icons.title signature.placeholder Luiz Fernando Gomes
22/06/2014
17:39

No começo eram pouco mais de 50 pessoas. Mas a fila foi crescendo em frente ao portão principal do Estádio Nacional Mané Garrincha. Cem, 200, 400, milhares de pessoas. Eram famílias inteiras sob o sol forte da tarde de Brasília, na esperança de ver o treino de reconhecimento do gramado da seleção brasileira.

A cada meia hora, os PMs de duas viaturas estacionadas junto aos portões avisava pelo megafone. "O treino do Breasil não será aberto ao público. Não é preciso formar filas". Era vaiado fortemente. E a fila continuava a aumentar, ocupando boa parte dos jardins em frente ao estádio.

- Isso é uma maldade. Quem está aqui não tem dinheiro para comprar um ingresso para ver o jogo. A gente só queria tirar uma lasquinha dessa Copa que também é nossa ou não é, afinal - dizia o funcionário público Marcos Almeida, com a mulher e o filho, Romário, de 11 anos. Todos vestindo a camisa do Brasil.

A enorme fila de torcedores no acesso ao Estádio Nacional Mané Garrincha (Foto: Luiz Fernando Gomes).

Do outro lado, o ambulante Zé Pinto faturava. Nada de Budweiser, Brahma ou Coca-Cola, produtos licenciados pela Fifa. O que ele vendia mesmo era tudo Skin.

- A água já acabou, até a noite acabo com esse estoque todo - afirmou.

Perguntado se não temia a ação dos fiscais da Fifa e do Governo do DF ele ironizou.

- Isso é pra gringo ver. Na hora do vamo vê não vem ninguém mexer com a gente.

Quatro viaturas policiais seguiam de prontidão, enquanto a multidão gritava "libera, libera" e entoava o canto de "Neymar, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver". Como dizem que brasileiro gosta de fila, mesmo de fora do estádio, essa turma parece estar se divertindo muito. Até mesmo uma roda de samba foi improvisada com a bateria de um bloco.