icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
14/11/2014
08:15

Nabil Khaznadar tem de fazer malabarismo político em busca do sonho de dirigir o Santos. Ele tenta convencer os sócios do clube de que tem ideias diferentes das de Odílio Rodrigues apesar de ser líder do grupo que apoiou o presidente. A pessoas próximas, ele faz críticas ao atual mandatário, a quem considera provinciano e pragmático, mas avisa: não vai detoná-lo publicamente, o que considera que seria um ato de traição.

Aos 56 anos, o candidato da chapa Avança Santos vê em um marketing forte, voltado a questões sociais, como a melhor arma para atrair investidores e novas receitas. Ele também aposta em sua rede de relacionamentos, que vai de empresários e banqueiros à políticos e agentes de jogadores.

Em visita à redação do LANCE!Net, Nabil, empresário do ramo têxtil e de moda, falou de seus projetos, como melhorar a estrutura da base, corrigir falhas na venda de ingressos e diminuir os erros em contratações. Confira abaixo:

Se dedicar ao Santos por três anos demanda tempo e condição financeira estável. Você tem condições de abrir mão de tudo em nome do Santos?
Tenho ciência da ocupação que é ser presidente do clube. Conversei muito com a minha mulher, e ela aceitou. Na parte profissional estou com a vida resolvida. Mas quero deixar bem claro que a gente quer levar gestão ao Santos, tratar o clube como empresa. Telefone 24 horas, todo mundo ligado, conectado, reuniões diárias por conferência... Pretendo gerir o Santos profissionalmente 24 horas por dia.

E seus negócios?
Meu irmão vai tocar, não tenho a necessidade de estar lá. Serei Santos "full time".

Por ser de São Paulo você levará mais a gestão do clube para a capital?
O Santos é de Santos, a sede vai continuar na Baixada, mas vamos usar mais a subsede da capital. Tem que fazer reuniões esporádicas em São Paulo, abrir o Santos para o mundo. Já estou conversando com algumas pessoas a nível nacional e também internacional a fim de expandir a marca do clube.

O Santos tem problemas financeiros e já antecipou receitas de 2015. Caso eleito, adotará medidas emergenciais?
O Santos antecipou as cotas de TV de 2015, mas os outros grandes anteciparam 2016 e até 2017. Se necessário, temos R$ 80 milhões de cota para antecipar, mas não estou pensando só nisso. Nesse sentido, o Santos está resolvido, muito melhor que os outros. Mas, em relação ao "day after", o dia após a eleição, tenho conversado com o meu pessoal do marketing, sobretudo o Celso Loducca, que vai tocar essa parte, e temos muitos projetos. Estamos com muitas empresas com projetos em andamento para logo depois da nossa posse trazer algumas novidades para o torcedor.

Isso tem a ver com o patrocínio master?
O patrocínio para nossa equipe é uma consequência de um projeto muito grande. Queremos vender a marca Santos, fazer um projeto social junto com a base, buscar uma parceria com a Prefeitura, para que a cidade abrace o clube. Junto a isso, queremos trazer um projeto, que vai gerar muita coisa boa, muitos benefícios.

Há empresas que sinalizaram que querem investir no Santos, então?
Sim, algumas.

E por que elas já não investem agora?
Aí já não sei, não é minha gestão, não estou no dia a dia do clube...



Mas você conhece as pessoas que lá estão, pode ao menos apresentá-las a essas empresas.
A um mês da eleição? Não faz sentido. Começamos a conversar a partir do momento que lançamos a candidatura, sentei com o Celso Loducca, nossas cabeças pensam a mesma coisa em relação ao marketing, não estamos preocupado com patrocínio master, mas em algo maior, que envolve outras empresas, projetos sociais... Queremos deixar um legado.

Além do marketing, há outras ações para este primeiro momento?
Preciso ver como está a situação. A gente sabe por cima, pelos balanços, por algumas informações, mas não me aprofundo. Sei que teremos de sentar com alguns credores e renegociar as dívidas. Isso faz parte da gestão, quando tem problema de déficit tem que sentar com credores e conversar, ninguém pode perder. O importante é conversar, mostrar a cara, ver o que consegue, tem que ter essa transparência.

