icons.title signature.placeholder Marcelo Braga
23/11/2013
08:02

Marcos Assunção realizou um sonho ao voltar ao Santos há dez meses, pouco tempo depois de ser rebaixado no Brasileirão pelo Palmeiras. Animado com a chance de novamente vestir a camisa do Peixe, como fez entre 1996 e 1999, projetou um ano de conquistas para alongar a sua carreira:

– Espero falar sobre a minha renovação de contrato no final do ano – disse na ocasião, aos repórteres.

A três jogos do término do seu vínculo com o clube, o volante admite que 2013 não foi – nem de longe – como ele imaginou. Fora da equipe diversas vezes por lesões, somou só 11 jogos, sem nenhum gol marcado. No domingo, contra o Fluminense, em Presidente Prudente, deve ficar no banco de reservas.

Cabisbaixo, pensou diariamente em pendurar as chuteiras nos últimos meses. Mas agora, não. Após deixar de lado as dores que sentia no joelho direito, quer encarar mais um ano. Afinal, não quer ser lembrado como um veterano que perdeu a batalha para o corpo. Ele quer mais.

– Desse jeito eu não quero parar. Gostaria de encerrar jogando, independente de onde for – declarou ontem, ao LANCE!Net, admitindo que a diretoria do Peixe não o procurou.

Confira a entrevista completa:

São três jogos para o fim do seu contrato. Serão para você se despedir do Santos ou há conversas com a diretoria pela renovação?
Não tem nada. Mas por todo clube por que passei cumpri o meu contrato até o fim, independente de renovação ou não. São três jogos e duas semanas de treinamento que vou levar com muita seriedade, como fiz desde o meu primeiro dia aqui. Esse ano foi muito difícil para mim, mas me dediquei muito. Não será agora, nesse final de contrato, que será diferente.

Mas o que projeta para esses jogos? Ser titular? Fazer um gol?
Quero um final bom, ser convocado para todos os jogos, treinar sem dor e estar disponível para o treinador. Sobre jogar ou não, dependerá do Claudinei (Oliveira), mas respeito os caras que vão entrar para jogar.

Ainda pensa em se aposentar?
Desse jeito, não. Eu não acho bacana parar nessa situação. Não queria terminar assim, com um ano como 2013. Fiz muitos planos quando fui contratado, mas infelizmente eles não aconteceram pelo problema que tive no joelho direito. Gostaria de parar jogando, fazendo gols, ajudando na conquista de títulos, independente de onde eu estiver jogando. Não quero que uma lesão me faça parar, não foi isso que pensei para o meu final de carreira, que uma lesão tiraria o meu sonho de jogar. Vamos pensar, tenho essas duas semanas e depois as férias. Vou ver o que vou fazer.

Mas você tem alguma esperança de seguir no Santos em 2014?
Não digo que tenho esperança ou que não tenho. A minha felicidade de ter voltado a jogar é enorme, então vamos deixar as coisas acontecerem, se vão querer me dar mais um ano ou não. O que decidirem, vou achar normal, principalmente depois de tantas lesões. Seria normal se não me quisessem. Sou santista desde pequeno, tenho um carinho enorme pelo clube, pelos jogadores, pela comissão técnica e pela diretoria.

Por ter jogado pouco, a diretoria ou a torcida pegaram no seu pé?
A diretoria sempre me tratou bem, tanto o Luis Álvaro (presidente afastado) quanto o Odílio (Rodrigues, presidente em exercício). Ninguém nunca me olhou torto nesse período, achando que eu não fazia nada. Sempre tive o apoio deles e do torcedor. Não é que não queria jogar, é que tive um problema grave no joelho, mas tive o respaldo de todas as partes. O mais importante para mim nesse ano de sofrimento foi o carinho deles. Vou levar para o resto da vida.

Durval e Léo não terão os contratos renovados e ficaram chateados com o tratamento do clube. Como vê a situação dos companheiros?
Falo apenas sobre o Marcos Assunção, até porque são situações diferentes. Eles ganharam praticamente tudo enquanto jogaram no Santos: Paulista, Brasileiro, Libertadores...Eles têm os motivos deles e cada um tem a sua história no clube, não posso comentar. Só tenho a agradecê-los por me ajudarem no clube.

O sentimento para você ao olhar o que foi 2013 é de total frustração?
É de tristeza, e não de frustração. Pois eu não joguei por lesão. Frustrado estaria se estivesse bem e não tivesse jogado. Fiquei triste por não poder fazer o que gosto: jogar e treinar. E chateado, pois tinha programado muita coisa e deu tudo errado. 2013 é uma página que não quero voltar nunca mais. Nunca tinha tido tantos problemas. Quero esquecer.

Ronaldo e Marcos, quando pararam, disseram que as dores eram insuportáveis. Convive com elas?
Depois do tratamento (inserção de PRP - Plasma Rico em Plaquetas - em outubro), isso melhorou muito. Ainda está doendo um pouco. Quer dizer, tenho apenas um incômodo. Mas dá para fazer tudo o que os outros fazem nos treinos, coisas que antes eu não podia porque me doía. Hoje incomoda, mas com fortalecimento melhora, por isso faço todo dia antes dos treinos. E isso, segundo os médicos, vai desaparecer. Por isso digo que ainda penso em jogar mais uma temporada. Se continuasse com aquelas dores, pararia.

Neste ano, você conviveu diretamente com os garotos. Acha que ajudou no crescimento profissional deles?
Acho que sim. Faço amizade muito fácil e essa molecada que subiu tem cabeça boa. De vez em quando, ao publicarem matérias dizendo que eu ia parar, muitos diziam que eu não devia parar, que era importante estar ali para a carreira deles. Giva, Gustavo (Henrique) , Neilton, Gabigol, Alison, Emerson (Palmieri) e o Caveirinha (Geuvânio), que tem um nome feio para caramba (risos), ouvem os meus conselhos. Às vezes me torno até chato. Digo as coisas boas de ser jogador, mas que tudo passa rápido. Comecei aos 17 anos e agora estou com 37. O jogador tem de ganhar o máximo de dinheiro possível para não sofrer quando parar, para dar uma boa vida para a mãe, o pai e todos que o ajudaram quando ele estava começando. Moro no mesmo lugar em que nasci e ajudo alguns amigos, sei que eles não ganham o suficiente. Se eles ganham R$ 10 mil, por que vão gastar tudo de uma vez? Peço para eles guardarem.

E em relação ao treinador? Acha que o clube acerta em buscar um nome de mais currículo?
Prefiro não opinar sobre isso também, mas opino sobre o Claudinei. Foi um cara que sempre me respeitou muito, que eu também respeitei e que fez um bom trabalho. Isso de ficar ou não, se foi certo ou não, cabe à diretoria, que precisa escolher o bem do clube.

E como será voltar a Presidente Prudente, a cidade que te reprojetou para o futebol brasileiro em 2010, agora pelo Santos?
É uma cidade boa e quente (risos). Foram três meses muito bons lá pelo Grêmio Barueri, que mudou de sede para Presidente Prudente após um problema com o prefeito. Eu já tinha ido até lá quando era garoto, para disputar os Jogos Abertos do Interior por Caieiras. Mas a experiência foi importante, pois fomos bem acolhidos por lá e chegamos a uma semifinal de Paulistão, quando perdemos para o Santo André.