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23/06/2014
15:29

A situação do Uruguai não é simples no Grupo D: o time precisa de uma vitória, diante da Itália, para se classificar à próximo fase da Copa do Mundo. O jogo ocorre às 13h desta terça-feira, na Arena das Dunas, em Natal. 

Ciente da dificuldade que a Celeste terá pela frente, o zagueiro Lugano, ex-São Paulo e capitão da Seleção Uruguaia pela segunda vez consecutiva em um Mundial, publicou um texto longo no Twitter, convocando os torcedores a empurrar os jogadores.

Confira na íntegra:

"Cada Copa do Mundo nos ajuda a redescobrir que os uruguaios não são como os argentinos, os alemães, os brasileiros, os espanhóis e os ingleses... Os uruguaios são bem uruguaios e só parecemos com nós mesmos, ainda que às vezes queiramos ser diferentes. Não tomamos tererô, nem chá às 17h. Tomamos mate a qualquer hora... Comemos assado, jogamos truco, amamos o futebol e sonhamos com o impossível. Nosso horizonte foi e será o esforço e os milagres; e nossa paixão é e sempre será os desafios. Somos contraditórios, injustos, imaturos, sonhadores, teimosos... Muito teimosos. Nunca nos damos por vencidos. Somos lutadores. Somos pequenos, mas sonhamos ser gigantes. Somos uma família... E que família! Os que se vão são substituídos pelos que chegam, parecemos uma grande equipe de futebol (tão grande, que às vezes quando jogamos nos molestamos a nós mesmos!). Queremos ganhar as partidas fáceis, mas as convertemos em difíceis, e, às vezes, as difíceis ficam um pouquinho, só um pouquinho, mais fáceis. Jogamos todas, mas quando ganhamos, dizem "ganhamos". Quando perdemos, dizem "perderam".

Somos conscientes de que três milhões de uruguaios estão dependendo de nós. Mas sabem uma coisa? Nós também estamos dependendo dos três milhões de uruguaios. Nós gostamos que nos encorajem, necessitamos que nos apoiem em cada erro. Gostamos que se emocionem, que chorem de alegria a cada gol, a cada bola dividida. Sabemos que até mesmo os que nos criticam dariam tudo para estar aqui correndo e ajudando e que são os primeiros que se alegram quando ganhamos. Sentimos a pressão sim, claro que a sentimos. Por isso, à vezes, quando o Uruguai joga, sentimos algo que entendemos, mas não podemos crer. E quando, por fim, acreditamos, falhamos em entendê-lo. Emocionamo-nos.

A poucas horas dessa partida transcendental, deste enorme e dificílimo desafio, só peço que todos nós uruguaios estejamos unidos, alentando a Celeste, que é mais importante que tudo. A Celeste é mais importante que nomes, capitães, resultados. Fazemos força juntos. Porque sentimos a camisa como ninguém quando sentimos o país unidos e a gente feliz. Assim, somos três milhões de jogadores que pesam no tribunal, e que escolhemos o lado positivo, com atitude, com gana, com fome de glória, com a linda pressão de nos sentirmos obrigados a não falhar nossa própria história. Lhes convido a confiar, a ter paciência, a ter a audácia de sonhar o melhor. Nós não nascemos para as fáceis. Nascemos para as difíceis, e esta é uma difícil. Peço-lhes união. Uruguai!

Diego"