Você pretende também negociar com a Rede Globo, já que o Santos recebe menos da TV que seus rivais e tem poucos jogos transmitidos?
Está nas minhas prioridades colocar o Santos em outro patamar quando o assunto é TV, seja na aberta, na fechada ou mesmo em relação à Santos TV, que é um canal nosso. Não sei as leis, mas já pedi para o meu pessoal que cuidará do jurídico para ver sobre essa questão. Fato é que a Globo e a CBF são dois dos grandes parceiros dos clubes e a gente tem que sentar e conversar. Temos 8 milhões de torcedores, temos que dar uma resposta a eles. O Santos é o time do século XX pela Fifa e o que mais conquistou títulos nos anos 2000, precisamos de um tratamento melhor. Não tem nada demais aí, precisamos cobrar. E não falo em valores, mas exposição também. Confio que a gente vai fazer coisas tão grandes no marketing que isso será algo natural. Espero que seja, não vou prometer nada, só trabalho, luta e dedicação para reverter isso aí. Acho que temos que nos inspirar no futebol europeu, nas ligas americanas e trazer isso ao Brasil.

Você tem falado bastante do marketing. Já pode listar algumas ações para que não fique vago para o torcedor?
Uma que eu não tenho problema de falar é sobre a base. Para você ter noção do tamanho do projeto: queremos formar cidadãos, não só jogador de futebol. Queremos sentar com a Prefeitura, ver a região primária da Vila Belmiro e do CT, pegar alguma escola e fazer um convênio. Tem que ter uma associação entre futebol e educação. É algo que tem no mundo inteiro. Esse é um dos exemplos que estamos pensando como projeto social, contatamos com empresas que estão dispostas a ajudar. Não dá para ficar pensando só no patrocinador puro e simples. Os investidores não querem mais isso.

Mas essa ação social também traria retorno financeiro ao clube?
Sim, pois traria novos patrocinadores que diriam "é isso que quero, é nisso que quero apostar". O mundo está voltado para questões sociais, e a gente não olha para esse lado.

Hoje o Santos já promove ações sociais, mas o departamento é bem enxuto. Você pretende ampliá-lo?
Não vou falar em aumentar, diminuir... Isso vai caber a quem cuidar dessa área. Marketing, patrimônio e outros setores verão isso. Mas acho que tem que crescer, sim. Uma pessoa para cuidar de dez é fácil, uma pessoa para cuidar de 100 não dá.

Recentemente o clube demitiu diversos funcionários para cortar custos. Você discorda dessa política?
Discordo de algumas coisas, sim, tanto discordo que não aceitei o convite para ser membro do Comitê de Gestão. Mas também não sabemos de tudo, talvez ele (Odílio) tenha ido para o caminho de dar uma segurada em tudo e entregar o clube para o próximo presidente de uma forma melhor, com menos gastos, já que a economia do país estava retraída. Não posso dizer se ele acertou ou errou.

Nesse processo de corte de gastos o Santos também terceirizou diversos departamentos. Você concorda com essa prática?
Eu acho que a gente tem pontos falhos na comunicação, talvez tenha que ser interna mesmo. Com relação ao jurídico, está indo bem, não tenho nada contra. Estava bem e continua bem. O que acho que temos problemas hoje e tem que melhorar é o programa Sócio Rei. Nosso maior patrimônio é o torcedor, temos de cuidar melhor dele.

Como fazer isso? Mudando o contrato com a CSU?
O que for preciso fazer para melhorar será feito. Mas só vamos saber isso depois de uma conversa.

O que é falho hoje no Sócio Rei?
As pessoas reclamam muito. O programa não dá muito benefício, qual é hoje? Pagar o ingresso pela metade? Já conseguimos uma vitória, que é ter 60 mil sócios sem um clube social. O problema é que a inadimplência atinge quase 50%, vamos atrás desse percentual e buscar mais 50% pelo menos. Nossa meta é chegar ao 100 mil sócios, que era a meta do começo da gestão e não foi possível. A ideia é um pouco essa, atingir metas dessa gestão que não foram alcançadas.

O que você acha do contrato com a CSU?
Não conheço.

Pelo que foi exposto no Conselho...
Não gosto, acho prejudicial ao clube. É um problema que temos e vamos negociar. Mas não posso culpar A ou B, tenho que ver o que eles têm a propor.

