icons.title signature.placeholder Jonas Moura
28/03/2014
07:06

O modelo de uma Associação de Clubes do Vôlei, aprovado na última quinta-feira por gestores de equipes masculinas e femininas, já existe em outros países, como a Itália, a Turquia e a Polônia. A ideia é que os times tenham participação direta na gestão do campeonato nacional. Isso significaria, por exemplo, interferir nos acordos de patrocínio que são firmados pela CBV envolvendo a marca 'Superliga'.

– Fiquei surpreso, pois pela primeira vez houve unanimidade. Mas não sei se continuará assim. Depois que tudo começa, muita gente não quer ir para o lado onde o trampolim arrebenta, com medo de retaliação. É natural na vida – disse Ricardo Navajas, supervisor do Funvic/Taubaté.

Todos os presentes se mostraram favoráveis à proposta. Apenas a UFJF não esteve representada no masculino. Entre as mulheres, Minas, São Bernardo, Vôlei Amil e Sesi compareceram. O LANCE!Net apurou que a iniciativa foi liderada pelo italiano Vittorio Medioli, presidente do Sada Cruzeiro, e por Ricardo Barros, representante do Moda/Maringá.

A ideia, ainda embrionária, será debatida em novos encontros, além de conversas por e-mail. Uma proposta de estatuto foi apresentada, mas o debate segue aberto.

– Foi um encontro informal. A CBV tem patrocinadores oficiais que se ligam à Superliga de alguma maneira, expondo suas marcas em placas de publicidade. Mas isso não quer dizer que haja necessariamente uma consulta aos clubes – disse Fernando Maroni, supervisor do Vôlei Brasil Kirin.

Antes do acordo, houve uma reunião dos clubes com a CBV em que estiveram presentes Renan dal Zotto, gestor da Superliga, e Neuri Barbieri, superintendente geral da entidade. Nela, foram apresentados dados referentes ao contrato de transmissão com a TV Globo, um dos pontos a serem debatidos.

– Todas as grandes ligas do mundo têm uma associação. Nós no Brasil estamos atrasados. O vôlei vive um momento bem difícil, e a CBV está querendo dar uma resposta. O Renan e o Neuri estão formando uma equipe engajada – disse Marcelo Fronckowiak, técnico do RJ Vôlei.

Membros temem exposição agora

Apesar de uma foto dos participantes da reunião ter sido divulgada à imprensa, alguns dos presentes preferiram não ter seus nomes divulgados na reportagem. O L!Net falou com dois dirigentes que estiveram no encontro em São Paulo e que pediram anonimato.

Um deles afirmou que não estava autorizado a dar qualquer pronunciamento em nome de sua equipe, pois o que estava acordado era que a única divulgação para a imprensa seria realizada por meio da nota oficial distribuída por e-mail.

O argumento do outro, supervisor de um time que chegou aos playoffs da Superliga Masculina, foi de que a exposição poderia vir a atrapalhar o andamento da criação da associação das equipes.

Bate-Bola

Ricardo Navajas

Supervisor do Funvic/Taubaté

‘O objetivo não é bater de frente com a CBV’

A proposta da associação tem a ver com a crise vivida pela CBV?

Não queremos bater de frente com a CBV, mas sim reivindicar direitos, como o de imagem e de negociação, a chance dos clubes de participarem das decisões, de analisar o balanço financeiro. Não temos noção de como as coisas são negociadas. Os problemas que a CBV está enfrentando não cabem a nós.

Quais são os principais pontos a serem colocados em pauta pela associação quando ela começar?

A questão dos valores, principalmente. Temos de nos perguntar, por exemplo, por que a Superliga é vendida da forma como é hoje em relação a patrocínio. Os clubes também são culpados, pois nunca procuraram saber. As regras eram impostas e sempre cumprimos. Qual o valor da Superliga? Por que não pode ser outro? Será que não podemos negociar outra proposta?

Já existe uma liderança interna na associação dos clubes?

Ainda não há nada definido. Iremos discutir essas questões futuramente. Teremos um CNPJ, e um estatuto será redigido.

Como está sendo o diálogo com a CBV? Percebe alguma abertura?

Por enquanto não dá para saber. Vai depender da forma como a CBV vai interpretar quando tudo for colocado em prática. Os interesses dos clubes serão apresentados. Como ela irá reagir, é outra história.

O modelo de associação já existe em outros países e é bem-sucedido. Acha que aqui será também?

Fiquei surpreso, pois pela primeira vez houve unanimidade. Mas não sei se continuará assim. Depois que tudo começa, muita gente não quer ir para o lado onde o trampolim arrebenta, com medo de retaliação. É natural na vida.