icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro
26/03/2014
12:02

Um dos principais ídolos da história recente do Santos é um ponto fora da curva em relação à maioria dos outros jogadores que têm se destacado com a camisa alvinegra. Basílio não foi revelado nas categorias de base do clube e nunca foi considerado titular absoluto. No entanto, como o "12° jogador", o atacante, que chegou ao Peixe aos 31 anos de idade conquistou a simpatia da torcida, e até hoje é lembrado por sua importância na conquista do Campeonato Brasileiro de 2004.

- É importante saber que fiz parte de um time vencedor, saber que os torcedores confiaram no meu trabalho, e que eu poderia resolver uma situação ou outra quando defendia o Santos. Tudo deu certo naquele ano de 2004, e os torcedores me reconhecem até hoje. Eles dizem "olha o Basílio, podia entrar agora!". Posso dizer que fui feliz no Palmeiras e no Coritiba, mas nunca menti que era santista. Jogar lá foi um prêmio pela minha luta, e onde eu passo pessoas lembram de mim - admitiu o emocionado Basílio, ao LANCE!Net.

Apesar de ter sido contratado apenas em 2004, o jogador, que ficou conhecido como "Basigol" na Vila Belmiro, podia ter chegado bem antes ao clube. A primeira vez que o Peixe demonstrou interesse foi em 1995, quando Basílio, então na Inter de Bebedouro, foi até a sede do clube para conhecer e assinar contrato. No fim, não deu certo. A mesma coisa ocorreu em 2002, quando o técnico Emerson Leão pediu pela primeira vez sua contratação. Nas duas temporadas seguintes, o comandante colocou Basílio na lista de prioridades, mas a diretoria nunca atendeu.

- Creio que Deus faz as coisas certas. Ele demorou, mas não deixou de me colocar no time que eu queria, que torcia. Já tinha acontecido de não dar certo em 1995, em 2000 e em 2002, aí em 2004 eu falei que iria, não importavam os valores. Queria o Santos! A torcida desconfiou um pouco, porque era um cara de 31 anos, mas vieram vitórias, títulos... o Santos me levantou, todo mundo viu o que aconteceu - relembra Basílio, que foi titular em boa parte do Brasileirão de 2004 por conta do sequestro da mãe de Robinho.

De 36 partidas que o Santos disputou no segundo semestre de 2004, Basílio atuou em 34, mesmo sendo considerado reserva pelo técnico Vanderlei Luxemburgo. Ele só deixou o time no fim, quando Robinho pôde voltar.

- Participei de mais jogos que os titulares, né? Fiz gols decisivos, atuava bem e revertia várias situações. Isso me fez ganhar a confiança do treinador, da diretoria, da torcida, dos companheiros... de todo mundo. Está perdendo? Põe o Basílio que ele resolve! Nunca pedi titularidade, mas sempre entrava com unhas e dentes. Independente se estivesse perdendo ou ganhando, eu sabia que iria entrar e fazia o que tinha que fazer - atesta, satisfeito pela história que construiu no time do coração.

EM 2002, "BASIGOL" FOI VILÃO DO PEIXE

Aos 41 anos de idade, Basílio hoje é proprietário de um centro de treinamento na cidade de Andradina, a 600 km de São Paulo. Ele tem parceria com o Cruzeiro, e planeja revelar talentos para o mundo da bola nos próximos anos. Enquanto isso, ele relembra as histórias que marcaram sua vencedora carreira. Uma delas data de 9 de novembro de 2002, na penúltima rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro. A Ponte Preta, equipe em que Basílio atuava, foi visitar o Santos, que brigava ponto a ponto pela classificação e...

- Foi nesse jogo que eu fiz dois gols, né? Lembro muito bem - diz, aos risos.

Diante do desespero da equipe de Emerson Leão para avançar às oitavas, o experiente Basílio e sua Ponte Preta não perdoaram: 3 a 1 em plena Vila Belmiro, confirmando a condição de "asa negra" que a Macaca teve para o Santos no início do século 21.

- Para mim foi um jogo inesquecível. Por ter sido na Vila Belmiro, por eu ter marcado gol de cabeça... uma série de fatores. Naquela época a Ponte Preta já fazia jogos duros com o Santos. Me me destacar naquele jogo foi fundamental para o Santos lembrar de mim e tentar me contratar logo no ano seguinte - afirma Basílio, que não tem apostas para o confronto desta quarta-feira, pelas quartas do Paulistão.

- Vai ser um jogo bom. A Ponte tem feito jogos bons, creio que não vai ser um jogo amarrado. A Ponte Preta tem bons nomes, e o Santos também. Deve ser um jogo bem aberto e com mais de um gol.