Falando em sócios, o Santos teve um boom a partir de 2010, mas estagnou de uns tempos para cá. O que fazer para retomar o crescimento?
Esse boom foi com aquele time fantástico, aquela onda toda... A gente tem o time que mais ganhou nos anos 2000, reclamamos muito pois somos apaixonados pelo Santos, mas tem que ver que o clube ganhou muitas coisas nos últimos anos, mais que os outros. Com relação a aumentar esse número, conversei com o pessoal do Benfica e, caso eleito, irei a Portugal logo depois da eleição. A minha intenção é ir lá, pois é o time que mais tem sócios no mundo, 150 mil. Eles têm uma captação muito grande num país infinitamente menor que o Brasil, então quero entender isso, ver o know-how e copiar o que dá certo. O match day americano eu conheço bem, agora quero entender esse projeto do Benfica.

Além disso, o Santos tem um sócio que contribui, mas não comparece, a média de público é pequena. O que fazer?
Quando o jogo é na Vila Belmiro, temos problema de acomodação, acesso difícil e as lanchonetes não dão serviço adequado. Precisamos fazer uma pesquisa e procurar saber qual é o problema. Eu fico na social e tenho uma visão boa, mas sei que quem fica nos outros cantos tem dificuldade de visualizar o campo. Precisamos ver até onde isso é problema, se é estacionamento, violência... Já com relação ao Pacaembu, temos um problema nas vendas, por conta do tamanho da cidade de São Paulo. Veja o jogo da Copa do Brasil contra o Botafogo, quando tivemos cerca de 15 mil pessoas no estádio. Eu reclamei bastante com pessoas do Comitê de Gestão, porque estávamos vendendo ingressos só em um raio de 2km. Venda física é na Vila do Santos, Santos na Área e Ibirapuera. Na Zona Leste, na Zona Oeste e na Zona Sul tinha um ponto. Ok, tinha no site, mas não é divulgado, não usamos o atleta para fazer a promoção. Temos problemas na comunicação, no marketing... Dá para melhorar muito mais.

Vendendo em mais pontos o problema da falta de público será resolvido?
Essa é só uma questão, mas vamos atrás de outras. Falta aproximação do torcedor com o jogador. Já não temos um clube social, o sócio só é filiado pelo time, então tem que ter uma aproximação, um elo entre um e outro, é o mínimo que podemos dar ao torcedor. Precisamos resgatar nosso patrimônio, que é a torcida.

Quais são seus planos para a relação com a CBF? O Santos pode liderar um processo de mudanças no nosso futebol?
Acho que sim, temos que ter esse processo de liderança, sentar com o presidente da CBF, com a Globo... Estive recentemente na China falando com o líder do Bom Senso (Paulo André), tenho ótima relação com eles, sei das reivindicações, como o fair play financeiro. Enfim, acho que a gente tem que se unir, inclusive com os outros presidentes, para mudar. Temos visto pelos estádios vazios que ninguém está satisfeito. Tentarei fazer o melhor possível, sentar com todos os presidentes, precisamos dar as mãos e deixar um legado. Do jeito que está não dá mais.

Quais seus projetos para o futebol? O elenco é bom ou precisa de uma reformulação?
A base é boa, temos uma espinha dorsal. O Aranha é bom goleiro, temos bom zagueiro, o melhor segundo volante o Brasil e o Robinho, que é nosso ídolo e tem a cara do Santos. Não vou fazer uma limpa, quem tem contrato vai continuar, mas tenho uma promessa: não vou contratar jogador para compor elenco. Ou trago jogador para fazer a diferença, resolver, ou usarei a base. Aliás a base tem que treinar com os profissionais, para quando precisar subir o menino não sentir tanto. Isso é muito praticado no futebol europeu.

O sub-20 já faz isso.
Uma vez ou outra. Precisa ser permanente. Tem que dar experiência para os garotos, isso eu aprendi lá fora com o futebol europeu, com pessoas que conversei nos últimos tempos. Já havia escutado isso, pesquisei um pouco e concluí de que temos esse problema.

