icons.title signature.placeholder Jonas Moura
23/03/2014
10:15

A final que não valia muito acabou servindo para recolocar Juliana/Maria Elisa em evidência entre as melhores parcerias do vôlei de praia atual. Depois de sair perdendo para Ágatha/Bárbara Seixas, bicampeãs do Circuito Banco do Brasil, a dupla buscou a vitória de virada por 2 sets a 1, parciais de 16-21, 21-13 e 15-9, na Praia de Pajuçara, na decisão da etapa de Maceió neste domingo. Mesmo com o resultado, as donas do título do último torneio da temporada terminaram na vice-liderança geral, já que ficaram 40 pontos atrás no ranking.

A partida teve nos bloqueios de Juliana o grande vilão da carioca e da paranaense. Do início ao fim, o paredão entrou com eficiência. Esta foi a segunda conquista da santista ao lado de Maria Elisa na temporada. As duas haviam sido campeãs em São José (SC), na quinta etapa. A disputa pelo terceiro lugar em Maceió terminou com vitória de Talita/Taiana, que bateu Vivian/Josi por 2 sets a 0.

– A gente vem aos trancos e barrancos buscando esse entrosamento, e esse, sim, é meu título aqui hoje. Essa evolução do nosso jogo é o que mais importa. Só temos 13 torneios juntas, o que é muito pouco. É a nossa primeira temporada completa e está chegando o momento de buscarmos o fino do voleibol no Circuito Mundial – disse Maria Elisa.

Embora o título da edição 2013/2014 do Circuito já estivesse definido, ninguém acordou para brincar. Bárbara, de um lado, e Juliana, de outro, comandaram as ações de suas equipes com ataques firmes. A segunda foi quem protagonizou os primeiros pontos, ao empolgar a torcida com belos bloqueios sobre cada uma das rivais.

Diante dos paredões, a pegada de Ágatha/Bárbara não foi mantida com a mesma intensidade. A dupla até passou à frente após um erro de ataque de Maria Elisa no corredor (8-7),  mas a carioca de Resende não se abalou pelo equívoco. Até porque Juliana estava inspirada e respondeu com mais dois bloqueios (13-11).

Porém, a situação se inverteu na hora decisiva. Sentindo a presença do bloqueio, Bárbara abriu mão de ataques fortes e brilhou nas bolas colocadas. Com a ajuda de Juliana, que acumulou dois erros de ataque e levou um toco de Ágatha, a parceria do momento chegou à vitória por 21-16.

Ágatha e Bárbara voltaram mais tranquilas do que as oponentes a abriram dois pontos de vantagem (7-5), após Juliana falhar em outro ataque. Mas os erros da santista não comprometeram sua grande exibição no bloqueio. O fundamento fez a dupla virar e abrir 13-10. 

Juliana/Maria Elisa tomaram conta do jogo a partir de então. A carioca manteve a eficiência nos ataques, e Bárbara caiu de produção, com dois erros de ataque e um toco de Juliana, que anotou 19-12, maior diferença até o momento. Foi após mais uma falha de Bárbara, deixando a bola na rede, que as vice-campeãs fecharam por 21-13. 

O tie-break colocaria à prova o emocional de Ágatha/Bárbara. A carioca entrou diposta, buscando grande defesa para contra-atacar a marcar o primeiro ponto. E a paranaense mostrou tranquilidade para colocar a bola no corredor. Mas a arma de Juliana/Maria Elisa estava guardada para o fim. Os bloqueios da santista novamente roubaram a cena. Maria Elisa não desperdiçou os ataques. O título veio após uma bola colocada para fora por Bárbara.

- Começamos bem. Não houve uma concentração que deveria haver. Ontem (sábado), foi uma alegria muito grande pelo título e talvez não tenhamos chegado à final concentradas como deveríamos em uma final. Não posso tirar o mérito delas também, que jogaram muito bem como dupla. Ser bloqueada é normal, mas é preciso achar um mecanismo para virar a bola seguinte. É aí que entra a falta de concentração, quando você não pensa no que fazer. Foi essa atitude que faltou para nós hoje – avaliou Ágatha.

* O repórter viaja a convite da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).