icons.title signature.placeholder Marcio Porto
06/06/2014
07:02

Ao marcar o belo gol de falta que abriu o placar da goleada de 4 a 0 sobre o Panamá, Neymar brecou as vaias já cantadas pela plateia goiana, ainda no primeiro tempo do amistoso da Seleção, na terça, no Serra Dourada.

Na última vez em que o Brasil jogou em São Paulo, como nesta sexta-feira, no entanto, o craque e maior esperança canarinho na Copa do Mundo não evitou a indignação dos torcedores contra o time e, principalmente, contra ele próprio.

Voltamos a 7 de setembro de 2012. O Brasil vencia a África do Sul por 1 a 0, quando, aos 44 minutos do segundo tempo, o então técnico Mano Menezes resolveu substituir Neymar. A partir daí, o mundo caiu para o então astro do Santos.

– Ele saiu de campo humilhado aquele dia – afirma Wagner Ribeiro, empresário de Neymar.

Neymar seguiu para o vestiário com uma sonora vaia e gritos de pipoqueiro, já ouvidos no treino de véspera. Sentiu o golpe. E há quem diga que a decepção antecipou sua saída para o Barcelona (ESP).

– A saída dele do Santos tomou fogo ali, com certeza. O pai dele não conseguia convencê-lo a ir embora. Mas usou o jogo para dizer: “Viu, hoje você é um ídolo, amanhã será um renegado” – sustenta Luis Alvaro Ribeiro, ex-presidente do Santos, responsável por segurar o craque no Peixe, em meados de 2011.

Nesta sexta, às 16h, Neymar volta a encarar a torcida paulistana no Morumbi, desta vez para encarar a Sérvia, no último amistoso da Seleção antes da Copa. Muita coisa mudou e a trajetória desde então tranquiliza quem segue sua carreira de perto.

Segundo Wagner Ribeiro, o fato de Neymar não estar mais ligado ao Santos fará toda a diferença. Contra a África do Sul, muitos torcedores de outros clubes, que o hostilizavam no Brasil, estavam presentes.

Neymar deixou o Santos em maio de 2013, um ano antes do término de seu contrato com o clube brasileiro. A negociação com o Barça até hoje rende polêmica. Na época, o pai do craque disse que o medo de que o filho virasse vilão em caso de perda da Copa antecipou a saída. As vaias no Morumbi entraram no bolo.

LUIS ALVARO, EX-PRESIDENTE DO SANTOS, CULPA MANO

"Neymar saiu com uma cara absolutamente entristecida daquele jogo, todos viram, chutando a grama. Foi uma sacanagem o que o Mano fez com ele. Tirar cinco minutos antes de terminar a partida, diante de uma torcida claramente inimiga. Apesar de torcer para o Brasil, a torcida de São Paulo tinha uma bronca histórica em relação ao Neymar.

O Neymar sempre foi um cara acostumado a ser adorado por todo mundo. Pelas mulheres, garotos, crianças, por quem gosta de futebol. De repente uma porrada na cara fez muito mal para o ego dele.

Não tenho dúvida de que aquilo antecipou a saída dele. Tive com o Neymar quatro jogos com ele no vestiário depois, em que ele foi completamente diferente do moleque feliz é. Ele ficava triste, como uma mãe que perdeu o filho. Ele estava pressionado a ir embora.

Até que eu o chamei na minha casa, com o pai. Falei: “Neymar, já te conheço e acho que você não está feliz no Santos, que quer sair. É verdade?” E ele disse: “Verdade, presidente!”, com lágrimas nos olhos."

WAGNER RIBEIRO, EMPRESÁRIO DE NEYMAR, PEDE BLINDAGEM

"Desde a Copa das Confederações, o Brasil é dependente do Neymar. Se jogar o que jogou contra o Panamá, o Brasil é campeão. Por isso, precisamos blindá-lo. Ele precisa jogar da forma que gosta, solto, sem posição. Precisa estar feliz em todos os aspectos e, mais importante: que tenha liberdade dentro de campo.

Ele está feliz agora, sem problema de contusão, bem com a namorada, então está no ápice.

A vaia no Morumbi foi injusta. Quem não esteve bem não foi o Neymar, foi o time todo. Gosto muito do Mano Menezes, admiro, mas ele não deveria ter feito aquilo. Foi dar o Neymar para a torcida vaiar, jogar ele para os leões. Mas tenho certeza de que não fez por mal. Acabou causando. Porque se ele tivesse ficado até o fim, não teria sido vaiado. Saiu humilhado de campo.

Foi um marco na carreira dele. Todo mundo que trabalha com o Neymar saiu magoado aquele dia. Foi tudo focado nele, personalizado, sentíamos que não merecia. Agora, volta em outras condições, é o responsável pelo bem do time."