Se eleito você não contratará atletas que cheguem para ser reservas ou que sejam apostas, só estrelas?
Só vou contratar jogadores para resolver. "Ah, mas o Lucas Lima não era para resolver". Ele e o Leandro Damião foram contratos diferentes, de risco, mas que valeram a pena para o clube. Hoje é um grande jogador, está mostrando muito talento. Agora jogador jovem, que a gente perceba que tem futuro, contrataremos. Aqueles que passaram por três, quatro clubes e não brilharam, não vamos trazer. Jogador com 25, 26 ou 27 anos não vale a pena. É melhor ter um menino da base. Outra coisa que faço questão de falar é: não vamos contratar por DVD. Veremos quantos jogos forem precisos antes de contratar, pois o DVD se edita. Faremos acompanhamento antes da compra. O scout vai nos dar a direção e aí vamos atrás.

Para que fique claro, vamos usar o exemplo do Thiago Ribeiro, que foi contratado com 28 anos. Ele já havia tido bom desempenho no Brasil e estava na Itália. Jogadores desse perfil não serão contratados por você caso eleito?
É esse tipo de caso, sim. A economia do país não permite mais ter erros. Não que esse caso seja errado. Mas não pode apostar. É melhor pagar R$ 500 mil para o Robinho do que R$ 200 mil para quem está no banco. Trazer jogador para agradar esse ou aquele não faremos.



Você mencionou o scout, e hoje no Santos quem ocupa esse cargo é o Sandro Orlandelli. Era será mantido?
Não conversei com ele, mas minha intenção é mantê-lo. E a minha ideia é aumentar essa atuação dele. Vamos criar uma célula de inteligência de pessoas que são ligadas 24hs por dia no futebol, temos pessoas assim dentro do Santos e elas ajudarão o Sandro Orlandelli. Quatro ou cinco torcedores, alguns membros do Conselho, farão parte dessa célula. O Lucas Lima, por exemplo, há alguns anos já era comentado por essas pessoas. É uma coisa muito interessante e já colocaremos em prática no começo do mandato.

O Sandro é criticado por alguns jogadores que foram contratados, já que todos os reforços passam pelo crivo dele. É o caso do Everton Costa, Renato Abreu, Bruno Uvini e outros. Como você avalia o trabalho dele?
Quem o Sandro indicou? Não sei. Será que esses que você falou eram prioridade? Não existe 100% de acerto, sempre tem erro. Antes do Sandro também teve com o Bill, Rodrigo Possebon... O que a gente quer tentar evitar com a célula de inteligência é ter muito erro. Queremos errar menos.

E se houver erro que seja barato, não como no caso do Leandro Damião, é isso?
O caso do Leandro Damião é como o do Lucas Lima, um contrato diferente, que ainda não pagamos, e que está no começo da passagem ainda. Veja o Montillo. Quando ele chegou tinha muita expectativa sobre ele, tínhamos perdido o Ganso, o Neymar estava sozinho... Não desembolsamos um tostão pelo Damião até agora e, como o Montillo, ele pode reverter a má fase. Acho que está faltando um bom papo, ele é um cara de grupo, muito querido pelos companheiros. Está faltando calma, tranquilidade para ele ter sucesso, como teve o Montillo, que deu lucro ao Santos.

Então você não considera a contratação do Damião um erro?
Montillo foi um erro? Muita gente achou que foi, mas depois deu lucro...

E o Damião, foi bom negócio?
Difícil falar. Até agora, não. Mas quem diz que amanhã ele não pode virar? Ele tem contrato de cinco anos e só vamos começar a pagar daqui a três. Ele pode virar a partir de amanhã.

Você faria essa contratação?
É muito fácil falar isso aqui do lado de fora, nove meses depois da contratação. Na época todo mundo gostou, talvez só o valor era contestado.

As condições da parceria também foram muito criticadas na época.
Por que só dele, mas do Lucas Lima não? Pelos valores?

Juros de 10% ao ano sobre R$ 5 milhões do Lucas Lima são infinitamente menor do que os pagos pela contratação do Damião, de R$ 42 milhões.
Eu faria o negócio. Não do Leandro Damião. Estou falando do tipo de investimento, sobre começar a pagar só depois de três anos. É um risco que todo mundo tem. O Corinthians não teve com o Pato? Mas, diferentemente de nós, eles pagaram pelo Pato, tiraram do fluxo de caixa. A gente não! Como gestor, não achei essa parceria ruim.

