icons.title signature.placeholder Guilherme Borini
11/07/2014
18:47

O vexame da Seleção Brasileira frente à Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo, tem gerado diversos debates entre os envolvidos com o futebol, em busca dos motivos para explicar a goleada por 7 a 1. Rodrigo Caetano, diretor executivo do Vasco, que trabalha com superintendência de clubes há 11 anos, apontou a formação dos atletas como a principal causa para a queda de rendimento de jogadores e equipes do Brasil, que foi refletida no Mundial.

- A maioria dos atletas tem a sua formação interrompida. Antes de eles darem o retorno técnico, já estão dando retorno financeiro, muitas vezes nem o ideal. Hoje nossos jogadores não são mais protagonistas. Houve uma interrupção da formação plena. O jogador sai daqui sem estar formado e enfrenta dificuldades lá fora. Muito mais jovem, o garoto, ao invés de ter o foco em treinar, em ser atleta, em cumprir suas obrigações, já tem outros objetivos, entre os quais financeiros. É legitimo, mas acho que tudo isso tem sua etapa, seu momento, até para ele ter uma longevidade na questão financeira – declarou Rodrigo Caetano, que acompanha o elenco do Vasco em um período de treinamentos em Atibaia, no interior de São Paulo.

Para blindar os clubes, o dirigente cobra uma mudança na legislação do futebol e ressaltou a criação do Bom Senso FC.

- Precisamos melhorar nossa filosofia e metodologia. Nós temos um problema grave que é a fragilidade dos clubes em relação à legislação, na questão da formação. Se tivermos os clubes protegidos na legislação, os atletas terão começo, meio e fim de preparação. Muito antes de o jogador estar totalmente formado, ele já é negociado, e aí fica no meio do caminho.

- Quando criam uma lei relacionada ao futebol, quem são as pessoas envolvidas? Você ouve falar de um técnico foi procurado para ouvir a opinião? Ou um executivo para ouvir as suas sugestões? Os próprios atletas montaram um movimento para isso. E ninguém está querendo mais ou menos espaço. Nós, profissionais do futebol, dependemos disso. Muitas vezes as pessoas que acabam legislando, não estão ligadas ao futebol.

Rodrigo Caetano defende, também, a ideia da criação de mais cargos técnicos dentro dos clubes e entidades, que se afastem de cargos políticos.

- Nós temos muitas vezes uma ênfase muito grande na questão politica predominando. Está na hora de termos cargos técnicos sendo preenchidos nesse organograma. E aí o técnico vai realizar o seu trabalho, o executivo o seu, o fisiologista o dele e assim por diante. Temos que deixar um pouco de lado a questão política. O dia que isso acontecer, tenho certeza que vamos recuperar aquilo que somos bons, que é a formação.

Na linha da criação destes cargos, Caetano acredita em uma maior divisão de responsabilidades, evitando, por exemplo, o que vem acontecendo com o técnico Luiz Felipe Scolari, apontado como o maior culpado da derrota.

- Essa superexposição do técnico é prejudicial. Como pode um técnico campeão do mundo ser execrado por causa de uma derrota? A responsabilidade é dele apenas? De forma nenhuma. Se tivéssemos as decisões compartilhadas e os devidos cargos preenchidos, a responsabilidade também seria mais dividida - completou.

O EXEMPLO ALEMÃO

Para Rodrigo Caetano, o principal exemplo para a evolução do futebol brasileiro é a própria liga alemã, hoje uma das mais importantes do mundo. O Bayern de Munique, por exemplo, tem feito grandes campanhas na Liga dos Campeões e é a base da seleção.

- Claro que a Alemanha é um exemplo, mas não porque ganhou de sete da gente. O menor dos males foi ter perdido da Alemanha. Copiar não é feio. Eu vejo a Alemanha mais como exemplo, porque quase todos os jogadores dos clubes de lá são alemães. Eles têm um processo de formação muito qualificado. Os jogadores ficam no Bayern, no Borussia, no Schalke. A liga é muito forte. É uma escola a ser seguida, não dentro de campo. Temos que estudar um pouco a Bundesliga, a formação dos atletas de lá - concluiu.