icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena
23/03/2014
07:31

Era 24 de junho de 2012, quase dois anos atrás, quando Alan Kardec pisou pela última vez no gramado da Vila Belmiro. Após passar em branco no empate em 2 a 2 com o Coritiba, o atacante se despediu do Santos e voltou a contragosto para o Benfica (POR). Agora vivendo a melhor fase da carreira, pelo Palmeiras, ele volta ao estádio às 16h deste domingo torcendo por um fim de história diferente. E brigando também pela primeira artilharia da carreira profissional.

- Sigo a mesma linha de raciocínio de quando estava no Santos: de permanecer e dar sequência ao trabalho. Hoje eu quero isso, sei o que a camisa do Palmeiras representa e o que pode me trazer de benefícios - reafirmou o atacante, ao LANCE!Net.

Assim como na época do Peixe, ele assinou contrato de empréstimo válido por um ano, até 30 de junho. O clube praiano tinha divergências com os europeus e não conseguiu ampliar o vínculo naquela época. Já o Palmeiras quer comprá-lo e acertou a forma de pagamento dos R$ 13 milhões. Falta o acordo salarial.

Os números do camisa 14 mostram que o investimento é válido. Autor de 13 gols em 64 partidas pelo Santos, ele já marcou 21 em 42 exibições com a camisa alviverde, sendo sete no Paulistão. Luis Fabiano, do São Paulo, e Léo Costa, do Rio Claro (que ainda não garantiu classificação), estão à frente, com nove.

- É diferente se você se focar somente em ser artilheiro. O foco sempre foi ser campeão, mas quando as coisas acontecem você começa a sonhar. É um sonho, sim, não é uma obsessão, mas se vier vou ficar muito feliz. Vou continuar lutando para minha equipe ter êxito. Se for fazendo gol, fico feliz. Mas pode ser dando passe - disse o goleador, que vê a chance de enfim ser artilheiro diretamente ligada ao amadurecimento.

- Na base eu fazia muitos gols por ano, então quase todo ano eu acabava sendo artilheiro de pelo menos uma competição. É uma questão de amadurecimento, aprendizado. É difícil você ver um artilheiro de 18, 19 anos, só lembro de Neymar e Keirrison. Hoje estou muito mais maduro, é natural.

Confira um bate-bola exclusivo com Alan Kardec:

LANCE!Net: No reencontro com o Santos, você vai comemorar se fizer gol?
Alan Kardec: Lá eu fui vitorioso, conquistei o Paulista, sei que fiz coisas boas, mas hoje estou aqui. Minhas comemorações têm sido até variadas, então depende do momento.

Acha que a torcida te receberá bem? Eles queriam sua renovação.
E eu também queria ficar. Não sei os reais motivos de não ter acontecido, porque já escutei argumentos dos dois lados. Mas sempre me dediquei com a camisa do Santos, não saí brigado. Não sei como vai ser a recepção, estou em um rival, então sinceramente eu não sei te dizer.

Você tem medo que o Benfica novamente dificulte as coisas?
Faz parte do futebol, sou jogador do Benfica. Voltar é uma possibilidade que existe, como também há a possibilidade de ficar aqui. Enquanto sou do Benfica tenho que pensar nisso, embora eu não queira. Se tiver 1% de chance de ter que sair daqui, vou fazer o quê? Mas meu pensamento em momento algum foi sair.

Mais uma vez, seu desejo é ficar no Brasil. Europa não seduz mais?
Depende. Posso dizer que hoje não está me seduzindo e amanhã vem uma proposta do Arsenal... Como vou falar que não? Hoje, se eu tivesse que te falar se prefiro ficar aqui, com certeza te diria que sim, mas imagine que amanhã venha um gigante, um Manchester, um Bayern, um Real Madrid, um Arsenal ou um Barcelona... Isso mexe com qualquer jogador. Hoje não tenho tanta vontade de voltar, a não ser que aconteça algo desse tipo.

Alan Kardec faz o que mais sabe: gol! Vai ser artilheiro? (Foto: Eduardo Viana/LANCE!Press)


Relembre a passagem de Alan Kardec pelo Santos:

Camisa 10
Kardec chegou ao Peixe no segundo semestre de 2011, com Muricy. Com Ganso machucado, ele chegou a ser escalado como meia. No vice do Mundial, entrou nos jogos.

Campeão
No primeiro semestre de 2012, foi campeão paulista com dois gols na final contra o Guarani e ajudou o time a chegar à semifinal da Libertadores, contra o Corinthians.

Adeus
Santos deu "chapéu" no Benfica, que negociava com a DIS pelo lateral Danilo. Peixe comprou a parcela que pertencia à empresa e logo o vendeu ao Porto. Rusga dificultou renovação de Kardec.