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04/03/2014
07:46

Apenas 100 dias da abertura da Copa, o Brasil, incrivelmente, continua correndo contra o tempo para entregar aquilo que prometeu à Fifa e ao mundo. Há arenas para serem concluídas, elas que vão receber os jogos do Mundial mal tendo sido testadas. Ainda preocupam situações como a de São Paulo, palco do jogo inaugural, e principalmente de Curitiba, que por pouco não foi eliminada pela Fifa e tem uma verdadeira bomba-relógio para desarmar.

E estes não são os maiores problemas. Hoje já se sabe que hotéis que receberam financiamento público não ficarão prontos a tempo do Mundial, que aeroportos terão instalações improvisadas – verdadeiros puxadinhos - e que corredores de transportes urbano, um legado prometido à população pelos governantes, desde o primeiro momento – simplesmente não sairão do papel ou não entrarão em operação dentro dos cronogramas estabelecido.

Ironicamente, as questões de mobilidade – o alto custo das passagens e a má qualidade dos serviços de ônibus, metrô e trens das grandes cidades - foi o estopim das manifestações que tomaram as ruas no ano passado. O que parece ter ficado claro desde então é que ninguém aguenta mais conviver com a corrupção que toma de assalto o patrimônio público, a impunidade que estimula a violência a que estamos submetidos no dia a dia, o descaso dos políticos com o eleitor, e tantas outras mazelas com as quais somos obrigados a conviver.


A 100 dias da Copa, Brasil acende sinal de alerta

A Copa evidentemente não poderia escapar imune. As notícias de estádios em que os custos de construção multiplicaram-se por três, a constatação do abandono de boa parte da chamada herança social e, por que não dizer, a hipocrisia do discurso de governantes que tratam tudo isso como se tudo andasse às mil maravilhas, pouco a pouco foram contaminando um sentimento que inicialmente era de orgulho e aprovação total e hoje permite a dúvida se valerá ou não a pena tamanho investimento, todo o esforço que o país está fazendo. É isso que mostram os resultados de recentes pesquisas de opinião, com aumento de rejeição ao Mundial.

Nem tudo é má notícia, contudo. O Brasil ganhou, graças ao chamado padrão Fifa, arenas de primeiro mundo. O Mineirão, em Belo Horizonte, a Fonte Nova, na Bahia, o Maracanã, no Rio, estão irrepreensíveis, são verdadeiras obras de arte a serviço do futebol, testadas e aprovadas na Copa das Confederações e em jogos dos campeonatos locais. Também são inegáveis os efeitos positivos que já começam a ser sentidos na economia, com a movimentação turística e o aquecimento da indústria de bens de consumo e de serviços que vão atender às
demandas em torno do Mundial.

Eventos da dimensão de uma Copa só fazem sentido se forem realmente transformadores. Em 2006, a Alemanha redescobriu o sentimento de Nação. E a África em 2010 mostrou uma imagem de modernidade e capacidade ao mundo, sepultando de vez as lembranças amargas da era do apartheid. E o Brasil? O que estamos fazendo? Para onde estamos indo?

Em que pesem todos os problemas que poderiam ter sido evitados por um modelo de organização descentralizado e
com ampla participação da sociedade, nossa obrigação agora é cuidar para que a Copa dê certo, que na hora H as coisas funcionem, a operação seja bem sucedida.

Essa, com certeza, vai ser a Copa da paixão. Só a força do povo, do cidadão comum, do torcedor, poderá mudar a má impressão que deixamos até agora, poderá mostrar ao mundo um Brasil que funcione e emocione. Algo que os governantes não conseguiram. E fizeram de tudo para piorar.