um perfil de líder entre membros da comissão técnica, o camisa 8 será o centroavante do Timão no importante duelo deste domingo, contra o Vitória, às 17h, no Barradão, com transmissão em tempo real no LANCE!Net. O duelo em Salvador ganha ares mais decisivos pela situação dos times na tabela.

O time baiano é rival direto pelo sonho de conquistar uma vaga para a Libertadores 2014 – para o Timão, quase impossível. Sexto colocado, são seis pontos na frente do Corinthians (12).

Com um saco de gelo grudado em seu joelho direito – que passou por uma artroscopia há dois meses –, Renato atendeu a reportagem do LANCE!Net e falou da vontade em assumir um papel de liderança no grupo. O estilo “fala muito” em campo, aliado aos gestos, mostra o quanto ele tem tentado tirar o time do Parque São Jorge da má fase.

Otimista com 2014, o meia ainda falou de sua real condição física e do quanto foi abraçado pelo Timão e sua torcida.

Nos treinos e nos jogos, percebe-se que você fala muito com os jogadores em campo, gesticula, dá orientações... Já se sente com esse papel de líder no elenco?
Na verdade é uma coisa que faço para ajudar. Às vezes, além de jogar, dá para falar, tentar organizar um pouco mais o time em campo. Às vezes, o Tite também não consegue passar o que quer para a gente, por conta do barulho. Ainda não estou bem fisicamente e tecnicamente, então procuro ajudar o time de outras maneiras.

O que tanto você fala?
Às vezes, algo que eu percebi no jogo, tenho a leitura ali no momento. Ajudar um companheiro, pedindo para dar um passe em tal lugar, se movimentar de tal maneira. É isso.

Gosta da parte tática no futebol? Costuma estudar sobre isso?
Gosto muito. Sempre que tenho tempo livre estou vendo estas coisas, dou uma olhada em táticas. Isso ajuda na profissão. Se por um acaso eu vá jogar contra um time que eu já tenha observado, fica mais fácil. É uma coisa que eu curto e converso muito com o pessoal aqui no CT.

Todo clube que você passou teve essa abertura para falar?
No Flamengo nem tanto porque eu era muito novo, tinha mais que escutar do que falar (risos). Não tinha essa facilidade de me expressar. Na Alemanha (Bayer Leverkusen), depois que peguei bem o idioma, podia falar um pouco mais. Aqui vale muito do grupo. Me abraçaram muito bem, de uma forma que eu nem esperava. Por isso me sinto bem para falar, tentar dar uns toques durante os jogos. Todos aqui dão este espaço para você expressar o que pensa.

O que o Tite fala desse papel?
É algo muito natural. Ele é um cara que dá abertura. Já tive treinadores que não gostam de jogador que fala muito (risos). Tite escuta não só a mim, mas a todos os jogadores, está sempre aberto ao diálogo. É uma pessoa fácil de se trabalhar. Às vezes você dentro de campo vê algo que ele de fora não vê. Aí você chega, passa para ele e vê o que ele tem a dizer sobre o que você falou. Ele facilita muito essa chegada do atleta perto dele.

Em 26 jogos com você em campo, o Corinthians só perdeu uma vez. O que o time ganha com você?
Não sei, cara. Não vejo tanta diferença assim. Eu podia estar jogando estes últimos jogos que o time perdeu. Não tem um porquê. Não é porque eu jogo que a equipe ganha. São vários fatores. Espero que eu possa levar isso até o fim do ano. Que se mantenha só essa única derrota.

Elenco deve passar por reformulação em 2014. Com a saída de medalhões, pode assumir de vez esse papel de liderança no grupo?
Vejo que é algo que vai vir naturalmente. Se por acaso vier essa minha liderança mais forte, tudo bem. Mas se também não vier, vou continuar trabalhando. Costumo dar abertura para as pessoas me falarem, por isso que gosto de falar também.

Depois da série de lesões que você teve em 2013, se sente em dívida com o clube e a torcida?
Devendo não é a palavra certa. Fico muito triste. Mas acredito que os poucos jogos que fiz, eu correspondi à altura do que a torcida queria de mim, do que a comissão técnica esperava. Eu espero muito que, no ano que vem, eu não tenha mais estes problemas. Só assim vou ter uma sequência legal e poder mostrar o que eu posso jogar. Se eu fiz um ou dois jogos no meu alto nível este ano, acho que foi muito... Acredito que eu posso dar mais, contribuir mais. Espero que 2014 seja meu ano.

Essa semana livre ajuda para ganhar do Vitória e manter o sonho da vaga na Libertadores 2014 vivo, apesar da “chance desprezível”, como dizem os matemáticos?
Na verdade, vou levar até o fim do ano, sei que não vou ficar 100% até lá. Não dá tempo, a gente tem muito jogo pela frente. Estou tentando aproveitar cada minuto. Fiquei muito tempo fora, falta ritmo. É uma fase que tem horas que você pensa e dá o comando para fazer algo, mas a perna não obedece. Mas mesmo não estando 100%, acho que dá pra ajudar.