icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
05/03/2014
07:00

A desenvoltura e rápida adaptação que Gabriel mostrou como meia, posição na qual ele jogou na última partida do Santos, contra o Bragantino, não foram por acaso. Além de habilidoso, o jovem de 17 anos de idade não é um novato na função. Ainda no começo da carreira, o jogador atuava mais recuado, mas acabou não vingando por ali. Não que lhe faltasse técnica ou visão de jogo. Mas o faro de gol do garoto era tão grande que os técnicos dele perceberam que seria um desperdício deixá-lo longe da meta adversária.

Agora, com o Peixe ainda buscando uma nova formação desde a saída de Montillo, o Menino da Vila surge como opção para o meio e diz não se importar em atuar por ali. No entanto, ele avisa: mesmo que não jogue no ataque, sua meta continuará sendo balançar as redes.

– Independentemente de onde jogue, vou buscar o gol. É claro que meia tem outras obrigações, como armar e ajudar na marcação, mas também faz gols – disse, ao LANCE!Net.

O jovem não tem as características de armador, mas cumpre um papel que nos últimos tempos passou a ser denominado "falso 9". Mais centralizado, tem liberdade para encostar nos atacantes, mas também sai da área para ajudar na criação. Ele jogou assim até os 15 anos. Porém, sedento por gols, o garoto pecava por ser um pouco fominha e afobado, e levava broncas por isso.

– A característica do craque é chamar a responsabilidade, mas eu queria que o Gabriel fosse mais coletivo. Pedia para ele virar o jogo, cadenciar mais. Com o tempo, percebi que ele era mais decisivo no ataque, pois tem um poder de finalização incrível – lembra Emerson Ballio, auxiliar do Sub-20 do Peixe e técnico de Gabriel nas categorias de base.

Seja de meia ou atacante, Gabriel quer jogar. Por isso, ciente da forte concorrência, manda o recado:

– Não tenho preferência de posição. O Oswaldo é um grande treinador e sabe o que faz!

VEJA UM BATE-BOLA EXCLUSIVO COM GABRIEL

Como avalia sua atuação como meia contra o Bragantino?
Acho que pude ajudar o time. Na base eu joguei um tempo assim, como meia, e não tive dificuldade. Independentemente de onde me escale, vou querer ajudar.

Como você prefere atuar: mais recuado ou como atacante?
Não tenho preferência, não. Já joguei de vários jeitos desde a base, então não tem muita diferença.

Como era na base?
Eu joguei assim no sub-15 e 17, se não me engano. Comecei de meia-atacante, era o camisa 10 do time.

E quanto à camisa, há alguma preferência? A 10 do Pelé, a 11 do Neymar ou a 7 do Robinho?
Na base eu usava a 10 e depois usei a 11. Sempre gostei da 11. Porém, meu primeiro jogo oficial pelo Santos foi com a 7, e deu sorte.

Seus ídolos de infância costumavam ser meias ou atacantes?
Eram sempre jogadores do meio para a frente, como Kaká, Diego, Neymar, Cristiano Ronaldo...

O que o Oswaldo te falou?
Sobre isso, nada. Mas estou tranquilo, confio nele e posso ajudar em qualquer posição que ele precisar.

COM A PALAVRA
EMERSON BALLIO, AUXILIAR DO SUB-20 DO PEIXE E EX-TÉCNICO DE GABRIEL

"Desde o sub-13, o Gabriel já jogava mais recuado, vindo do meio e já chegando com a bola dominada ao ataque. Em 2011, comecei a trabalhar com ele. Era um meia, mas com uma característica bem mais incisiva, não era um organizador de jogo.

Minha orientação sempre foi para ele chegar para definir, pois era fatal nas conclusões. Pedia para ele tabelar e invadir a área.

Eu dava broncas, pegava no pé dele. O Gabriel até me encontrou outro dia e disse que sonhou que eu estava dando puxão de orelha nele. 'Então era realidade', falei.

Depois, no Juvenil, decidi passar ele para o ataque. Ele começou a se destacar mais solto, pelas beiradas. O Gabriel sempre teve muita facilidade e pode jogar em várias posições. Penso que, se o Oswaldo deixar ele como ponta de lança, não como um armador, ele pode ter sucesso. A dificuldade maior dele é em armar, cadenciar, ditar o ritmo... Pois é um jogador que está sempre buscando o gol.

Ele ainda é jovem, pode se adaptar, mas penso que quanto mais perto do gol, melhor. Pois é lá que ele é mais decisivo e perigoso. Recuado, às vezes ele acaba não tendo tanta liberdade para chegar na área e finalizar, que sempre foi o ponto forte dele."