icons.title signature.placeholder Bruno Grossi
24/07/2014
10:00

Desde que Kaká despontou como promessa em 2001, as histórias sobre como seus familiares acolhiam os colegas da base do São Paulo passaram a ser citadas frequentemente. Entre os amigos mais conhecidos do público e mais próximos do craque, estavam os meias Renatinho e Harison e um atacante de personalidade completamente distinta da de Kaká: Emerson Sheik.

- O Kaká sempre foi muito companheiro. O mais interssante era a humildade com que ele tratava as pessoas. Ele morava em São Paulo e acolhia os jogadores que vinham de outras cidades. O irmão (Digão), os pais (Simone e Bosco) levavam a gente na casa deles para jogar videogame. Ficava eu, Harison, Kaká e o Emerson Sheik. Vivíamos juntos - relatou Renatinho, espião do Tupi-MG, ao LANCE!Net.

Bem antes de se tornar Sheik pelas grandes atuações no futebol do Oriente Médio, Emerson tentava encontrar espaço no elenco profissional do São Paulo. O atual camisa 7 do Botafogo logo se envolveria em escândalo de adulteração de identidade, que mostrou que seu nome na verdade era Márcio. Sheik seguiu colecionando polêmicas na mesma proporção em que conquistou títulos, evidenciando comportamento bem diferente do apresentado por seu amigo de adolescência.

- Era tudo moleque, jogando no São Paulo, então todo mundo gostava de fazer uma zoeira, mas o Kaká não. Ele era correto e religioso, mas nunca deixou de estar com a gente e nunca nos repreendeu. Eu e o Emerson morávamos na concentração e a mãe do Kaká gostava muito da gente - explicou Renatinho.

Outra visita frequente na residência de Kaká, Harison lembra com bom humor da convivência entre o são-paulino e Emerson Sheik. Segundo o atual meia do Duque de Caxias-RJ e mentor do craque tricolor, os dois nunca tiveram nenhum problema por terem convicções diferentes.

- Pensar nisso hoje é engraçado, é verdade. O Emerson era do Rio de Janeiro, carioca da gema, mais malandro. Já o Kaká era mais comportado Mas o convívio era bom. Não tinha discriminação se era evangélico ou carioca. Todos se respeitavam, por isso ganhamos tudo na base e íamos para as Seleções de baixo com frequência - afirmou Harison.

BATE-BOLA COM HARISON
Ainda se relaciona com o Kaká?
Ele me visitou no Grêmio Barueri há um ano e pouco, quando estava ansioso para se recuperar no Milan (ITA) e nem fazia ideia de que poderia voltar ao São Paulo agora. Somos amigos desde os 15 anos.

E como era a relação antes?
Eu sou um pouquinho mais velho. A gente começou a andar junto quando eu estava no juvenil e ele no infantil. Os pais dele sempre estavam juntos com os outros pais nos dias de jogos. Éramos quase uma família.

Essa união de vocês ajudava o time dentro de campo?
Sim. Tudo por causa do grupo, das pessoas e dos técnicos, como o Pita, o Heriberto da Cunha, Guto Ferreira, Milton Cruz, Muricy Ramalho e Vadão, que teve coragem de colocar a gente no time de cima.

O Vadão é o grande mentor de todos vocês dessa geração?
Trato ele como meu pai. Claro que cada um de nós seguiu sua linha e sua própria carreira. E eu não tenho o que reclamar de nada do que aconteceu comigo. Assim como o Kaká, também não, né? (Risos).

No que pôde ajudar o Kaká?
Ele teve uma lesão muito séria na coluna e foi punk. Ele era meu parceiro na meia, aí teve o acidente e, como eu estava na final da Copinha, ele foi chamado. Ajudei sem querer (risos).