icons.title signature.placeholder Thiago Correia
28/03/2014
15:11

O árbitro português Pedro Proença, favorito a apitar a final da Copa do Mundo, conseguiu em uma profissão complicada ser praticamente uma unanimidade em seu país. A própria imprensa do país, que é conhecida por criticar os juízes e ficar por dias e dias discutindo as decisões, reconhece as qualidades do lisboeta.

- Pedro Proença tem um mérito difícil de igualar em Portugal: é quase unanimemente considerado um excelente árbitro. Num país onde oitenta por cento das discussões sobre futebol andam em torno do foi ou não penálti, o golo foi ou não em fora de jogo, há ou não corrupção, criar unanimidade é uma conquista inigualável na história da arbitragem - disse Sérgio Pereira, repórter do "MaisFutebol":

- Mas Pedro Proença fez: conseguiu até depois de há dois anos ter cometido um erro que acabou por ser decisivo para o Campeonato Português. Em jogo decisivo em Lisboa, não viu o impedimento de Maicon no terceiro gol do Porto, que com esse gol já nos acréscimos venceu o Benfica por 3 a 2 e praticamente garantiu o título. O próprio Pedro Proença já veio admitir que foi o erro mais grave da carreira, o que ajuda a humanizar a figura do árbitro junto do público.

Veja momentos da carreira do árbitro Pedro Proença

E é exatamente essa capacidade de admitir os próprios erros uma das principais virtudes do árbitro. Além disso, ele costuma estudar bastante os times, procurar saber quais são as características dos jogadores, e dentro de campo, conquista o respeito de todos eles, até pela forma com que os trata.

- Proença admite os erros e falha muito menos do que os outros. Prepara-se bem para os jogos, estuda a forma como as equipes jogam, como saem em contra-ataque, como defendem... É muito forte na comunicação com os jogadores, a quem trata a todos por "meu querido", faz-se respeitar dentro e fora de campo. Por isso há uma secreta esperança que possa apitar a final do Mundial 2014: é difícil, porque já esteve na final da Eurocopa 2012 e da Liga dos Campeões de 2012, sendo que são raros os casos de árbitros que repetem finais de grandes provas sucessivamente. Mas ele já admitiu que tem esse sonho: e Portugal sonha com ele.

COM A PALAVRA
José Carlos Freitas, diretor do "Record" (POR)

Ele é, seguramente, um dos dois, três melhores da Europa, junto do inglês Howard Webb e um outro italiano e alemão. Ele tem a direção do jogo com coragem. Quando erra, admite que errou. Ele trabalha muito bem antes dos jogos, mesmo com vídeos, situações de bolas paradas, ele estuda as equipes, antecipa o trabalho problemático, aonde os atacantes se posicionam... Faz o dever de casa. Isso acaba facilitando o trabalho dentro de campo, está sempre em comunicação com os auxiliares através do sistema de audio.

E curiosamente, no intervalo dos jogos ele gosta de saber, junto aos assistentes, o que foi mal, se houve algum erro, e se isso vai ou não mudar a mentalidade dos jogadores na volta para o segundo tempo. Mas não faz a "compensação", não emenda um erro no outro.