icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro
19/12/2013
09:04

Não é apenas a investigação sobre as causas do acidente que vitimou dois operários no dia 27 de novembro que movimenta a rotina dos envolvidos na obra da Arena Corinthians. Em duas frentes, o Ministério Público de São Paulo apura possíveis irregularidades na construção do estádio de abertura da Copa do Mundo de 2014.

A primeira denúncia é datada de maio de 2012 e questiona a Prefeitura de São Paulo sobre incentivos ilegais ao estádio. De acordo com o promotor Marcelo Milani, do Patrimônio Público e Social de São Paulo, trata-se de uma "transferência de dinheiro público para empresas privadas". Ainda no ano passado, a juíza Laís Helena Amaral rejeitou um pedido de liminar do promotor, que queria a paralisação das obras em regime de urgência. A Ação Civil Pública, no entanto, teve sequência e está atualmente na fase em que os réus precisam apresentar defesas e contestações.

- Encaminhei uma Ação Civil Pública em maio de 2012, ela foi recebida e agora está em fase de defesa dos réus. Alguns apresentaram suas respostas e em breve deve-se iniciar a fase de contestação. Uma vez contestados, há a alegação final e, enfim, o julgamento. Esse é o trâmite jurídico do meu questionamento - afirmou Milani.

Em nota, a Odebrecht confirma a notificação e afirma que "já está preparando sua defesa e acredita firmemente que, no decorrer do processo, ficará comprovada e reconhecida a improcedência da ação".

Na última semana, o Ministério Público começou a investigar em uma nova frente, desta vez na Promotoria de Infância e Juventude. O jornal inglês "Mirror" denunciou um esquema de prostituição infantil nos arredores do estádio, envolvendo até mesmo funcionários das obras na exploração sexual de meninas de até 14 anos. Responsável pelo caso, a promotora Fabíola Moran Fallopa iniciou as investigações na última quinta-feira, pedindo a posição das Polícias Civil e Militar, do Conselho Tutelar e até da Odebrecht. Representantes da construtora devem se reunir nesta quinta com a promotora, que pretende ter evidências em mãos após enviar policiais à paisana para Itaquera.

- Já tínhamos recebido informações vagas anteriormente a respeito dessa prática, e todas as vezes eu pedia para averiguar. Localizavam prostituição, mas não de adolescentes, de mulheres adultas. Após essa denúncia, pedi para localizarem essas crianças e adolescentes em situação de risco nos arredores do estádio. Vou pedir para averiguarem logo, para verificarem o motel, fotografias... Espero ter mais elementos para iniciar a apuração e, dependendo das informações, oferecer denúncia - afirma a promotora.

VISTORIA

Nesta quinta-feira, o canteiro de obras da Arena Corinthians receberá nova vistoria do Ministério do Trabalho e Emprego, preocupado com o excesso de trabalho alegado por operários como o operador de guindaste José Walter Joaquim, que chegou a dizer que havia ficado 18 dias sem folga antes do acidente. O ministro Manoel Dias visitará o estádio às 15h, acompanhado de Luiz Antônio Medeiros, superintendente regional do órgão.