icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Marcio Porto
19/02/2015
19:45

Ao escalar Michel Bastos na lateral esquerda no clássico contra o Corinthians, Muricy Ramalho não só surpreendeu a muitos, como incomodou alguns jogadores do São Paulo. O técnico só passou a escalação do histórico Majestoso ao grupo pouco antes do duelo, na preleção antes de ir para Itaquera na quarta-feira.

Há muito tempo, até desde o Santos, Muricy costuma definir o time pelo menos na véspera dos jogos, quando todos já sabem se iniciam ou não. Até por isso, alguns viram com surpresa a atitude do treinador.

Muricy testou pelo menos duas formações antes do jogo, mas não comunicou com antecedência qual usaria. Foram dois treinos com o grupo, ambos fechados, segunda-feira à tarde e terça-feira de manhã.

Na segunda, teve uma longa conversa com 14 jogadores, dentro os quais escolheria os 11 titulares. Já na terça, fez o tático em que testou a formação do Majestoso, com Michel na esquerda e Maicon no meio, mais outra com três zagueiros, como na vitória por 5 a 0 sobre o Bragantino, no último sábado, pelo Paulista.

Nos dois casos, Michel atuou na esquerda, portanto era previsto que jogaria por ali. Muricy só não contava que a escolha seria tão criticada, já que o atleta vinha bem de meia.

– Não importa posição, tenho que dar o melhor, estar 100%. Sei jogar lá (lateral), mas posso dar mais em outra posição (meia) – afirmou Michel, após a partida na Arena.

- O Corinthians foi muito superior em todos os sentidos. Queríamos um time mais ofensivo com o Michel na lateral, precisava trazer ele um pouco para trás. Tivemos muitos problemas por esse lado contra o Santos, por isso colocamos muita gente no meio-campo para dar liberdade a ele - justificou Muricy.

Muricy também admitiu o banho tático imposto pelo rival. Disse que seu time só contava com a técnica, em confissão que impressionou pela sinceridade e escancarou os problemas na montagem do time. Em seis jogos este ano, o técnico utilizou seis formações diferentes.

Após o clássico, o técnico não apontou o que fará para reverter o quadro de alerta, apenas bateu na tecla de melhorar muito. Ele segue garantido no cargo, na veracidade das palavras do presidente Carlos Miguel Aidar, que costuma bancá-lo até o fim de seu mandato.