icons.title signature.placeholder Jonas Moura
19/02/2015
14:39

Surpresa para muitos na manhã desta quinta-feira no Aberto do Rio, Bia Maia, tenista número dois do Brasil no ranking da WTA, é protagonista de um caso dramático de superação no esporte. Ela segue firme na tentativa de levar o país a um patamar elevado no Aberto do Rio, que acontece no Jockey Club, no Rio de Janeiro, até domingo. O feito da vez da paulistana foi vencer com autoridade a eslovena Polona Hercog (77º) por 2 sets a 0, parciais de 6-1 e 6-2.

Atualmente, Bia treina em Balneário Camboriú (SC) sob o comando do técnico Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão. Leva uma vida de expectativas em torno do esporte. Mas, há menos de dois anos, uma nuvem negra ameaçou estragar sua promissora trajetória nas quadras.

Recuperada de uma lesão no ombro direito, sofrida após levar um tombo em um torneio na cidade de Campinas (SP), ela deixou de sentir a perna direita durante a disputa do ITF de Macon, nos Estados Unidos, em outubro de 2013.

Por ter ficado três meses sem poder se movimentar, precisou abrir mão de um tratamento de três hérnias de disco que tem na coluna. O problema virou uma extrusão (quando acontece migração de material nuclear que está contido pelas fibras externas do anel fibroso), provocou dormência e acendeu um alerta em todos que acompanhavam a trajetória da tenista. Ela chegou a correr risco de ficar sem andar.

- Comecei a chorar, fiquei desesperada, bati na porta do Larri e falei “tá doendo muito, minha perna não está indo, não consigo ficar na ponta do pé, não vou jogar”. Ele falou “vamos para o Brasil, a gente vai ver o que fazer” - contou Bia durante o Aberto do Rio.

Bia ainda tentou entrar em quadra no mesmo dia, mas não teve sucesso. Teve de abandonar uma partida de duplas e voltar ao Brasil. Passou por uma cirurgia delicada. E, mesmo após o procedimento, não ficou 100% de imediato. 

- Putz, foi (preocupante). Porque ela me passou a notícia, disse que fez a cirurgia, que estava tudo certo, tudo beleza. Mas fui pesquisar o que tinha acontecido. Quando li do que trata uma extrusão de hérnia de disco, perda de líquido total ou parcial que danifica o acolchoamento, pensei "f*". Ela foi se recuperando, começou a andar, treinar, mas as pessoas falavam para mim "ela está mancando para caramba" - contou ao LANCE!Net o técnico Bocão.

Atualmente, Bia conta com uma equipe de especialistas para manter os 100%. Dentre os destaques, Gustavo Magliocca, fisiologista do nadador Cesar Cielo. Embora as dificuldades financeiras ainda não permitam um acompanhamento exclusvo, ela já caminha para um nível de profissionalização cada vez maior. Bocão diz que a atleta faz tratamento todos os dias, mas garante que as preocupações ficaram no passado.

- Ela teve um cirurgião que a operou. E nós temos na equipe o Gustavo Magliocca, que é "nosso médico", a quem a gente recorre. Ainda não temos condições de ter um Magliocca só para nós (risos). O mesmo acontece com a Carla di Piero, que é psicóloga do Bellucci. Eles trabalham juntos, na equipe deles. Tem o Felipe Reis, preparador físico, que joga tênis. Eu não consigo fazer as coisas sozinho. Tem um pessoal cuidando da "fuselagem" dela. Agora está zerada, mas com cuidados. A "lataria" está arranhada. Todo dia ela tem que fazer um trabalho de recuperação física - contou Bocão.

Esta foi apenas a terceira vitória de Bia, número 234 do mundo, no circuito da WTA. Na estreia, ela já havia batido a argentina Maria Irigoyen por 2 a 0 (duplo 6-1). A próxima adversária da brazuca será a italiana Sara Errani (16º), que despachou a espanhola Lourdes Domínguez (108º) por 2 a 0 (6-0 e 7-5).

O resultado também foi o melhor já alcançado pela atleta, que havia chegado apenas a uma oitava de final em Florianópolis, em 2013, quando foi eliminada pela húngara Melinda Czink (358º).

COM A PALAVRA

Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão.

Técnico de Bia Maia.

"Tento sempre falar para ela que tudo é experiência. É uma jogadora em formação, tem 18 aninhos. Provavelmente ela estará pronta lá para os 23, 24 anos. Esse momento é o de aproveitar todas as possibilidades de se testar tecnicamente e taticamente. E amadurecer emocionalmente. Ela é alta, canhota, está sacando cada vez melhor. Estamos fazendo trabalhos nesse sentido. Mas o principal é o emocional, o que está sendo uma vantagem do Feijão nesse torneio. Temos que agradecer a organização por esse convite, para ela adquirir experiência.

Passei a trabalhar com ela em julho do ano passado, mas o contato já existe desde os 14 anos dela, quando foi para Balneário. Foi para participar da equipe olímpica formada na academia do Larri Passos, de quem sou próximo. Eu não era o responsável por ela, mas acompanhei a lesão. Depois, o projeto acabou e segui meu rumo em fevereiro de 2013. Nesse tempo, continuávamos conversando. E no dia que ela voltou do Estados Unidos ela me mandou mensagem avisando.

Agora está zerada, mas com cuidados. A "lataria" está arranhada. Todo dia ela tem que fazer um trabalho de recuperação física."