icons.title signature.placeholder RODRIGO CERQUEIRA
28/06/2014
07:50

A Copa do Mundo de 1994 ficou marcada para sempre na memória dos colombianos e também dos amantes do futebol. Um gol contra, um assassinato e o fim trágico para uma geração que era considerada por muitos como a melhor da história do país - tinha Valderrama, Asprilla e Rincón. Este enredo custou a vida do zagueiro Andrés Escobar. Na quarta-feira, a família do ex-jogador chorará pelos 20 anos da morte. E um pedido mais do que especial veio do irmão dele, Santiago Escobar. Ele disse ao LANCE!Net que a melhor homenagem possível será a vitória da Colômbia sobre o Uruguai, neste sábado, no Maracanã, pelas oitavas de final da Copa de 2014.

– Gostaria de enviar os parabéns por tudo o que a seleção está fazendo. Jogou um belo futebol na primeira fase. A melhor homenagem para Andrés seria uma vitória sobre o Uruguai. Seguramente, ele estaria muito contente por este momento da Colômbia. Em nome da família, gostaria de felicitar a todos na seleção, porque meu irmão participou do Mundial de 90, na Itália, e de 94, nos Estados Unidos. Ele seria uma das pessoas mais felizes com este desempenho da seleção – deixou claro Santiago Escobar, que também vive do futebol: é técnico.

Santiago Escobar lembra do sofrimento pela morte do irmão (Foto: AFP)

Escobar fez um gol contra no jogo em que a Colômbia perdeu por 2 a 1 para os Estados Unidos. Como havia perdido também o primeiro jogo naquela Copa, para a Romênia (3 a 1), a derrota para os anfitriões sacramentava a eliminação na fase de grupos. No dia 2 de julho, o zagueiro foi assassinado na saída de uma casa noturna em Medellín. Há duas versões para o caso. Uma delas aponta uma discussão com o assassino, Humberto Muñoz Castro. A outra, da qual a família tem certeza, indica que o jogador perdeu a vida porque fez o gol contra e foi considerado culpado por apostadores que perderam dinheiro com a eliminação:

– Pelas apostas, pelo gol contra (causas da morte). As pessoas que fizeram isso não tinham escrúpulos, tinham problemas com a sociedade e causaram a morte do meu irmão.

Bate-bola:
Santiago Escobar, irmão de Andrés Escobar

1- Perto de completar 20 anos da morte de Escobar, qual é o sentimento da família depois de tanto tempo?

R: Para a família foram 20 anos muito difíceis. Meu pai morreu há seis anos. Nestes vinte anos sempre fizeram homenagens para Andrés, com muito carinho. Na próxima quarta-feira, inclusive, o Atlético Nacional vai fazer uma homenagem. É muito doloroso, mas as recordações são as melhores possíveis, de um grande jogador de futebol e uma grande pessoa.

2- Você é treinador e já comandou clubes como Atlético Nacional e Once Caldas. Como é a relação da família com o futebol?

R: Neste momento, a família está acompanhando a seleção no Mundial do Brasil. Sou treinador profissional, comandei várias equipes na Colômbia e na Venezuela. Minha última equipe foi o Once Caldas, que já ganhou a Copa Libertadores. Comandei times muito importantes na Colômbia. Em toda a minha vida estive no futebol e no esporte.

3- Depois da morte de Escobar, a família recebeu alguma ajuda da Federação Colombiana ou da Fifa?

R: Nunca recebemos nada da Fifa, da Federação Colombiana. Nunca esperamos nenhuma ajuda dessas entidades e não queríamos nos beneficiar economicamente com o que aconteceu. O mais importante era vida dele e o que fez pelo futebol.    

4- Como é a relação com membros da seleção de 1994?

R: A verdade é que quando temos a oportunidade de encontrar com eles, são muito especiais para a família. Mas não temos um contato especial.