icons.title signature.placeholder Eduardo Mendes, Maurício Oliveira e Thiago Salata
20/06/2014
08:30


Luiz Gustavo, em ação na Granja Comary: eficiência elogiada (foto: Alexandre Loureiro/VIPCOMM)

Ele é o jogador que mais sofre faltas na Seleção Brasileira, mas não é Neymar. É o que mais desarma ou recupera bolas, mas não se trata dos zagueiros Thiago Silva e David Luiz. É o que mais corre em campo, mas não estamos falando dos laterais e velocistas Daniel Alves e Marcelo.

Luiz Gustavo nem sequer pegou a “camisa de titular”, de 1 a 11 (já que joga com a 17), mas é o mais eficiente do meio de campo do Brasil na Copa até o momento. E seus números se destacam em todos os itens de estatísticas da Fifa nos jogos da Seleção. O volante (ou cabeça-de-área) é o homem invisível do time que tem a melhor defesa do mundo, segundo o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira, e o atacante Neymar como um dos cinco melhores do planeta, segundo o técnico Luiz Felipe Scolari.

“Melhor do que ser conhecido é ser uma pessoa que vale a pena conhecer”, publicou em rede social Luiz Gustavo, antes de estrear na Copa. O volante, de fato, não dá a mínima para ser protagonista.

– Eu já disse algumas vezes que não faço questão alguma de ser conhecido. Procuro sempre me sentir satisfeito. Gosto de me doar, é meu prazer, minha satisfação – afirma.

No esquema 4-2-3-1 de Felipão, ele ajuda na saída de bola e distribui o jogo quando o time tem a bola. E ajuda a cobrir os buracos nas laterais provocados pelos muitos avanços de Daniel Alves e Marcelo, além de dar o primeiro combate ao meia mais criativo do adversário.

Mas talvez ninguém perceba.

NÚMEROS DE LUIZ GUSTAVO NA COPA

Minutos em campo: 180

Distância percorrida (em km): 21,078
Daniel Alves - 20,485
Neymar - 18,938

Faltas sofridas: 8
(2º Neymar - 7)

Faltas cometidas: 3
(2º Paulinho - 3)

Chutes a gol: 1
(1º Neymar - 7)

Bolas recuperadas e desarmes: 16
(2º Thiago Silva 15)

BATE-BOLA COM LUIZ GUSTAVO

Como você trabalha a cobertura aos laterais, ponto mais vulnerável da Seleção?
Treinamos sempre para isso. Quando tenho de cobrir, me coloco entre os zagueiros e um deles sai. Minha função é tapar os buracos.

O empate com o México causa alguma preocupação com relação ao futuro da Seleção?
O mais importante na primeira fase é pontuar. A gente teve chances mais claras para ganhar, mas isso é Copa do Mundo, as dificuldades são normais. Está todo mundo de parabéns.

Você ficou surpreso com a atuação do México? Vê algum risco de a Seleção não se classificar?
Eu sempre disse que nosso grupo é difícil. Isso é Copa do Mundo, em todos jogos vão ter dificuldades. Temos grandes chances, vamos passar para a próxima fase.

OUTROS 'VOLANTES INVISÍVEIS'

ALEMANHA-2006
Como segundo volante, Zé Roberto foi eleito o melhor em campo em dois dos três jogos da primeira fase, apesar do quarteto mágico. Zé Roberto era o dono do meio campo.

Opinião - Maurício Oliveira
Editor, cobriu a Seleção Brasileira na Alemanha pelo LANCE!Net
Quem metia medo nos adversários era o quarteto formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo, mas quem dominava o meio de campo era Zé Roberto, como segundo volante. Foi o craque da Seleção em 2006, mas fracassou diante de Zidane & Cia.

ÁFRICA DO SUL-2010
Felipe Melo foi titular em quatro dos cinco jogos do Brasil na África do Sul. Só não jogou as oitavas, contra o Chile, contundido.
Bom volante que acabou virando vilão.

Opinião - Thiago Salata
Editor, cobriu a Seleção Brasileira na África do Sul pelo LANCE!Net
Ao lado de Gilberto Silva, Felipe Melo ficou com a imagem de vilão pelo descontrole e expulsão contra a Holanda, na derrota das quartas. Mas é um volante com bom futebol e fez por merecer estar na Copa de 2010 com Dunga. Pecou por conta de seu temperamento.