icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena e Thiago Ferri
27/02/2015
07:01

Durante a primeira gestão de Paulo Nobre, o departamento de marketing do Palmeiras ficou na mão de dois profissionais com conhecimento na área: Marcelo Giannubilo, diretor da pasta, e José Carlos Brunoro, diretor-executivo. Atrapalhados pelo momento ruim do time, que disputou a Série B em 2013 e brigou para não cair em 2014, ambos saíram ouvindo reclamações.

Em 2015, o Verdão funciona sem um diretor para a área: são três gerentes e um coordenador, os quais já trabalhavam no clube antes da saída dos dois, que recebiam juntos em torno de R$ 150 mil/mês. Antes criticado, o setor começa a engrenar.

- Os resultados do trabalho de base que fizemos, o Palmeiras está colhendo agora. Os times precisam ter casa própria e ídolos. A arena foi inaugurada agora e já está dando frutos, e o elenco do Palmeiras não tinha esses ídolos. Eu sempre tentei resgatar o valor do Valdivia, usamos muito o Marcos...  Foi muito difícil trabalhar com isso. Meu trabalho foi resgatar a imagem do Palmeiras. Como o Zé Roberto fala, esse clube é gigante. Depende muito do futebol. O Grêmio era o segundo em sócios-torcedores, mas agora está mal e é criticado. Quando peguei o Palmeiras, eram 8 mil. Terminamos o ano com 45 mil - disse Giannubilo, que saiu um pouco antes de Brunoro.

Com a abertura do Allianz Parque e a formação de um novo elenco, o Avanti cresceu de forma vertiginosa e o clube conseguiu fechar com patrocinadores, ao contrário dos dois anos anteriores. A torcida se reanimou, e começa a ver no elenco jogadores com potencial para ídolo: Dudu, Zé Roberto e Cristaldo.

Os três, juntos, equivalem a cerca de 50% das camisas vendidas nas lojas oficiais do clube, a Academia Store. Completam esta lista os gringos (Tobio, Allione e Valdivia), Fernando Prass, e alguns reforços, como Alan Patrick. Arouca e Cleiton Xavier, dos últimos contratados, ainda têm potencial para crescimento.

- Eu fico feliz pelo carinho da torcida comigo, desde minha chegada. Mas para ser ídolo do clube tem de ganhar títulos, fazer coisas boas pelo clube. Sou novo ainda, tenho 23 anos, muito tempo de contrato e espero que vire  um ídolo, uma referência, mas por aquilo que faço em campo, não por falar de chapéu, estas coisas. Quero mostrar futebol para virar ídolo - disse Dudu, na quinta.

O top-3 é bem diferente daquele de 2014 (leia mais abaixo), e retomou uma confiança que ficou quase esquecida no último ano. No segundo semestre, o palmeirense preferia colocar seu próprio nome ou comprar uma camisa sem personalização, do que homenagear algum atleta.

Agora, a expectativa é de que as vendas sejam até maiores do que as do último primeiro semestre, quando o torcedor também se mostrava esperançoso após o Paulista.

Nos últimos anos, o Palmeiras pouco explorou o marketing com seu elenco, pois não conseguiu formar ídolos, seja graças aos resultados ruins, ou por saídas precoces, como o conturbado adeus de Alan Kardec. No primeiro ano da gestão Nobre, Vilson e Leandro eram vistos por Brunoro e Giannubilo com esse potencial, mas o primeiro saiu ao fim daquela temporada, e o segundo não repetiu o bom futebol de quando chegou, em 2013.

Na temporada passada, Lúcio tinha a favor seu histórico vitorioso, mas o pentacampeão foi um esboço daquilo que o fez chegar a grandes clubes europeus e à Seleção.

Nessa quinta, Dudu e Cristaldo participaram de campanhas publicitárias e foram tietados. O clima é bem diferente em 2015. Resta aos atletas mostrarem que podem ser mais do um projeto para ídolo, com títulos.


Cristaldo tira selfie com torcedores do Verdão, em evento na noite de quinta-feira (Foto: Jonathan Cristaldo/Divulgação)

OS MAIS VENDIDOS EM 2015:

Dudu
Contratado após um chapéu do Palmeiras nos rivais São Paulo e Corinthians, assumiu a camisa 7, que já foi de Edmundo, e tornou-se um xodó da torcida de forma quase imediata.

Zé Roberto
O lateral de 40 anos ganhou os palmeirenses com sua preleção para a estreia no Paulista em que disse: “Palmeiras é grande”. Já foi chamado de “animal”, como o ídolo Edmundo.

Cristaldo
Depois de um 2014 apagado, o argentino ganhou espaço e é o artilheiro do Palmeiras na temporada. Bem humorado, tornou-se uma das figuras mais carismáticas do atual elenco.


Valdivia tinha uma das camisas mais vendidas em 2014. Ele agora não está entre os três mais (Foto: Arquivo LANCE!)

OS MAIS VENDIDOS EM 2014:

Valdivia
Vive uma relação de amor e ódio com a torcida do Verdão. Fez muito sucesso durante a Copa do Mundo, quando sua camisa era, disparada, a mais vendida do elenco.

Lúcio
Com histórico vitorioso na Seleção e Europa, agradou a torcida e foi personagem de campanhas publicitárias. Caiu de ritmo no Brasileiro, e saiu sem deixar saudades.

Fernando Prass
O capitão ainda é um jogador querido pela torcida, mas já não é um dos líderes de venda, como em 2014. Sem o goleiro, time viveu um calvário na meta com Bruno, Fábio e Deola.