icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Rafael Bullara
14/11/2014
08:35

Se existem limites para os recordes de Rogério Ceni, pode-se dizer que as cobranças de pênalti são as grandes responsáveis por eles. Nada que apague os 123 gols marcados e os 32 títulos conquistados pelo Mito em 24 anos de carreira, mas as penalidades desperdiçadas no período poderiam tornar as marcas alcançadas na trajetória do goleiro-artilheiro ainda mais impressionantes.

Dentro da história são-paulina, Ceni está a cinco gols de igualar o número de tentos de Raí e se tornar o décimo maior artilheiro das oito décadas de história do clube. Ultrapassar o Terror do Morumbi é uma meta improvável, já que restam, no máximo, oito partidas até o fim da carreira do Mito. Mas, se as 19 cobranças de pênalti desperdiçadas pelo capitão tricolor ao longo da carreira tivessem sido convertidas, até Leônidas da Silva estaria ameaçado.

O Diamante Negro, inventor da bicicleta no dicionário e repertório do futebol, anotou 144 gols em 211 partidas disputadas entre 1942 e 1950. Os números levaram um dos primeiros ídolos são-paulinos ao oitavo lugar no ranking de artilheiros, posição da qual Ceni estaria a apenas dois gols de conquistar caso não tivesse fracassado nos pênaltis.

Os erros do Mito nas penalidades são como gols contra para a torcida tricolor. Castigam o orgulho de quem se orgulha de um goleiro-artilheiro. Enchem de satisfação os torcedores rivais, tantas vezes castigados. Mas para quem esteve presente até mesmo na pior fase de Ceni nas cobranças, isso nunca abalou a imagem de líder do camisa 01.

Aloísio, do Shandong Luneng (CHN), teve até de assumir o posto de batedor em 2013, quando Rogério perdeu quatro pênaltis seguidos, mas nem por isso teve o rendimento afetado.

– O Rogério sempre foi um líder e sempre nos passou muita confiança. Errar faz parte do jogo e só erra quem bate. Se analisar a porcentagem dele, verá que tem muito mais acertos que erros. Na verdade, tem pouquíssimos erros. Então, a gente não se incomodava porque confiava muito nele.  – disse o Boi Bandido ao LANCE!Net.

O último erro de Ceni na marca da cal foi em 24 de setembro, no empate em 2 a 2 com o Flamengo. O primeiro, no revés por 3 a 2 para o Coritiba no Brasileirão de 2004. E o único arqueiro a pará-lo duas vezes foi Lauro, que conseguiu os feitos pela Ponte Preta, em 2005, e pela Portuguesa, no ano passado.