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21/02/2015
20:22

Desde a última quarta-feira, quando foi derrotado pelo Corinthians na Libertadores, Muricy Ramalho tentou ficar o mais calmo possível diante das críticas da torcida e da pressão interna da diretoria. Após a goleada por 4 a 0 sobre o Osasco Audax neste sábado, o técnico até brincou sobre a forma como tem se controlado neste momento turbulento, mas esqueceu os freios quando comentou os boatos de que cartolas do clube querem sua demissão.

- Eu estou no São Paulo há muito tempo, comecei com nove anos. É minha primeira casa, porque fico mais aqui. A torcida sabe do meu trabalho, sabe que eu recuperei o clube, por isso ela é grata. Têm pessoas que querem fazer eles pensarem diferente. Conheço tudo deste clube. Qualquer movimento que fazem eu sei. E eu sei quem são. É difícil fazer a cabeça da todcida, porque ela gosta de mim e do meu trabalho. As pessoas tentam e eu estou atento, estou ligado - avisou, antes de ser mais direto:

- A gente precisa ser todo mundo São Paulo aqui. Eu incomodo mesmo. O que me interessa é o São Paulo, em primeiro lugar. Quando não vejo isso dentro do clube, eu incomodo. Se me quiser fora, me manda embora. é simples.

Nos últimos dias, o vice-presidente de futebol do Tricolor, Ataíde Gil Guerreiro, assegurou estar "fechado com o Muricy" e viu o técnico agradecer a confiança, a amizade e a seriedade. Já o presidente Carlos Miguel Aidar não se pronunciou sobre o momento conturbado. Neste sábado, o mandatário foi para o Morumbi no mesmo ônibus da delegação, mas não falou com a imprensa.

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O cartola costuma dizer que quer Muricy até o fim de seu mandato, em 2017, mas nem Ataíde fala a respeito da posição do presidente sobre o treinador. Esse suspense tem gerado suspeitas de que Aidar não está satisfeito com o trabalho de Muricy. Uma das razões para isso seria o fato de o comandante ainda manter relação com o ex-presidente Juvenal Juvêncio, inimigo político do atual mandatário.

- Eu falo com quem eu quiser, isso não existe. Não agrado ninguém. Vou sair daqui (do Morumbi) agora e vou para o meio do mato, não vou jantar com ninguém. Ninguém me proíbe de nada. O negócio é trabalhar duro, sério, honesto... No Brasil está ruim para ser correto. Sofro com isso faz tempo, e agora mais. Seu Juvenal... Trabalhamos muitos anos, gosto dele e ninguém me proíbe de falar, é minha vida. Falo com quem eu quiser. Se tiver insatisfeito, eu vou embora, tudo bem. Comigo não, sou sério para caramba. E vou continuar correto. É difícil ser assim, no futebol é pior e estou sofrendo para caramba por causa disso - disparou.