icons.title signature.placeholder Michel Castellar
11/06/2014
16:04


“Ó Pai, eterno e inefável, Deus infalível, Criador do Universo, das culminâncias do Teu Reino, do trono do Teu poder...”, o início desta prece há muito deixou o anonimato para ser símbolo daquele que se autoproclamou a reencarnação de Jesus Cristo: Álvaro Thais ou, simplesmente, Inri Cristo. Para saber o que pensa o filho do Homem sobre a Seleção e a realização da Copa do Mundo no Brasil, o LANCE!Net foi até a sede da sua igreja, a Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade (Soust), em Brasília.

Até estar frente a frente com Inri Cristo foi preciso seguir um ritual, chegar no horário marcado, não atender o celular ou não extrapolar o espaço marcado dentro da capela são alguns exemplos. Tudo pronto e eis que abriram-se as cortinas e o suposto filho de Deus surgiu sentado em seu trono.

Fez a prece que o tornou famoso e se colocou à disposição para a responder às perguntas. Com um bom humor peculiar, o catarinense de 66 anos logo revelou ter jogado futebol no período escolar. A posição? Goleiro.

Mas admitiu que só foi goleiro para não ser o patinho feio da turma e também porque não gostava de correr atrás da bola. Seu orgulho, disse, era ter sido muito bom na posição.

Só que a revelação de que seria o filho de Deus, em 1979, quando era um ateu, o tirou do esporte. Filósofo e escritor, ainda que sem formação acadêmica, Inri soube muito bem driblar as questões polêmicas.

Revelar o nome da seleção vencedora da Copa do Mundo, nem pensar. E para não fugir totalmente de uma polêmica, Inri refutou a nacionalidade brasileira de Deus.

- Deus não é brasileiro. Deus, meu Pai, é universal, mas por acaso, o servo Dele, reencarnou, aqui, no Brasil. E mesmo se soubesse quem ganhará a Copa não poderia dizer porque aumentaria o ódio contra mim. O que digo é que existem várias formas de ganhar. Quem perde também pode ganhar e quem ganhar também pode perder – filosofou Inri, acompanhado por seu séquito de discípulos, dez mulheres e três homens.

Ciente de que é ridicularizado por muitos, Inri evocou o passado para dizer que quando Cristo veio à Terra também foi rejeitado e, por isso, não se incomoda com as chacotas. Em um dos momentos de seriedade, o filho do Pai criticou a maneira como o futebol se transformou em um negócio, que tem em Neymar um símbolo desse atual sistema.

- Ele é um jovem que foi programado, preparado para esse ofício. Ele é um daqueles que, lamento, o sistema transformou em um atleta que vende o passe. E está enquadrado no sistema. Inclusive, fiquei sabendo que um argentino (Messi), não é aquele que está em Roma (Papa Francisco), tem o passe muito mais caro do que o dele. É mais do que o dobro – alfinetou Inri.


O dinheiro gasto para a organização da Copa do Mundo foi um assunto que tirou Inri do sério e o levou a atacar a Fifa. Inclusive, se permitiu fazer uma proposta inusitada para as próximas edições de Mundiais, com o objetivo de diminuir os custos.

- Se eu fosse a Fifa, em minha opinião, ela quem devia providenciar as estruturas. A organização que promove o evento e vende os ingressos deveria pagar. Que tal todos os jogos serem realizados em um estádio só? Por que não? Por que não tudo no Maracanã? É uma ideia. Agora, que já foi feito o investimento, temos de rezar para que dentre os males ocorra o menor – considerou Inri.

Ao fim da entrevista, Inri levantou-se do seu trono e proferiu suas famosas palavras para iniciar uma nova prece e se despedir: “Ó Pai, eterno e inefável, Deus infalível, Criador do Universo, das culminâncias do Teu Reino, do trono do Teu poder...”