Por achar esse modelo bom, você entende que o Santos precisa ampliar essa parceria com o Doyen?
Não sei, se a parceria for boa ao clube, seja com quem for, temos que fazer.

E com a Teisa?
A torcida precisa saber uma coisa que nunca ficou muito clara: foi prometido lá atrás R$ 40 milhões, que não entraram. A Teisa investiu cerca de R$ 20 milhões. Esse é um grupo formado por torcedores ilustres do Santos, que colocaram esse dinheiro e até hoje não tiveram nenhum retorno. Pelo contrário, eles estão no prejuízo e não cobram absolutamente nada. Esse tipo de parceria, se for benéfica, tem que ser feita.

- Você vê conflito de interesses em ter investidores da Teisa no Comitê de Gestão do clube, como havia até pouco tempo atrás?
Pode ser. Não acredito muito nisso, sabia? É uma boa pergunta. O pessoal da Teisa não resolve o dia a dia do clube, eles cuidavam do fluxo, da conversa com Globo, Federação...

Mas quando é decidido se vai vender ou não um jogador, por exemplo, eles são consultados.
Cada um representa um voto. Esse é o grande erro do Comitê. O poder de veto é do presidente, o ônus e o bônus são dele.

De qualquer forma, há ou não conflito de interesses em ter membros do Comitê que investem na Teisa?
Não, porque o veto ou não vai ser do presidente.

Uma questão parecida. O Loducca, que estará no Comitê caso você seja eleito, será comissionado se levar parceiros ao clube?
Não, ele nem precisa mais disso. Precisamos acabar com essa história de achar que todo mundo do futebol tem benefício. O futebol é sujo para quem é sujo, não é o caso do Celso Loducca, por quem eu ponho minha mão no fogo.

Já falamos do Sandro Orlandelli, mas além dele a política de contratações é definida por outros dois dirigentes: Zinho, gerente de futebol, e André Zanotta, superintendente de esportes. Como avalia ambos? Pretende mantê-los?
Aprendi na minha vida gestora que só vamos conhecer as pessoas no dia a dia, não posso julgar ninguém antes da hora. Não posso falar sobre eles.

Nem como conselheiro ou torcedor?
Não estou no dia a dia do clube, existem críticas e elogios. Quando você não está dentro da sala é difícil falar. Nunca ouvimos falar em problema de comportamento do Zinho como jogador, como dirigente também é elogiado. Com o Zanotta eu não tenho relação, nem sei o telefone dele, não dá para falar.

Mas você não tem também da comunicação ou do marketing e vê problemas nesses departamentos...
São coisas diferentes, o futebol você tem que estar lá no dia a dia do clube, na comissão técnica, no centro de treinamento. A comunicação do clube eu vejo porque aparece nos jornais...

Também aparece no jornal quando o Santos contrata um jogador ou deixa de contratar, quando renova um contrato ou perde um atleta de graça.
Aí é fofoca, não dá para saber. A comunicação é visível, o programa de sócio é comentado pelo torcedor. É possível medir de fora.

O futebol também, você pode avaliar de fora se o elenco foi bem formado ou não.
O elenco foi mal formado?

Não tem um meia reserva. Outro dia o Lucas Lima machucou e o time jogou com quatro atacantes...
Aí é opção do técnico, eu já acho que tem meia reserva, o Serginho. E aí eu jamais me meteria, pois é uma decisão do Enderson.

O time está bem formado?
É preciso melhorar. Mas, se for para trazer alguém para compor elenco, é melhor o Serginho, que é da base e tem muito potencial.

De qualquer forma, se você for eleito, Zinho e Zanotta terão um tempo para mostrar trabalho?
Sim, é o mínimo.

A montagem do time para o primeiro semestre será feita por eles?
Sim, sob a minha supervizão.

O fato de o Zinho ter identificação maior com outros clubes do que com o Santos é criticado por alguns. Recentemente, o Santos teve um superintendente corintiano muito contestado. Isso é um problema para você?
Não, a gente vai procurar santistas, mas se não achar vai buscar um profissional correto no mercado, o que tiver de melhor. Santistas notáveis têm que estar na gestão, mas nos departamentos é o de menos. O que importa são os resultados, não importa para qual time o profissional torce.

