icons.title signature.placeholder Raphael Martins
18/03/2014
15:00

O ano de 2013, que registrou o maior número de mortes ligadas ao futebol na Argentina, foi também aquele em que os dirigentes do país resolveram adotar a proibição de torcedores visitantes nos estádios. Uma medida que se mostrou ineficaz, seja pelo fato das brigas atualmente ocorrerem entre integrantes de uma mesma torcida ou pela vista grossa de dirigentes e autoridades.

- A medida de adotar torcida única evita o confronto entre duas torcidas opostas, porém não evita o confronto interno entre a mesma torcida. Daqui a pouco vamos ter de proibir os torcedores locais de ir ao estádio. É uma medida que não soluciona, que reconhece o fracasso das instituições que deveriam zelar pela segurança. É algo paliativo somente - disse ao LANCE!Net o vice-presidente da ONG Salvemos el Fútbol, o advogado Mariano Berges.

Segundo Berges, que durante 11 anos trabalhou como juiz federal em causas relacionadas à violência no futebol, a solução para este flagelo deve vir de cima. Mais precisamente do Poder Executivo, representado pela presidência da nação.

- Não há qualquer atividade do estado em prevenir os confrontos, simplesmente se tirou os torcedores visitantes e pronto. As mudanças deveriam começar a partir de uma decisão presidencial. Isso ocorreu na Argentina com relação à violência de gênero, mas não houve com relação ao futebol. Depurar as forças policiais, fazer com que as denúncias cheguem ao Judiciário e investigar os dirigentes seriam os passeos seguintes - afirma Berges.

Atualmente, além da proibição da presença de torcedores visitantes, outras medidas de segurança adotadas para controlar a violência nos estádios são os controles de alcoolemia, a proibição da venda de bebidas alcóolicas dentro e no entorno dos locais de jogos e a presença dos chamados "Controles de Admissão". Estas são listas com os nomes dos torcedores violentos que estão impedidos pela justiça de frequentar estádios de futebol.