icons.title signature.placeholder Russel Dias
08/06/2014
08:02

O elo entre a seleção do México e o Santos na Copa de 2014 não ficará restrito ao fato de a equipe usar o CT Rei Pelé para treinar. A delegação do time norte-americano ficará hospedada em um hotel que já foi do Peixe na década de 60.

Em 1965, o então deputado federal e presidente do clube, Athiê Jorge Cury, ficou sabendo nos bastidores que o jogo seria liberado no Brasil e teve a ideia de comprar o Parque Balneário, que tinha um cassino funcionando. O dirigente considerava que o clube poderia ganhar dinheiro se tivesse como propriedade o palácio de jogos em frente à praia do Gonzaga em Santos.

No entanto, a informação de Cury caiu por terra, e nenhum dos cinco presidentes da República que passaram pelo governo central na época liberaram o jogo. Restou para o Alvinegro já bicampeão mundial sustentar sua sede, e usá-la como espaço administrativo e também para grandes festas.

Guilherme Guarche, historiador do Peixe, era adolescente quando frequentava o Balneário, e recorda as polêmicas criadas em torno da cara aquisição.

- Na época que ele (Athiê Jorge Cury) comprou o Parque Balneário houve uma briga com o Modesto Roma (vice-presidente) porque o Campo da Americana, que era um campo próximo da Vila Belmiro, estava à venda e era mais barato. O Santos podia fazer um clube ali. O Balneário foi o sonho de uma noite de verão para o Athiê, porque deu tudo errado.

O triste fim ao qual Guarche se refere foi quando o mandatário santista deu o braço a torcer e foi obrigado a desfazer do empreendimento. Em 1971, após se afundar em dívidas, Athiê não teve escolha, e deu adeus ao popular Parque Balneário.

- Ele financiou, atrasou parcelas, e a família Fracarolli, que vendeu o Balneário para ele, o pressionou e ele foi obrigado a vender. Depois disso, em 1973 demoliram onde hoje funciona o hotel. As reuniões do Conselho Deliberativo eram lá, um dos grandes carnavais da cidade também, era um ícone. Os campeões da Seleção Brasileira de 1970 que jogavam no Santos pararam a avenida Ana Costa (onde fica o hotel), só para ficar na varanda cumprimentando as pessoas, foi uma festa.

Outro frequentador assíduo dos tempos áureos da antiga sede alvinegra foi Agostinho Schmidt, sócio do clube há 76 anos. Ele partilha da opinião de Guarche e relembra os bons tempos do local sob gestão santista.

- Foi uma catástrofe o fim do parque. Sou santista de coração e vi aquilo crescer, era uma joia rara. Foi uma verdadeira tragédia quando venderam - lamenta.


Fachada do Parque Balneário em 60 (Foto: Centro de Memória e Estatística do Santos FC)

Nos anos 70 rumores davam conta de que para tentar salvar o investimento de risco, a diretoria santista cogitou até vender ninguém menos que o camisa 10 Pelé, que já era o maior jogador do mundo.

- Em 1971 teve uma reunião de portas fechadas para decidir se venderia ou não o Pelé para a Europa. O dinheiro seria para cobrir a dívida do Balneário, e ele não foi vendido - explicou Garche.

Atualmente, o Balneário é um hotel luxuoso, um dos mais caros da cidade. Uma diária não sai por menos de R$ 300 no prédio de dez andares. Por coincidência, o relógio que conta os gols do Santos fica exatamente em frente à hospedagem dos adversários da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. 

Bar do atual Parque Balneário Hotel, onde a delegação mexicana se hospedará (Foto: Reprodução)

BOA IMPRESSÃO

O técnico de La Tri, Miguel Herrera, visitou a cidade do litoral paulista pela última vez em fevereiro e gostou do que viu. O treinador não poupou elogios quando foi perguntado sobre a escolha do Ct santista para iniciar a preparação da Copa no Brasil.

- Me parece extraordinária a escolha que fizemos. É a sede do Santos, e é extraordinária. Tem todas as comodidades que um clube ou uma seleção pode querer. Temos um hotel muito bom. Estamos contentes pela decisão.É uma cidade muito bonita e vamos muito bem aqui - afirmou quando conheceu o CT Rei Pelé.

A seleção do México chegou a Santos ontem e deve fazer hoje o primeiro treino. A equipe fará sua estreia contra Camarões, no dia 13 de junho, às 13 horas, na Arena das Dunas, em Natal (RN).O segundo rival será justamente o Brasil, dia 17, em Fortaleza, e encerra a participação na primeira fase diante da Croácia em Recife, às 17h do dia 23.

NÚMERO DESFAVORÁVEIS

Dos três rivais brasileiros na primeira fase do Mundial de 50, o México é O que mais vezes que os pentacampeões tiveram pela frente na competição. Enquanto Camarões e Croácia fizeram duelo com o Brasil apenas uma vez ( em 94 e 2006, respectivamente), os mexicanos foram rivais em três oportunidades. Em todas elas o escrete canarinho saiu vencedor, fazendo ao todo 11 gols e não sofrendo nenhum.

O primeiro duelo foi justamente na Copa de 50, a primeira a acontecer em território brasileiro. Uma goleada por 4 a 0 na estreia, no Maracanã. Quatro anos depois, na Suíça, também na estreia, o triunfo foi ainda maior: 5 a 0. Por fim, no bicampeonato no Chile, em 62, a equipe, com Garrincha no comando, fez 2 a 0.