icons.title signature.placeholder Maurício Oliveira
06/06/2014
09:07

Poucos jogadores que trabalharam ou trabalham com Luiz Felipe Scolari conhecem tão bem o técnico quanto Marcos Roberto Silveira Reis, o São Marcos. Ex-goleiro, ele virou dono da posição dos times comandados por Felipão e homem de confiança do treinador graças ao período em que trabalharam juntos, entre 1997 e 2000, no Palmeiras, e 2001 e 2002, na Seleção Brasileira. Conquistaram a Libertadores de 1999 e a Copa do Mundo de 2002, os mais importantes títulos de suas carreiras.

Foi com esse respaldo que Marcos analisou a bronca de Felipão nos jogadores, na Granja Comary, em Teresópolis, no último treino antes do amistoso contra o Panamá. O técnico encerrou o treino aos berros, depois de o time reserva da Seleção fazer dois gols em dez minutos e diminuir o placar para 3 a 2. Depois, em entrevista, Felipão afirmou que estava “tudo errado” e que não era ele quem tinha de dizer para os jogadores que faltavam poucos dias para o início da Copa do Mundo.

– É que os treinos da Seleção são transmitidos por todas as TVs, é diferente de um treino de clube, por exemplo. É um Big Brother Brasil, você olha e está em todo lugar. E ele tem que cumprir a função dele de técnico que é cobrar jogador, para mostrar para a imprensa que ele cobra – afirmou, em entrevista ao L!Net, antes da goleada brasileira sobre o Panamá.

Estaria Felipão fazendo uma espécie de teatrinho para a imprensa? Marcos riu, disse que não e tentou explicar:

– É que é assim: os melhores treinadores são aqueles que arrumam o time dentro de campo. Tem uns que são na pracheta, na lousa, mas o melhor lugar de fazer uma cobrança é dentro do campo, então ele faz muito isso. E ele está pouco se lixando para quem está escutando.

Marcos admite, porém, que Felipão, explosivo como ele é, às vezes até faz o time ser expulso da sede do próprio clube, como aconteceu certa vez no Palmeiras.

– Teve a história dos treinos no Palestra Itália, na sede do clube. A gente estava treinando lá porque ele queria que a gente se familiarizasse com o campo, com o clube, os sócios... Mas cada treino era cada palavrão mais cabeludo do que o outro. Até que chegou a reclamação dos sócios, porque as senhoras, as crianças estavam ouvindo tudo, dava para ouvir da piscina... Aí voltamos pra Academia de novo rapidinho.