icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci, Gabriel Carneiro e Thiago Perdigão
22/03/2014
08:08

No início da adolescência, Jubal era um garoto sem muitas responsabilidades, que de vez em quando ajudava seu avô a atender os clientes de seu bar em Goiânia, e só pensava em jogar bola. Na época, ele ainda atuava como meia, camisa 10, e não imaginava que um dia seria titular do Santos. Porém, durante um sonho, o garoto teve uma premonição, a qual só foi entender anos depois, quando foi contratado pelo Peixe do Vila Nova.

– Eu tinha 12 ou 14 anos e me vi entrando no Santos. Eu nunca tinha visto o CT do clube, mas sonhei comigo passando pela rua, pelo muro todo pintado... Depois de contratado que eu vi que era igualzinho ao meu sonho – contou o jogador, em visita à redação do LANCE!Net.

Desde então, o garoto não para de realizar sonhos. Ainda na base santista, chegou à Seleção Sub-20, ganhou títulos com os Meninos da Vila, se destacou e subiu ao time profissional. Agora titular, ele pode fazer seu primeiro clássico pelo time profissional neste domingo, contra o Palmeiras, na Vila Belmiro. No entanto, pendurado com dois cartões amarelos, ele é um dos que podem ser poupados pelo técnico Oswaldo de Oliveira.

Apesar de empolgado com as chances que vem tendo, o defensor de 20 anos repete a todo momento que ainda tem muito a melhorar e que ainda não rendeu o que quer e pode entre os profissionais.

Na passagem pelo LANCE!Net, Jubal se mostrou à vontade para falar do início da carreira, as oportunidades no Peixe, seus ídolos, os planos que tem para o futuro e muitos outros assuntos. Confira abaixo a entrevista:

Como está se preparando para o primeiro clássico como titular e o mata-mata do Paulista?
O Oswaldo não passou quem vai jogar contra o Palmeiras, mas o jogo contra a Ponte Preta, na semifinal, terá a Vila Belmiro lotada, e a gente tem tudo para jogar bem na nossa casa. Sendo titular a responsabilidade é maior, mas foi isso que eu sempre sonhei para a minha vida, é uma pressão gostosa. Sempre sonhei em estar jogando pelo Santos, ainda mais jogos decisivos como vamos ter nessa sequência. Sei que a oportunidade é muito grande, que todo mundo vai estar vendo, e vou procurar agarrar. Quero que todo mundo veja quem é o Jubal, o futebol que tenho.

Acha que os torcedores ainda não sabem quem você é?
Acho que tenho que evoluir bastante ainda, meu futebol não é o mesmo da base. Vou procurar melhorar para todo mundo ver, porque ainda existe um pouco de desconfiança. Tenho que provar que mereço ser titular do Santos, é algo normal.

O que quer melhorar?
Ah, várias coisas. No jogo aéreo, saída de bola e leitura de jogo. Já joguei dez partidas como titular, e estou procurando evoluir em cada jogo. Não adianta pensar que já estou bom, no nível ideal, porque não é verdade. Preciso de mais. É diferente da base. Lá, você erra e sabe que não dá em nada. Mas no profissional os jogadores são muito mais técnicos. Todos os times do Paulistão têm um jogador bom, que aproveita o seu erro. Estou me preparando para isso.

Fica um pouco ansioso ou nervoso antes de jogos assim?
Eu sou bem tranquilo nessa parte. Procuro dormir, ficar tranquilo, esperar a hora do jogo... Fico ansioso faltando uma hora para a partida, mas depois a bola rola e eu esqueço.

Você é muito técnico e habilidoso. Sempre jogou como zagueiro?
Que nada! Eu era meia, camisa 10! Mas aí fui ficando alto e recuando. Fiquei como volante uma época, depois virei zagueiro, com 16 anos. Mas até então eu era meia. Pela qualidade, acho que eu daria certo de armador (risos). Mas isso ajudou, joguei na Seleção sub-20 como volante.

Como foi a chegada ao Peixe?
Vim com 17 anos, já contratado. Quando recebi a proposta falei para minha mãe que tinha que ir, arrumei minhas coisas e vim. Não tinha escolha, era meu sonho. Ela ficou preocupada no começo, porque deu um problema no contrato do Vila Nova e do Santos que eu fiquei um mês morando em hotel. No fim, deu tudo certo.

