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11/03/2014
13:23

Cinco vezes campeão da Liga dos Campeões, o Milan entrará em campo nesta terça-feira, no Vicente Calderón, em Madri, como azarão contra o Atlético de Madrid. Na partida de ida entre as duas equipes, pelas oitavas de final, da competição continental, os espanhóis venceram por 1 a 0 e são apontados como favoritos à classificação.

Ao Milan, restou apenas o peso da história como tábua de salvação. Uma decadência que já dura seis temporadas, iniciada justamente logo após a última conquista rossonera na Liga dos Campeões. Título conquistado na temporada 2006/07. De lá para cá, muita coisa mudou.

Antes uma potência do futebol europeu, o Milan sofreu com a perda de craques, contratações equivocadas, com a decadência do futebol italiano como um todo e a diminuição de investimentos no país. Soma-se a isso as crises envolvendo o proprietário Silvio Berlusoni. Homem mais rico da Itália, o ex-primeiro-ministro se envolveu em um escândalo sexual e, no fim do ano passado, foi condenado a sete anos de prisão por fraude fiscal. Acabou perdendo o cargo de senador, sendo expulso pelo senado italiano.

No campo das negociações, o Milan sofreu com algumas apostas erradas. Duas temporadas após o título, o clube se reforçou com nomes como Thiago Silva; Beckham, Ronaldinho Gaúcho e Shevchenko. Isso sem falar na aposta no então "craque revelação" do Internacional, Alexandre Pato. Todas essas contratações custaram 57 milhões de euros aos cofres rossoneros.

Para equilibrar as finanças, o clube se viu obrigado a se desfazer de seu principal ídolo naquele momento: Kaká. O brasileiro foi para o Real Madrid em troca de 65 milhões de euros, em 2009. Na mesma leva, Gourcuff foi para o Bordeaux por 13,5 milhões. Schevchenko, por sua vez, terminou o seu empréstimo e voltou à Inglaterra.

Kaká, o ídolo que foi repatriado a custo zero para ajudar no processo de reação do Milan.


Os gastos continuaram, porém em apostas duvidosas. Em 2010, Robinho foi contratado junto ao Manchester City por 18 milhões de euros e o empréstimo de Ibrahimovic custou outros 6 milhões de euros. Ao mesmo tempo, contratações recentes davam prejuízo. Ronaldinho Gaúcho ia para o Flamengo em troca de 3 milhões de euros. Havia custado 25 milhões de euros. Huntelaar foi para o Schalke, por 14 milhões de euros, após uma temporada abaixo do esperado. O holandês havia chegado do Real Madrid por 15 millhões de euros. 

Na temporada seguinte, para manter o sueco Ibra, o Milan pagou mais 24 milhões de euros. Outros gastos foram feitos com El Shaarawy, que saiu por 15,5 milhões, e Boateng, mais 7,5 milhões de euro. Valores pagos ao Genoa.

A balança comercial do Milan continuava desequilibrada. O meia Pirlo, um símbolo do clube campeão de 2007, foi a custo zero para a Juventus. Borriello foi a venda mais alta: 10 milhões de euros para a Roma.

O último suspiro milanista foi com a contratação de Balotelli, junto ao Manchester City, por 20 milhões de euros no ano passado. Capital conseguido, no entanto, com a venda do zagueiro Thiago Silva ao PSG por 42 milhões de euros. Só que junto com Balotelli vieram Constant, do Genoa, que custou 8 milhões de euros e De Jong, outro proveniente do City, por 3,5 milhões.

O período, porém, foi marcado pela saída de Alexandre Pato para o Corinthians, por 15 milhões de euros. Os últimos remanescentes da conquista de 2007 também iam embora: Seedorf (para o Botafogo), Nesta (para o Montreal Impact), Gattuso (para o Sion) e Pippo Inzagui (fim de carreira).

Sem dinheiro em caixa, a realidade atual é a de contratações mais baixas. O ídolo Kaká voltou a custo zero. Também de graça o Milan trouxe o meia japonês Honda, ex-CSKA Moscou. A contratação mais cara foi a de Matri, que custou 11 milhões de euros. Curiosamente o jogador já deixou o rossonero, para a Fiorentina, por empréstimo.

A reação do Milan, porém, pode vir das mãos justamente de Clarence Seedorf. O holandês foi chamado para substituir Massimo Allegri como treinador. O seu objetivo é, com investimentos mais baixos, tentar fazer renascer a força de um gigante europeu.