icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Marcio Porto
25/02/2015
21:43

A troca nas empresas que comandam a venda dos ingressos do São Paulo segue dando dor de cabeça nos torcedores. Poucas horas antes do início do jogo desta quarta-feira contra o Danubio (URU), pela 2ª rodada da Copa Libertadores da América, os sócios do clube que compraram ingressos ou pacotes pela internet nos últimos seis dias enfrentaram problemas resultantes da falta de orientação dos responsáveis.

A princípio, bilheterias específicas para os sócios-torcedores nem seriam abertas na noite desta quarta-feira, mas as falhas na venda online fizeram a empresa responsável mudar os planos. Assim, filas de médio porte foram formadas nos guichês exclusivos com são-paulinos ainda confusos sobre que passos iriam seguir para conseguirem entrar no Morumbi.

O departamento de comunicação do Tricolor informa que a empresa já havia pedido aos torcedores que procurassem ilhas de informação montadas no estádio para que problemas pudessem ser resolvidos. A maioria da torcida, no entanto, desconhecia a existência dos estandes e procurou nas bilheterias uma forma de trocar os vouchers gerados pela internet.

Os preços promocionais impulsionaram a adesão de novos sócios, o que causou nova série de problemas. Manoel e Daniel, dois torcedores vindos de Brasília, por exemplo, não conseguiram trocar de plano a tempo de conseguir comprar os ingressos com desconto. Outro, de São Paulo, viveu situação oposta e, na última segunda-feira, conseguiu se associar ao clube e já comprar o bilhete.

Já os não-sócios resolveram protestar contra os valores impostos pela diretoria para a Libertadores. O ingresso mais barato para os jogos do torneio continental saem por R$ 120 (R$ 60 a meia-entrada). Nas cadeiras, o valor chega a R$ 300. Cantos como "Diretoria, mas que horror! Ingresso caro afasta o torcedor" e "Não é mole, não! O Morumbi virou estádio de patrão" foram entoados por um grupo, que ainda carregava faixas contra os dirigentes.

A movimentação nas bilheterias para não-sócios era mínima duas horas antes do jogo com o Danubio (as dos sócios tinham filas minutos antes do confronto). Em uma delas, com seis guichês abertos, apenas dois estavam ocupados. Um abulante, vendedor de bebidas, afirmou que nunca viu o Morumbi tão vazio em jogos de Libertadores. Ele acredita que os preços altos e a chuva na capital paulista desanimaram os são-paulinos e que não venderia nem metade da mercadoria levada ao estádio. 

Desesperados com a baixa procura por ingressos comuns, cambistas praticamente se atiravam nos sócios que se dirigiam aos guichês exclusivos. Um desses cambistas chegou a oferecer à reportagem ingressos mais baratos do que os R$ 120 e com a promessa de acompanhar os "clientes" até o portão correto. Outro possuía até uma máquina para pagamento em cartão, algo que nenhuma bilheteria do Morumbi disponibilizou para os torcedores.