icons.title signature.placeholder Leo Burlá e Rodrigo Cerqueira
13/06/2014
07:07

Em maio 1624, os holandeses invadiram Salvador. Em busca da exploração do açúcar, as tropas do comandante Johan Van Dorth reinaram por 11 anos na capital. O domínio laranja só teve um ponto final com a intervenção espanhola, então responsável por governar e proteger a Coroa Portuguesa.

Exatos 390 anos depois, holandeses e espanhóis voltam a se encontrar na cidade. Ao contrário do episódio da invasão, o embate agora é no gramado. Na tarde desta sexta-feira, a Holanda de Robben desafia a Espanha de Iniesta, em uma partida que marca a reedição da final da última Copa do Mundo.

- Não há muitos registros materiais da presença holandesa por Salvador, mas a maior herança foi a construção dos inúmeros fortes que estão na Baía de Todos os Santos. Como os holandeses não encontraram muita resistência, muitos foram construídos para proteger a cidade de eventuais ataques - explicou o historiador Ricardo Behrens, autor do livrto 'Salvador e a invasão holandesa'.

Se as marcas holandesas não ficaram muito gravadas na capital da Bahia, o mesmo não se pode falar das ruas da cidade nos dias que antecederam a estréia na Copa. A multicolorida Salvador está especialmente laranja, dada a presença maciça de holandeses no palco da partida.

- A nossa grande invasão será amanhã (hoje), essa é a única que irá valer - provocou Egbert Bloemsma, cônsul da Holanda em Salvador.

A confiança do holandês foi prontamente rebatida por seu colega espanhol. Cônsul do país na cidade, o catalão Juan Manuel Caserza, no entanto, destacou que os tempos de guerra entre as nações ficaram para trás:

- Muita água já passou por debaixo desta ponte, insisto que nós todos queremos e devemos falar de paz. Mas sobre o jogo, apenas espero que o resultado de 2010 (vitória espanhola por 1 a 0) aconteça de novo.

A rivalidade que data desde a época da presença holandesa na Bahia acentuou-se com o título espanhol na Copa de 2010, mas a reunião de holandeses e espanhóis nas ruas de Salvador comprovam que não há mais espaço para animosidades. Agora, a luta pelo território é só na Fonte Nova. Que assim seja.