icons.title signature.placeholder Felipe Domingues
10/02/2015
08:32

Nos corredores do Aberto do Brasil de tênis, que começou nessa segunda-feira, no Ginásio do Ibirapuera (SP), o que mais se ouve é sobre Copa Davis. Isso porque o Brasil disputa entre 6 e 8 de março, contra a Argentina, a primeira rodada do Grupo Mundial, de onde ficou afastado desde 2013. Em entrevista ao LANCE!Net, Marcelo Melo, melhor duplista do país atualmente, comentou sobre o confronto.

O brasileiro ocupa a quarta colocação do ranking de duplas da ATP, apenas uma abaixo de sua melhor posição, um terceiro lugar em outubro do ano passado. Na melhor fase de sua carreira, o experiente jogador, de 31 anos, espera classificar o país no duelo contra os hermanos. Em São Paulo, Melo pode encontrar a dupla que enfrentará na Davis: Leonardo Mayer e Carlos Berlocq.

- Essa dupla é muito forte, eles jogam juntos há muitos torneios. Joguei com o Ivan (Dodig) lá no Aberto dos Estados Unidos, e foi muito difícil, eles realmente jogam muito bem. Se acontecer (duelarem) é melhor, teremos mais um jogo para dar uma analisada - comentou Melo.

Se nas duplas a posição de Marcelo e Bruno Soares está garantida, bem como a presença de Thomaz Bellucci, número 1 do país e 63º da ATP, a dúvida paira sobre quem será o número dois do Brasil em simples. Para Melo, a equipe tem três atletas prontos para a disputa.

- São as principais opções que temos: o Feijão, o Alemão (Andre Ghem) e o (Guilherme) Clezar. O João (Zwetsch, treinador) deve estar decidindo, ou até já decidiu, mas não sabemos ainda. Logicamente nossa dupla e o Thomaz estarão lá. Será um belo problema para o João escolher, porque são três jogadores que têm todas as condições de ser o número 2 do Brasil - disse.

Na disputa contra a Espanha, no ano passado, pela repescagem do Grupo Mundial, teve início a polêmica sobre o segundo jogador de simples do Brasil. Isso porque João Souza, o Feijão, reclamou publicamente após ser preterido por Rogério Dutra da Silva. O caso gerou um certo mal estar na equipe à época, impulsionado pela má partida que Rogerinho fez em sua estreia. Ainda assim, Melo refutou qualquer tipo de problema com o grupo.

- Não, nem um pouco. Cada jogador tem seu ponto de vista. Algumas mais certas do que as outras. Mas não misturamos muito o que cada um falou. A gente tem sempre que tentar representar bem o país na Davis. Problemas extra-quadra a gente tenta esquecer. Acho que qualquer um que entrar tem condições de jogar bem e nos ajudar a ganhar o confronto - completou.

Melo estreia no Aberto do Brasil nessa terça-feira, ao lado do austríaco Julian Knowle. Logo na primeira partida, pega uma pedreira: a dupla formada pelo espanhol Nicolás Almagro e o italiano Fabio Fognini. A partida tem início programado para aproximadamente às 16h (de Brasília).

Apesar da indefinição no segundo homem de simples do país, os brasileiros têm uma certeza: contarão com Marcelo Melo em sua melhor fase contra a Argentina.

BATE-BOLA - Marcelo Melo - Duplista do Brasil, ao LANCE!Net

1 - Quando formará dupla com Bruno Soares no Circuito?
Temos de jogar alguns torneios juntos, o Bruno também tem essa consciência, mas não vai ser agora no primeiro semestre. A gente deve jogar um ou outro no segundo semestre e mais no primeiro semestre do ano que vem. A gente não resolveu quais serão, mas com certeza vamos jogar.

2 - Terá alguma preparação especial para a Copa Davis?
Não, na Davis vamos preparar durante a semana, teremos uns cinco ou seis dias para treinar antes dos jogos. Vamos treinar direto em Buenos Aires.

3 - Você caiu na semi do Aberto da Austrália. Foi duro cair de novo em semi?
Foi mais um jogo duro. Desde a primeira rodada jogamos bem. Mas o jogo acabou decidido nos detalhes. A semi foi um pouco ao contrário do que já havíamos "sobrevivido" nos jogos anteriores. Chegando nesse nível, em Grand Slams, as partidas são realmente decididas no detalhe. Infelizmente, foi contra nós.

4 - Vocês jogaram um pouco irritados. Tiveram problemas em quadra?
Não, jogamos contra os franceses e não tivemos problemas. Eles são dois jogadores que não tem nenhum tipo de comportamento ao contrário. Jogamos bem, queríamos ir para a final. Já tínhamos perdido na semifinal do Aberto dos Estados Unidos no ano passado. Queremos muito ganhar um Grand Slam, estamos na nossa melhor fase. Foi triste a derrota, mas faz parte, precisamos trabalhar para não acontecer de novo.

5 - Dá para esperar mais um título no Aberto do Brasil?
Estamos em uma chave dura e o torneio está muito forte. Vamos pegar o (Fabio) Fognini e o (Nicolás) Almagro, que formam uma dupla muito difícil. Jogo aqui com o Julian (Knowle), que é um parceiro que já joguei bem, chegamos até as quartas de Wimbledon no ano passado. Então, é jogo por jogo, com atenção especial nessa primeira rodada.

6 - Você subiu no ranking da ATP e o Bruno Soares caiu. Te preocupa?
Eu e o Ivan (Dodig), hoje, estamos no nosso melhor nível desde que começamos. Temos nossos melhores resultados desde o Aberto dos Estados Unidos, quando caímos na semifinal. Fizemos final de Masters 1.000 (Mônaco e Canadá), semifinal no Aberto da Austrália... São resultados que acabam elevando nosso nível de jogo, de confiança... Temos muito espaço para melhorar ainda. Subidas e descidas no ranking são normais. O Bruno vem jogando bem com o Alexander (Peya). É questão de encaixar um bom torneio para ele voltar ao Top 10. Nossa meta, minha e do Ivan, é ganhar um Grand Slam, então isso nos ajuda a brigar pelo topo. Voltar a ocupar a quarta posição depois de tanto tempo, mostra que estamos no caminho certo.

7 - Acha que a experiência do Clezar vai contar para a escolha dele na Davis?
É tudo uma questão de aprendizado. Estando presente conosco na equipe, acaba aprendendo também. Foi o que fiz antes de entrar na Seleção, estive treinando em várias outras oportunidades. Faz parte do aprendizado. Ele tem plenas condições de jogar. Assim como o Feijão e o Alemão (Andre Ghem).