icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
25/03/2014
08:07

Um dia histórico. Nesta quarta-feira, em Santiago (CHI), começarão os Jogos Parasul-Americanos. Enquanto foi disputado pela décima vez entre atletas sem deficiência, entre os dias 7 e 18 deste mês, a competição vai para a primeira edição no esporte paralímpico. A disputa vai contar com nove países e mais de 500 atletas. Serão sete esportes: atletismo, natação, bocha, levantamento de peso, tênis de mesa, basquete em cadeira de rodas e tênis em cadeira de rodas.

Apesar de estarem inseridos no calendário esportivo atualmente, os torneios paralímpicos sempre começaram tardiamente e costumam ter menos edições que os convencionais. É assim com os Jogos Paralímpicos e o Parapan-Americano, que tiveram 14 e quatro, respectivamente. A Olimpíada já foi disputada 30 vezes, e o Pan-Americano aconteceu em 16 ocasiões.

O Brasil entra na disputa dos Parasul-Americanos com 81 atletas. A delegação vai ser mesclada entre jovens e alguns experientes. Na natação e no atletismo, os mais renomados, como Daniel Dias e Alan Fonteles, não vão competir. Mesmo assim, a equipe é forte. Campeãs mundiais em 2013, Lorena Spoladore (na categoria T11 – para deficiência visual –, no salto em distância) e Verônica Hipólito (na classe T38 – para paralisados cerebrais –, nos 200m) estão em Santiago.

Entre os mais renomados brasileiros está Maciel Santos, medalhista de ouro na Paralimpíada de 2012, em Londres, na bocha.

– Pela primeira vez, irão fazer a competição com a mesma estrutura dos Jogos convencionais. É algo bastante proveitoso. Para algumas modalidades, é importante a inserção de novos atletas. Assim, vamos levar a Seleção de jovens no atletismo e na natação, pensando na renovação para 2016 e 2020. Mesmo assim, temos uma expectativa boa – disse o diretor-técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Edílson Alves da Rocha, o Tubiba.

Porta-bandeira levou ouro olímpico

O Comitê Olímpico Brasileiro (CPB) escolheu um atleta experiente para ser o porta-bandeira na cerimônia de abertura dos Jogos Parasul-Americanos, nesta quarta-feira, em Santiago (CHI): o campeão paralímpico da bocha Maciel Santos.

Santos conquistou a medalha de ouro em Londres-2012 na categoria BC2. Ele nasceu com paralisia cerebral e compete na classe para aqueles que podem movimentar suas cadeiras de rodas sem auxílio.

No início do mês passado, o brasileiro apareceu na primeira colocação do ranking mundial de sua categoria. A classificação levou em consideração a Copa do Mundo de 2011, disputada na Irlanda do Norte, os Jogos Paralímpicos de Londres-2012, e os campeonatos continentais do ano passado. Além do primeiro lugar na Olimpíada, o atleta foi campeão da Copa América e ficou em terceiro na Copa do Mundo.

Inicialmente, a disputa da bocha nos Jogos Parasul-Americanos seria classificatória para o Parapan-Americano de 2015. No entanto, isso não vai mais ocorrer.

Basquete dá vaga no Parapan

Das sete modalidades em disputa nos Jogos Parasul-Americanos, apenas uma dá vaga no Parapan-Americano de 2015, em Toronto (CAN): o basquete sobre cadeira de rodas. Os quatro primeiros colocados na disputa garantem vaga na competição do próximo ano. Vale lembrar que na Copa América do ano passado, a Seleção Brasileira masculina ficou na quinta posição.

OS JOGOS PARASUL-AMERICANOS:

Datas e locais
Os Jogos serão disputados de amanhã até domingo, em Santiago (CHI). Serão seis locais de competição.

Participantes
São nove países na disputa: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Modalidades
São sete no total: atletismo, basquete em cadeira de rodas, halterofilismo, bocha, natação, tênis de mesa e tênis em cadeira de rodas.

Brasil
A delegação brasileira contará com 81 atletas, em todas as modalidades.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM EDÍLSON ALVES DA ROCHA (TUBIBA), DIRETOR-TÉCNICO DO COMITÊ PARALÍMPICO BRASILEIRO:

LANCE!Net: Qual a importância de ter pela primeira vez uma edição dos Jogos Parasul-Americanos?
Edílson Alves da Rocha: O mais importante é que se cria essa cultura de que onde se tem uma competição olímpica, também tem uma paralímpica. Alguns torneios até já são integrados. Existem conversas para que os Mundiais de Atletismo e Natação sejam no mesmo lugar. Isso é importante. Vamos com força para poder ser protagonista.

L!Net: Qual a expectativa do CPB em relação ao número de conquistas de medalhas nos Jogos?
EAR: Trabalhamos para que grande parte dos atletas conquiste medalhas, mesmo os jovens que não foram para Mundiais. É bom para ganharem experiência e inseri-los nas grandes competições.