icons.title signature.placeholder Pedro Barboza
09/04/2014
15:44

Eterno ídolo do Flamengo, Zico foi o convidado especial para o lançamento do livro "Libertadores - Paixão que nos une", na manhã desta quarta-feira, no Espaço Bossa Nova, no Maracanã. O periódico, escrito pelo jornalista Nicholas Vital mostra histórias de 1960, primeiro ano da competição, até a edição de 2013, com a conquista do Atlético-MG. Como se trata de uma edição limitada, o material está totalmente digitalizado em um aplicativo para tablets e celulares, além de estar na íntegra no site www.paixaoquenosune.com.br.

No evento, organizado pela patrocinadora do torneio, Galinho comentou sobre os bastidores da conquista rubro-negra da competição sul-americana, em 1981 e lembrou algumas histórias que viveu no torneio.

- Uma das histórias mais estranhas que tivemos em jogos na Libertadores foi jogando na Bolívia contra o Jorge Wilstermann. Achei que iríamos jogar dentro de um quartel, pois todo mundo na arquibancada estava vestido com uniformes do exército - lembrou o camisa 10.

De acordo com Zico, na decisão de 1981, diante do Cobreloa, os rubro-negros sofreram na mãos do chilenos. Para ser campeão o time da Gávea enfrentou três vezes o time do Chile. Para o ex-camisa 10, se o Flamengo conquistasse o título na segunda partida, uma tragédia poderia acontecer.

Que sirva de inspiração! Zico lembra título do Flamengo na Libertadores

- A decisão de 81 foram 3 jogos, se fosse no regulamento de hoje talvez perdêssemos. Fizemos dois gols, o Cobreloa fez um, mas não nos preocupamos com a questão de gols, pois poderíamos ganhar de 5 e eles de 1, que iria ter o terceiro jogo. Sofremos bastante, pressão, violência, agressão, quando acordamos no dia seguinte parecia guerra. Quiseram levar Junior preso, soltaram cachorro na gente, mas Deus iluminou para que não fossemos campeões no segundo jogo, pois não seria um bom momento. Fizemos uma reunião com todos, pois tínhamos que vencer jogando bola e não no revide. Foi o que aconteceu, pois fizemos 2 a 0 e ganhamos na bola. Essa vitória foi importante, pois o futebol levou a melhor contra a violência - explicou.

Além da tradicional catimba dos adversários sul-americanos, Zico lembra que alguns fatores extra-campo tiravam o sono da delegação. Porém, atualmente, a situação é um pouco mais tranquila por conta da visibilidade da competição.

- As coisas aconteciam pois a Libertadores não tinha tanta visibilidade para os times. Não tinha TV, o adversário te dava um chute, queria ganhar no grito. Além disso, as equipes brasileiras não tinham muito apoio das federações. Sofremos muito, nosso ônibus foi quebrado no Paraguai, hóspedes colocavam coisa nas nossas comidas, e uma série de medidas precisavam ser tomadas. Hoje, não dá para fazer mutia coisa - disse.

Para escrever o livro com mais de 300 páginas, Nicholas Vital entrevistou mais de 50 pessoas ligadas ao futebol, entre ex-jogadores e jornalista. A ideia de reunir os acontecimentos da Libertadores em um livro começou como trabalho acadêmico de conclusão de curso do jornalista, que também já foi repórter da Revista Placar.