icons.title signature.placeholder Eduardo Moura
14/03/2014
14:12

A noite de quinta-feira marcou o julgamento do Esportivo pelo caso das ofensas racistas contra o árbitro Márcio Chagas. A pena do TJD-RS foi de cinco mandos de campo e multa de R$ 30 mil. Algo lamentado pelo juiz, alvo dos insultos dos torcedores e da violência contra o seu carro. Em entrevista ao LANCE!Net nesta sexta-feira, ele se disse "violentado" pela decisão dos auditores do tribunal e espera que a repercussão negativa da pena conte na hora do recurso colocado pela Procuradoria seja julgado.

- Senti a mesma coisa da semana passada. Violentado e decepcionado. Arrasado. Só eu sei o que eu passei - avaliou Chagas.

Foram quatro votos proferidos. Dois que pediam a exclusão do Esportivo do Gauchão, com perda de pontos. Mas o auditor-presidente Marcelo Castro e o auditor Paulo Nagelstein decidiram o julgamento em favor da pena imposta, já que Castro tem "peso dois" no voto. O procurador Alberto Franco irá entrar com recurso. Não ficou satisfeito com a pena, até pela divisão dos auditores. O mesmo aconteceu com Márcio Chagas.

- Eu tenho o mesmo sentimento que todo mundo, foi uma punição muito branda por todo o ocorrido. Tinhamos oportunidade de fazer história e dar uma satisfação para a sociedade por um ato extremamente violento, e não foi esse o entendimento do tribunal. Me preocupa bastante o fato de uma gravidade como o que aconteceu voltar acontecer - comentou o árbitro gaúcho.

Chagas também afirmou que vai entrar com processo na Justiça Comum contra o Esportivo por danos morais e para recuperar o dinheiro que precisará investir no carro depredado. Seu veículo estava amassado por pontapés ao final da partida entre Esportivo e Veranópolis. Com duas bananas no escapamento e no teto do veículo.

Além disso, irá depor em Bento Gonçalves para o inquérito policial que irá investigar e tentar descobrir quem cometeu os atos no carro do árbitro, no estacionamento do estádio. O Esportivo, na última semana, afirmou que entregou o nome de dois suspeitos para a polícia da cidade.

Estrago no carro será cobrado por Chagas na Justiça Comum (Foto: Arquivo Pessoal)



ENCONTRO COM A PRESIDENTE

Chagas não esteve no julgamento nesta quinta-feira por conta de um compromisso. Um dos grandes: encontro com a presidente Dilma Rousseff e o volante Tinga, do Cruzeiro, para tratar sobre racismo. Ficou sabendo do resultado do julgamento pelos seus auxiliares na partida, Antônio Padilha e Marcelo Barison.

Em Brasília, ouviu palavras de solidariedade da mandatária do Brasil. O relato é de que uma campanha forte contra o racismo e pela paz nos estádios será feita no país. E o árbitro e Tinga se colocaram à disposição para ajudar, como pessoas públicas e que sofreram na pele o problema.

- A presidente foi supersolidária. Está engajada em uma campanha de combate ao racismo e pela paz nos estádios. E vai fortalecer esse movimento. Lógico que não vai parar. Mas podemos minimizar. Uma campanha como teve a de não arremessar objetos no campo, agora de combate ao racismo. E de denúncia dos torcedores por quem cometer isso - disse, antes de completar:

- Nos colocamos à disposição, como cidadãos, negros que sofremos o problema, e pessoas públicas. O momento é oportuno e ela viu a necessidade de manifestar esse carinho conosco. E sabendo que nosso país tem manifestações racistas, não reconhecendo a grandeza dos negros na nossa história - finalizou.