E desde o começo sempre foi “grudado” no Gustavo Henrique?
Quando eu cheguei ele estava machucado, fui conhecer logo depois. A gente começou a treinar, e depois jogar junto, conversar bastante. Nosso pensamento era parecido, isso que fez dar certo a amizade e também em campo. A gente sabe as qualidades um do outro e se completa dentro de campo, sempre melhorando.

Vocês dois fazem o estilo zagueiro técnico, que não gosta de dar bicão... Isso muda no profissional?
O Gustavo tem carinha de bom moço (risos). Acho que eu bato mais que ele. Temos um estilo bastante parecido, é praticamente a mesma coisa. O Neto é mais brigador, aí eu posso sair jogando mais, sem dar balão. Eu sempre fui assim, desde que mudei para zagueiro é desse jeito que jogo. Mas costumo dizer que eu faço o que a jogada pede. Se é para dar balão, dou. Senão, saio jogando.

O Oswaldo pede o que?
Ele só posiciona, não chega a interferir no que a gente faz no jogo.

Como é para um beque jogar em um time tão ofensivo?
É complicado! Até na Vila, a gente está ganhando de 4 a 0 e quer continuar fazendo gols, porque sabe que no Santos é isso, tem que ir para cima. Mas às vezes tem que dar uma segurada, né? Temos que encontrar o equilíbrio para não passar tanto aperto. Isso passa pela conversa em campo e pela disposição para voltar.

Você já se sente à vontade para cobrar os demais jogadores?
Todo mundo tem força para falar sobre marcação dentro de campo. Com o passar dos jogos você vai criando mais corpo para chamar atenção de caras experientes como Arouca, Cícero... E todo mundo tem liberdade. Mesmo se for o primeiro jogo e o moleque falar algo, eles vão respeitar, não tem essa vaidade.

Já deu muita bronca?
Eu falo quando acho que tenho que falar, não sou de ficar gesticulando, falando, gritando, porque isso não tem muita finalidade. O Aranha também é tranquilo, fala quando precisa. Em estádio muito cheio às vezes nem adianta, pois a gente não se escuta. O jogador tem que ficar esperto e saber o que tem que fazer. O que mais fala é o Cícero, sempre pede bola. Até por ser o nosso capitão.

Há algum atacante em São Paulo ou no país que você teme marcar?
Eu não vejo nenhum jogador. É claro que tem atacantes de qualidade, diferentes, que tem que tomar cuidado a mais, mas se todo mundo se ajudar a gente consegue pará-los.

Qual tipo de atacante é pior marcar: velozes ou trombadores?
É mais difícil marcar os correrias, porque eles têm muito campo para jogar e às vezes você está de costas e não pega, mas o pivô também é.

No clássico você deve reencontrar o Kardec, que você marcava nos treinos logo que subiu...
Em 2012 tinha ele, o Borges, o Neymar, vários jogadores de um nível muito alto na época da Libertadores. O Alan Kardec é muito bom na bola aérea e muito inteligente também. Se der espaço ele chuta ou acha espaço. Só não pode deixar a bola livre pelo alto, porque ele é alto e alcança.

Alguns sonhos de camisa 6

A pedido do LANCE!, Jubal listou os maiores sonhos de sua vida e carreira. Eles vão desde uma casa própria para a mãe na cidade de Goiânia até um desejo um pouco mais inusitado...

Um sonho de infância
“Eu sonhava em jogar no time do Manchester United. Tudo por causa do Ferdinand. Queria jogar com ele, então teria que ser no Manchester.”

Um sonho já realizado
“O apartamento que eu comprei em Goiânia para minha mãe e meu irmão.”

Um sonho que ainda pretende realizar
“Disputar uma Copa do Mundo com a camisa da Seleção Brasileira. E, claro, conseguir ser campeão de uma Copa.”

Um sonho que considera improvável de realizar
“Ser o melhor jogador do mundo... quem sabe um dia? Eu também falei para minha mãe que tenho vontade de comprar um iate. Andei uma vez, que alugamos para dar uma volta, e fiquei com vontade. Pelo que ganho, vou ter que trabalhar 50 anos (risos).”