Sobre as categorias de base: recentemente o Santos mudou seus métodos de trabalho e dispensou diversos atletas. Você concorda com isso?
Tenho ouvido muito sobre isso. Estive em duas apresentações do Hugo Machado, gerente da base, e fiquei encantado. Não podemos falar um "a", porque o Santos disputa todos os campeonatos, do sub-11 ao sub-20. O que a base do Santos precisa é de uma melhor estrutura. Estive na China e passei pela Europa e lá pude perceber que os campos são melhores, a estrutura lá fora e até aqui no Brasil é melhor que a nossa. Para evoluir, vamos manter contatos com empresas e com a Prefeitura. A ideia é construir um novo CT, tirar o alojamento da Vila Belmiro e bota eles em um alojamento melhor. Estamos com bons contatos. O olho da minha gestão será futebol e base. O Santos é isso, alegria, ousadia, futebol jovem, para frente. Uma coisa que quero implantar é isso: vamos atacar, jogar bonito, podemos tomar dois, mas faremos quatro, cinco. O torcedor está acostumado com isso. Nosso futebol é irreverente, para cima.

Sua ideia é melhorar o CT Meninos da Vila ou buscar um novo terreno?
Em Santos é difícil achar terreno, mas já vimos dois lugares possíveis. Já começamos até as conversas com os proprietários dessas áreas.

- Você está em campanha há cerca de dois meses e já encontrou empresas dispostas a investir no marketing do clube, achou dois terrenos para a base, parceiros... Por que o Santos não consegue? É muito mérito seu ou incompetência de quem está lá?
Nem um nem outro. O mundo atual é networking.

Falta isso ao atual Comitê?
Talvez. Não cabe a mim falar. Cada um tem um perfil, uma maneira de trabalhar, agir. Eu gosto de networking. Fui para a China conversar com pessoas, na volta parei na Europa para falar com outras. Está faltando um pouco mais de vontade, de objetividade... Sei lá, querer deixar um legado. Mas também quero deixar claro que não tenho nada contra os outros que estiveram ou estão no clube.

Até porque esses que estão lá são do seu grupo. Você costuma fazer distinção, diz que é situação em partes. Por que isso?
A gente se tornou situação porque mantivemos o apoio a atual gestão, a qual assumimos em 2009. Acreditamos que o barco estava afundando naquela época da venda do Neymar e a derrota para o Barcelona. O Luis Alvaro saiu, o Odílio teve assumir, mudou algumas coisas... Algumas pessoas foram ao Conselho e tentaram tumultuar. A gente decidiu dar sustentação ao Odílio pois estava sendo pedido o impeachment de todo o Comitê. Pensamos no clube naquela hora. E aí fomos tachados de situação, mas somos desde lá de trás. Outras três chapas eram de situação, mas decidiram pular do barco. Só considero oposição o pessoal do Marcelo Teixeira, o resto não.

Algumas pessoas que estão na sua chapa e são do seu grupo, o Eu Sou Santos, fizeram parte do Comitê. Mesmo assim, muitas das suas propostas não foram realizadas. A que atribui isso?
Quando essas pessoas foram convidadas ao Comitê liberamos elas de nossas fileiras. Eu fui convidado, mas não aceitei. Sabemos que esse é um presidente centralizador, tinha a filosofia de não fazer o espelho de cada área, e sabíamos que assim seria difícil alguém fazer alguma coisa. O vice e a maioria dos membros do Comitê não são filiados ao Eu Sou Santos. Eu costumo falar que a gestão tem o perfil do chefe, é o espelho de quem é o presidente.

Sobre estádio: pretende participar da licitação do Pacaembu?
Se for para ter uma segunda casa e não tiver que colocar dinheiro, o Pacaembu será bem-vindo.

E para a Vila Belmiro?
Sou a favor de melhorar, acabar com pontos cegos e trazer benefícios ao torcedor. Faremos um estudo para a ampliação. A gente escuta falar que é possível. Por que não fazer da Vila Belmiro uma Bombonera? Aliás, tem todo o perfil.

A Vila tem que ir para o lado do alçapão, como é a Bombonera, ou um estádio-boutique, como diz o Odílio?
Eu gosto daquela coisa de alçapão, mas isso precisa ser visto com a torcida na pesquisa. O que eles decidirem vamos fazer.