icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
14/03/2014
07:30

Apesar da denúncia feita pelo Gaeco contra quatro torcedores que invadiram o CT Joaquim Grava no dia 1º de fevereiro, o Ministério Público de São Paulo deseja que as investigações continuem para melhor elucidação do caso. Segundo o órgão, diversos pontos da história apresentam incoerência.

Na carta introdutória à denúncia, o MP afirma que "Oitivas e documentos obtidos nas investigações deixaram a impressão que, a despeito do forte e competente empenho da Douta Autoridade Policial na apuração dos fatos, há uma tentativa de minimizar a gravidade do ocorrido".

Alguns pontos que ainda estão em aberto são contestados. A falta de registro de imagens no momento mais crítico da invasão é destacado. É contestada também a lesão corporal do consultor médico Joaquim Grava. De acordo com o presidente Mário Gobbi Filho, o médico foi agredido. No entanto, o próprio Grava, em depoimento, afirmou que a lesão "decorreu de uma batida no momento em que ele se virou para se afastar do tumulto". O presidente também chegou a afirmar que o atacante Paolo Guerrero foi "esganado", fato desmentido pelo próprio jogador nos últimos dias.

A polícia reclama da falta de vontade do Corinthians em ajudar nas investigações. Além de Guerrero, outros cinco jogadores foram chamados para prestarem depoimentos, por duas vezes de forma oficial, mas o clube não liberou-os. A delegada Margarete Barreto, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelo caso, solicitou ajuda ao diretor de futebol Ronaldo Ximenes.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) entrou nesta semana com denúncia contra Tiago Aurelio dos Santos Ferreira, Gabriel Monteiro de Campos e Tarcísio Baselli Diniz, torcedores já identificados e presos, além de Fernando Wilson de Carvalho, vulgo "Suíça", que está foragido. O processo corre na 17ª Vara do Fórum Criminal da Barra Funda desde a última segunda-feira, denunciando os torcedores citados em três artigos do Código Penal: 288 (formação de quadrilha), 146 (constrangimento ilegal) e 163 (crime de dano).

No dia 1º de fevereiro, um sábado, quando o elenco treinaria pela manhã, mais de cem torcedores invadiram o CT Joaquim Grava, ameaçaram jogadores, agrediram funcionários, furtaram três celulares e danificaram carros e o próprio CT.