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15/12/2013
14:02

Afastado pela diretoria do São Paulo desde julho deste ano, o experiente zagueiro Lúcio resolveu se pronunciar após longo silêncio. O jogador fez um desabafo ao programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, em que diz ter se sentido humilhado com a situação e 

- É uma sensação horrível, de discriminação. Você está querendo fazer o melhor e ser profissional. Não cheguei nenhum dia atrasado, não faltei a treinamento. É uma sensação de ditadura você ter que passar por aquilo por um capricho de alguém - declarou o jogador, referindo-se ao técnico Paulo Autuori, que foi quem pediu o afastamento do atleta à diretoria tricolor. 

Os problemas de Lúcio começaram quando Ney Franco ainda era o técnico do São Paulo. Durante a disputa da Copa Libertadores, na derrota para o Arsenal Sarandi por 2 a 1, em Buenos Aires, o zagueiro foi substituído por Paulo Henrique Ganso e foi direto para o ônibus, em um ato classificado como de indisciplina.

- Qual jogador gosta de ser substituído? Nenhum. Se gosta de ficar na reserva tem que parar de jogar bola. A questão de ir para o ônibus ou para o vestiário, eu não imaginei que isso ia dar uma manchete tão grande aqui no Brasil. Na Europa é normal. Não vi necessidade de substituição, porque o jogo estava 0 a 0, o que dentro do contexto era um resultado bom para o São Paulo - explicou.

Na partida contra o Atlético-MG, no Morumbi, já pelas oitavas de final, o jogador foi expulso quando a partida estava 1 a 0 para o São Paulo, o que agerou ainda mais incômodo. 

- Na expulsão, foram duas jogadas normais de futebol. Eu fiz duas faltas para cartão e não vejo um culpado.

No entanto, somente quando Paulo Autuori assumiu o time é que ele foi afastado, sob alegações de indisciplina e má influência sobre o grupo. Segundo Lúcio, quem deu a notícia foi o vice-presidente, João Paulo de Jesus Lopes.

- Falei que eu achava que deveria treinar mais, até porque o time estava começando a perder os jogos do Campeonato Brasileiro. Então ele (Autuori) usou isso para me afastar, para me punir. No mesmo momento eu pedi perdão. Não sabia que ele entederia dessa forma. Mas ele não quis me ouvir e nunca mais falou comigo. Nem os dirigentes, que só me davam ordem. Eu, como funcionário, acatava. Fiquei muito triste, porque fui afastado por um motivo fútil, muito ridículo - desabafou o jogador.

- Depois, o São Paulo falou :'como não vamos te utilizar, você não precisa vir aqui todos os dias'. Só que eu falei que sou profissional e iria cumprir a minha parte. Primeiro me afastaram e depois me deixaram treinando sozinho. Ele (João Paulo) disse que a pedido do treinador era para eu treinar em horários diferentes e eu não compreendia o porquê daquilo. Eu pensava 'o que eu fiz de tão errado para merecer isso?'. Fui colocado em uma posição em que fiquei meio encurralado, mas não vou desistir - completou.

Um dos motivos que culminaram no afastamento de Lúcio foi a presença, mais de uma vez, de um preparador físico particular dentro do CT. O ato foi entendido como um desrespeito aos profissionais do clube, mas ele diz que era apenas um primo dele:

- Não estava treinando com preparador físico próprio, nem personal trainer. Era só o meu primo, Lucas, que estava apenas pegando a bola para mim. Ele não estava me dando treino. Eu faço aquilo sozinho ou com a companhia de qualquer outra pessoa. Só que o treinador falou que aquilo não era certo, que era uma falta de respeito e que eu deveria ter avisado, porque é uma regra.

O jogador disse ainda que não guarda mágoas de Autuori: 

- O que eu tenho para dizer é que não tenho raiva dele. Talvez ele não tenha compreendido o que eu quis passar. Nunca tive a intenção de desrespeitá-lo. Minha intenção era apenas melhorar para sair da situação ruim. 

Com a chegada de Muricy Ramalho, o zagueiro tentou conversar com o treinador para voltar para a equipe, mas sem sucesso.

- A gente até tenta mudar a situação, mas ele disse que acata a decisão da diretoria, que ele não vai forçar - concluiu.