icons.title signature.placeholder Jonas Moura
27/04/2014
11:58

De novidade, só mesmo o adversário. O domínio da Unilever na Superliga Feminina segue inabalável. Na manhã deste domingo, no Maracanãzinho, a equipe carioca até sofreu um apagão, mas deixou para trás a frustração da derrota para o Sollys/Nestlê (atual Molico/Osasco), no mesmo palco, em 2012, venceu o estreante em decisões Sesi-SP por 3 sets a 1, com parciais de 21-11, 21-12, 13-21 e 21-16, e faturou o nono título da competição diante de cerca de 11 mil pessoas. 

O nome do jogo foi a ponteira Gabi, de apenas 19 anos. Maior pontuadora da partida, com 14 acertos, ela roubou a cena nos ataques. Pelo Sesi-SP, a central Fabiana e a ponteira Dayse deixaram a quadra com 10 pontos. A levantadora Fofão, que lutou contra dores na panturrilha ao longo da semana, recebeu o Troféu VivaVôlei de melhor jogadora em quadra.

A conquista entra na galeria de troféus do time ao lado dos prêmios das edições 1997/1998, 1999/2000 (as duas em Curitiba), 2005/2006, 2006/2007, 2007/2008, 2008/2009, 2010/2011 e 2012/2013. No ano passado, a Unilever conquistou o título longe de casa, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, diante do Molico.

Antes da partida, um minuto de silêncio para homenagear o narrador Luciano do Valle, que morreu há uma semana, vítima de um infarto. Ícone do jornalismo esportivo, ele foi um dos responsáveis pela ascensão do vôlei na mídia e liderou a organização da histórica partida amistosa entre Brasil e União Soviética, em 1983, no Maracanã, que terminou com vitória verde-e-amarela por 3 sets a 1 e público recorde para um esporte olímpico: 90 mil espectadores. Trechos do duelo, narrado por Luciano, foram exibidos na tela do placar central do ginásio.

Maracanãzinho recebeu quase 11 mil pessoas para o duelo final da Superliga Feminina de Vôlei, entre Unilever e Sesi (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

O JOGO

Acostumada a decidir, a Unilever rapidamente mostrou a que veio. De cara, a central Carol encaixou bloqueios pesados sobre a oposto Ivna, e um contra-ataque da ponteira Gabi decretou o início animador para a torcida carioca (4 a 0), obrigando o técnico Talmo a parar o jogo. E a folga só aumentou. Nervoso e passivo diante da marcação rival, o Sesi viu o marcador chegar a 7 a 1 após Suelle atacar para fora.

Prova de que estatísticas ficam de lado em uma final, o time de melhor recepção da Superliga sofreu um massacre. E o pior colocado no fundamento dominou completamente as ações. Com o passe na mão, era festa garantida para Fofão. Aos 44 anos, a veterana brincou com o bloqueio paulista. No Sesi-SP, apenas Fabiana mostrava alguma eficiência. Após um saque da levantadora da Unilever mal controlado por Suelle, as comandadas de Bernardinho foram à segunda parada vencendo por 14-6. E fecharam o set em 21-11, com um ataque na rede de Mariana.

No intervalo, os integrantes da Geração de Prata em 1984, estenderam uma faixa no meio da quadra em mais uma etapa da homenagem a Luciano do Valle. "Não basta criar uma grande história. Alguém precisa contá-la" eram as palavras contidas nela. A esposa do ex-narrador, Cláudia do Valle, recebeu uma placa das mãos do presidente da CBV, Walter Pitombo Larangeiras, o Toroca.

O segundo set começou com mais um show de Carol. Em sua primeira decisão como titular, a jovem cravou ataques firmes pelo meio e não perdoou no saque. Era a mesma história se repetindo. Na china de Juciely, a Unilever anotou 7-4. Só depois disso o Sesi-SP começou a resistir aos golpes do adversário, mas ainda era pouco frente à grande exibição do time carioca.

Ao técnico Talmo, coube tirar de quadra Ivna e colocar Pri Daroit. No saque, a reserva diminuiu a diferença para dois pontos. Mas a Unilever tratou de abrir vantagem em seguida. De um lado, tudo dava certo. Do outro, nada funcionava. Amanda, talismã de Bernardinho em nove das últimas dez finais, entrou para sacar e anotou dois aces. Um deles fechou a conta na parcial com o placar de 21-12.

Mas a tal síndrome do terceiro set não deixou de comparecer. A Unilever sofreu um apagão no retorno à quadra e viu Dayse estacionar no saque. A recepção falhou, os ataques passaram longe da área do oponente. E o Sesi-SP, com nova cara, e Pri Daroit entre as titulares, foi para a primeira parada vencendo por 7-1. Bernardinho tentou Regiane no lugar de Mihajlovic, mas a diferença só aumentou: 11-1, após bloqueio de Fabiana e Dani Lins em Gabi.

O time paulista tomou conta da partida até o 15º ponto. Porém, logo viu a equipe carioca se aproximar. Com Regiane, em sua 10ª final seguida, e Bruna inspiradas, o que era 15-3 virou 15-9. Susto para o lado vermelho, que só terminou em um erro de saque de Gabi. Mais tranquilas, as meninas de Talmo diminuíram a diferença geral ao fecharem o set em 21-13, após ataque de Dayse.

Apesar do crescimento, o Sesi-SP não manteve a mesma pegada no quarto set, e tudo voltou à normalidade. Time favorito à frente, e 6-1 no placar após um ataque na rede de Fabiana. A Unilever não retomou o mesmo nível de concentração do início e abusou dos erros. Mas foi melhor. Em bloqueio de Gabi e Juciely sobre Dayse, marcou 14-11. A central ainda somou dois pontos à conta, em mais dois bloqueios, ambos em Fabiana.

O Sesi-SP até tentou dificultar no final, mas ficou longe de ameaçar as favoritas. Em uma cravada de Carol pelo meio, a equipe da casa garantiu mais uma conquista. 

A experiência do Unilever fez a diferença e a equipe conquistou o seu nono título da Superliga Feminina de Vôlei com a vitória sobre o Sesi (Foto: Alexandre Arruda/CBV)