icons.title signature.placeholder Frederico Ribeiro
11/11/2013
09:03

Quando o Atlético conquistou a Libertadores, tudo indicava que Bernard iria embora e deixaria a ponta esquerda alvinegra orfã. Mas poucos poderiam dizer que Eduardo Maluf e Alexandre Kalil encontrariam, no mercado escasso, o nome ideal para vaga. Rápido, forte e, principalmente, habilidoso, o meia-atacante Fernandinho, de boa passagem pelo São Paulo caiu como uma luva no dono da América.

Mas ele começou da pior maneira possível. Só que, após a expulsão na estreia contra o Inter, o
novo camisa 11 se reencontrou e hoje é, ao lado de Diego Tardelli, o melhor jogador do Galo no Campeonato Brasileiro. Mas ainda falta uma coisa mais relevante para o ponta: saber se vai mesmo para Marrocos (saiba mais ao lado).

Confia, abaixo, a primeira parte do bate-papo de Fernandinho com a reportagem:

Como foi a sua contratação junto ao Atlético-MG?
Estava no Brasil de férias e houve o interesse do pessoal do Atlético. Me procuraram, foram atrás do meu advogado e do meu empresário. Antes de o Atlético chegar, houve propostas de outros clubes do Brasil, algumas eu fiquei na dúvida. Mas quando o Atlético mostrou interesse, eu fiquei animado, pelo clube, momento que vive e o que fez na Libertadores. A forma que jogava me atraia também. Disse que toparia, desde que as condições fossem favoráveis.

Você estava no Al-Jazira, lá você treinava menos?
Isso, eu estava um ano lá, tenho mais dois anos de contrato e vim por empréstimo. Lá se treina mais a noite. O calor é muito intenso, então o treino começa as 21h30, 22h.

Alguma dificuldade de viver no Emirados Árabes?
No início foi mais o calor, que é muito. A língua foi um pouco, mas tive ajuda muito legal e bacana do meu amigo Ricardo Oliveira (ex-São Paulo, Bétis e Milan), é meu amigo, meu pastor, meu irmão. Começamos a amizade no São Paulo e ele me ajudou demais, foi fundamental tanto na minha ida para o Emirados Árabes quanto na minha estadia lá. Tudo passou pelo Oliveira, ele faz parte dessa negociação e do momento que vivi lá.

Alguma dificuldade em relação ao retorno ao Brasil? Treino...
Achei que teria mais. Encontrei um cara aqui, que é o preparador físico Carlinhos Neves, junto com o pessoal, do Manoel (do Santos, outro preparado), pessoal da fisioterapia, fisiologia. Enfim, o Atlético é uma família que compreende o jogador e sabe tratá-lo de uma maneira diferente. Facilitou totalmente a minha adaptação ao Brasil. Achei que iria ter muito mais, mas tive pouquíssima dificuldade para me adaptar.

São três meses de Galo, e você estreou com vermelho diante do Internacional e se redimiu no clássico, com um golaço que deu a vitória.
Foi um jogo especial, fico até arrepiado de lembrar., Queria fazer algo diferente para ficar marcado. A torcida vinha apoiando a mim, que acabei de chegar. Mas teve um cara muito especial que dediquei o gol para ele. O Cuca, que me ajudou para caramba. Na expulsão, qualquer treinador tinha motivo para me sacar, mas ele não, me eu apoio total. O grupo também me deu. Imagina, você chegou agora e já deixa o time na mão no jogo difícil. Réver, Josué, todo mundo, Ronaldo, me apoiaram. E o Cuca foi fundamental. Ele me disse, depois: ‘fica tranquilo, isso acontece, é natural’. Isso é raro de se ver, por conta do que aconteceu. O treinador falou uma frase que não vou esquecer: ‘fica tranquilo que você vai me dar muitas alegrias aqui’. E isso está acontecendo mesmo.

E como foi chegar em um grupo que tinha acabado de conquistar o maior título? Houve conflito de motivação entre você e os demais?
Isso é natural. Comecei a pensar isso: vai ser complicado, os caras estão em fase de relaxar, uma fase de dar uma esfriada na cabeça, uma descansada que o corpo pede, por causa do desgaste até mental. E eu não, estou chegando para fazer o negócio andar, continuar o Atlético da Libertadores e fazer mais ou menos a função do Bernard, na velocidade, que saiu aqui como ídolo, continua sendo pelo talento e pela pessoa que é e vai fazer muito sucesso lá fora, seja no Shakhtar ou em outro time.