icons.title signature.placeholder Jonas Moura
23/11/2013
08:02

Giba não sabe exatamente o que quer para o futuro pós-quadras. O certo é que o ponteiro, hoje aos 36 anos, já está atirando para alguns lados em busca da resposta. Ao rescindir o contrato com o Funvic/Taubaté esta semana, ele deu o passo que faltava para selar sua transferência ao Al-Nasr, dos Emirados Árabes Unidos. O motivo da mudança? Ele garante não ter sido o ganho financeiro.

Eleito o MVP (Most Valuable Player) dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, o atleta diz que a decisão é parte de um projeto profissional que ele acredita ter grandes chances de dar certo. Além de defender o clube de Dubai, a princípio até maio de 2014, o camisa 7 fará consultoria para a Federação de vôlei do país. Em outras palavras, vai utilizar sua imagem para ajudar a alavancar a modalidade lá fora.

— Muita gente acha que estou saindo por causa da grana, mas não é isso. Se fosse assim, teria ficado em Taubaté, onde fui muito bem recebido e os valores eram próximos. É muito mais uma perspectiva de construir uma carreira fora das quadras e ajudar a desenvolver o vôlei no país — disse, ao LANCE!Net.

Idealizador de um projeto social no Paraná, que ajuda crianças de oito a 14 anos a desenvolverem habilidades motoras com o vôlei, ele também sonha em levar a iniciativa para sua empreitada em Dubai.

O atacante chegou a Taubaté em agosto, com status de grande estrela. No entanto, foram necessários dois meses de trabalhos com o preparador físico Tiago Fukugati para que o campeão olímpico adquirisse a melhor forma. Aos poucos, ele passou a ser escalado no time principal, mas só chegou a disputar duas partidas como titular nesta Superliga.

Apesar do pouco tempo em atividade, Giba sente que já retomou a condição física adequada. Tanto que provocará mais um desfalque em Taubaté: convidou Tiago para ser seu preparador pessoal. A confiança é tanta que o atleta já compara o estágio físico atual ao seu período mais glorioso no vôlei de alto nível: o ano de 2004.

— Hoje sinto como se estivesse em Atenas. Trabalhei para isso nos últimos meses e alcançei o objetivo — comemora o ponteiro.

A ida definitiva do atleta para os Emirados Árabes será no dia 1º de dezembro. Esta será a quarta vez que ele tentará a sorte fora do Brasil. Antes, já havia passado por clubes da Itália, Rússia e Argentina.

Bate-bola

Giba
Novo ponteiro do Al-Nasr, de Dubai, dos Emirados Árabes Unidos, em entrevista exclusiva ao LANCE!Net

Você não se sentiu desconfortável por deixar o Taubaté no meio da disputa da Superliga?

Sem dúvida. Fico triste por deixar a equipe nessa situação. Adorei a cidade, e minha namorada está abrindo uma loja lá, inclusive. Mas tenho que pensar no meu futuro.

Como o time reagiu à sua decisão de rescindir o contrato?

Tudo aconteceu de uma forma bem amigável. É claro que ficou uma mágoa, mais da parte do Ricardo (Navajas, supervisor técnico do time). Só fico um pouco triste porque ele não acreditava que eu voltaria a jogar bem.

Preocupa o fato de estar indo jogar em um país desconhecido?

Não me preocupo. O André Lukianetz, que saiu de Taubaté para jogar lá, tem me passado algumas informações sobre os campeonatos. Mas ainda é difícil saber. Isso só vai acontecer quando eu estiver lá.

Há chances de você defender uma equipe em Manaus, como tem sido cogitado?

A Federação Amazonense tem esse plano de que seja montado um time. Recentemente, estive na cidade para participar da entrega de uma premiação e conversei com o presidente. Disse que estou à disposição para ajudar no que precisarem e também para desenvolver meu projeto social lá. Porém, minha prioridade ainda é Taubaté. As portas estão completamente abertas para mim na cidade.

Acha que já está jogando no nível que todos esperam de você?

Fiquei dois meses me preparando para isso e acho que consegui. Hoje, sinto como se estivesse em Atenas (referindo-se à Olimpíada de 2004). Se tivesse ficado no Brasil, tenho certeza de que estaria voando agora na Superliga.