icons.title signature.placeholder Luis Fernando Coutinho
10/11/2014
11:55

O UFC estreou em Uberlândia, Minas Gerais, no último sábado. O show foi um dos maiores eventos recebidos pela cidade (de aproximadamente 650 mil habitantes) no ano e movimentou a ecônomia local, objetivo de sempre da franquia ao rumar a cidades de interior. A experiência do torcedor mineiro até teve seus altos, mas terminou de forma melancólica com o nocaute relâmpago sofrido por Mauricio Shogun contra Ovince St Preux. Valeu pela experiência, mas poderia ser (muito) melhor.

O ginásio - O Sabiazinho está longe de atender à comum estrutura encontrada pela organização na maioria de suas edições, mas comportou de forma decente os 5.671 torcedores que compareceram no local para assistir os astros do Ultimate. Um detalhe: a capacidade do ginásio é de cerca de oito mil pessoas. Mesmo que esse número tenha sido diminuído pelo evento para adequar sua estrutura, é um público pequeno e o menor do em evento do UFC no país. Sem ar-condicionado ou qualquer brecha de ventilação, o calor feito em Uberlândia transformou o ginásio em uma sauna em determinados momentos. Alguns atletas, em especial os americanos, acostumados com frio, devem ter sentido o calor.

O card - O prgrama de lutas destinado a esse evento foi, de longe, um dos mais (se não o mais) fracos já promovidos pela organização no país. O evento investiu na escalação de atletas locais como Claudio 'Hannibal' Silva, Juliana Lima, Wagnão Silva e Warlley Alves (campeão do TUF Brasil 3). Fora o último, todos esses nomes eram (ou ainda são) desconhecidos do grande público. Mauricio Shogun, astro principal da noite, talvez tenha "levado o time nas costas" quanto à venda de ingressos. Para piorar, o confronto entre John Lineker e Ian McCall, apontado como o mais promissor da noite devido ao fato de o vencedor se tornar o próximo na disputa de cinturão dos moscas, foi cancelado na véspera. O americano sofreu uma infecção viral e não pôde lutar.

Público de Uberlândia marcou presença no show (FOTO: Alexandre Loureiro/Inovafoto)

O horário - Certamente, como já citado, um evento do UFC foi algo muito esperado e valorizado pelo público de Uberlândia. Um show dessa magnitude na cidade fez os mineiros felizes. Porém, o horário em que eles se comprometeram a comparecer foi cruel. Se unirmos o horário de verão brasileiro com o americano, o fuso horário de Uberlândia para Las Vegas, capital do mundo das lutas, foi de seis horas. O que explica o início do evento às 22h30. O fã teve de esperar até quase quatro da manhã para ver Shogun lutar. E o pior: quando o "grande momento" chegou, Shogun acabou nocauteado em 34 segundos pelo rival americano.

Quando Shogun desceu do octógono, ginásio já estava quase vazio (FOTO: Alexandre Loureiro/Inovafoto)

Organização - Fora tais pontos fracos, o Ultimate, como sempre, soube impôr seu padrão de qualidade tanto na estrutura oferecida ao público quanto aos jornalistas. Sala de imprensa, internet, informação, acesso... Tudo correu bem. Os jornalistas que tiveram de trabalhar até às seis da manhã produzindo material pós-luta usaram a estrutura oferecida o quanto foi possível.

Ring girls e lutadores convidados - Um ponto que agradou (e muito) os torcedores. Para valorizar o evento de Uberlândia, a organização promoveu na cidade a estreia de Luciana Andrade como nova garota da placa do show. A curitibana chamou a atenção do público e participou de eventos como uma sessão de autógrafos com os novos fãs. O mineiro Glover Teixeira e o paulista Fabio Maldonado foram dois lutadores da franquia que levaram o público à loucura ao posarem para fotos e atenderem os inúmeros torcedores durante a semana.

Luciana, Jhenny Andrade e Camila Oliveira (FOTO: Luis Fernando Coutinho)

Balanço - O UFC de Uberlândia, foi, sim, um sucesso. Para o uberlandense. O resultado da luta de Shogun foi um balde de água fria, mas ainda assim a noite foi memorável para muita gente. Em relação aos jornalistas e ao resto do público pelo mundo, o show poderia ter lutas de mais impacto e chamativas. Mas, pensando bem, talvez essa jamais seja uma ideia do UFC em shows desse tamanho. O evento foi o suficiente para suas ações. Usou nomes medianos no card (gastou menos dinheiro), teve boa venda de ingressos, movimentou a cidade, e marcou território. Não foi preciso "fazer mais força". Aos olhos do mundo, o Ultimate agiu bem ao estilo mineiro. De fininho, quieto, mas seguindo em frente.