icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena e Thiago Ferri
06/04/2014
08:10

Chegou a hora de recuperar, pelo menos em partes, o investimento feito para repatriar Valdivia em 2010. Esta é a opinião de Osório Furlan, dono de 36% dos direitos econômicos do meia e conselheiro do Palmeiras, que diz ter chegado recentemente a um consenso com o presidente do clube.

- Eu conversei com o Paulo Nobre e ele também acha que, se o Valdivia fizer uma boa Copa e não se machucar, não tem motivo para segurá-lo se vier boa proposta - disse Furlan, que está na Itália e promete oferecer o jogador a clubes de lá.

- Ele está muito acima da média no Palmeiras. Você vê que só erra passe se o outro jogador está mal posicionado. Vou falar com conhecidos meus do meio do futebol, sondar alguns clubes aqui. Não custa.

Uma boa proposta, na visão dele, seria de 6 milhões de euros (cerca de R$ 18,7 milhões na conversão atual). Se o desempenho do Mago com a camisa do Chile for bom durante a Copa, crê que pode-se conseguir valor maior.

Para contratar o camisa 10, o Verdão se comprometeu a pagar R$ 14,2 milhões ao Al-Ain (EAU). Furlan tirou dinheiro do próprio bolso para ficar com 36%, sendo 54% do Palmeiras e outros 10% do atleta. Como o clube usou cartas de crédito e não honrou com os pagamentos, o preço total da compra já superou os R$ 30 milhões, que ainda não foram totalmente quitados.

Além desta dívida, Paulo Nobre gasta mais do que gostaria com o salário do jogador, que é o maior do elenco. Apesar de reconhecer sua importância para o time, o presidente sabe que, no meio do ano, estará diante da última oportunidade de ganhar dinheiro com ele.

O vínculo do armador, que está com 30 anos, termina em agosto de 2015. Na janela de transferências do fim do ano, ele estará a cerca de dois meses de poder assinar um pré-contrato para sair de graça ao fim do acordo atual, e dificilmente um clube faria investimento.

Por isso, faz-se valer o mantra usado pela atual gestão sempre que o assunto é negociação: "ninguém é inegociável se a proposta for boa para todas as partes". Foi assim com Henrique, vendido ao Napoli (ITA) por 4 milhões de euros (o clube embolsou 80%), será com Valdivia e também com Wesley, outro com salário alto e com vínculo a terminar em 2015. A ideia é vender o volante nesta janela.

Últimas sondagens não avançaram

Depois de Flamengo e Rayo Vallecano (ESP) manifestarem interesse no fim do ano passado, Valdivia foi procurado por alguns empresários querendo tirá-lo do Brasil. Estados Unidos, Emirados Árabes e Turquia surgiram como possibilidades, mas nenhuma dessas tratativas foi adiante.

Focado na Copa, o jogador tem dito que está feliz no clube e que deseja ser peça importante no ano do centenário. No entanto, ele já revelou que pensa em voltar ao futebol europeu, desde que seja para um clube em condições de brigar por títulos.

- Me encantaria voltar (à Europa), mas em situação melhor, pois fui a uma equipe (Rayo Vallecano) que estava na Série B. No Servette (SUI), o clube quebrou. Foram raras as chances europeias. E, se não voltar, estou em uma liga, onde fui eleito o melhor 10, que leva à Libertadores, Mundial - disse, em entrevista ao jornal "La Segunda", do Chile, em fevereiro.

O presidente Paulo Nobre comprometeu-se a informar qualquer movimentação de outros clubes por Valdivia a Osório Furlán. O conselheiro avisa que não é possível negociar o armador sem o seu aval.

- O Paulo deve ter dado procurações para empresários oferecerem o Valdivia na Europa, mas para negociá-lo tem de falar comigo antes - declarou o investidor.