icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
19/11/2013
08:09

André Cintra ainda nem participou da competição mais importante de sua carreira, mas já entrou para a história do esporte brasileiro. Afinal, aos 34 anos, ele é o primeiro representante do país a garantir uma vaga para a disputa dos Jogos Paralímpicos de inverno. E de 7 a 16 de março de 2014, em Sochi, na Rússia, ele vai representar o país na prova do snowboard cross.

A Paralimpíada de inverno começou a ser disputada em 1976 e vai agora para sua 11ª edição. E desde então, o Brasil nunca tinha conseguido ter um atleta na disputa.

– Conseguir dimensionar (esse feito), eu consigo. Mas acredito que a ficha só vai cair quando eu estiver lá. Disputar o evento só vai aumentar a importância do fato – disse ao LANCE!Net.

Cintra teve a perna direita amputada um pouco acima do joelho após um acidente de moto quando tinha 18 anos. Amante de esportes radicais, ele nunca deixou de praticá-los. Inicialmente, criou uma prótese especial para fazer kitesurf. Até que recebeu um convite dos amigos para uma viagem onde faria snowboard.

– Fui com eles. Na primeira viagem, não fiquei nem em pé. Na segunda, ainda não conseguia praticar direito já que precisava de uma prótese específica. Nesse meio tempo, me enviaram uma matéria sobre um equipamento. Por sorte, estava nos Estados Unidos. Em seguida, fui para a Áustria e segui fazendo. Isso tem uns três anos – explicou o atleta.

Com os bom desempenho na neve, o snowboarder foi procurado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) no fim do ano passado. Desde então, ele só foi evoluindo. Atualmente, ele compete na categoria SB-LL (para atletas com deficiência nas pernas, amputações acima do tornozelo, rigidez no tornozelo ou joelho e fraqueza muscular). Mas em Sochi também vai competir com atletas com amputação abaixo do joelho.

Cintra assegurou a vaga em julho por conta de sua classificação no ranking. De 32 competidores garantidos, ele é o 18º colocado.

Ainda sem ser um esportista profissional – trabalha em uma indústria química –, o atleta fará a preparação paralímpica no início de 2014 fora do Brasil. Realista, ele sabe que será difícil levar uma medalha. Mas com o seu feito, já tem garantido um lugar no pódio.

Sem descartar Jogos de Verão

Amante dos esportes radicais e de outras modalidades, André Cintra não descarta competir em uma edição dos Jogos Paralímpicos de verão. No entanto, essa não é uma prioridade para ele.

– Acho que é possível (participar). Como pedalo e nado, acredito que daria. Mas esse não é o foco no momento. A principal meta é competir em Sochi (RUS). Depois, posso pensar em outra modalidade para manter a performance – afirmou.

Para poder competir no snowboard cross, Cintra precisa de uma prótese especial. Assim como acontece em outras modalidades paralímpicas, como com Alan Fonteles, ele recebe um auxílio do Comitê Paralímpico para obter o equipamento.

QUEM É:

Nome: André Cintra

Nascimento: 22/3/1979, em São Paulo (SP)

Modalidade e história:
Snowboard cross, na classe SB-LL. Há quatro anos, Cintra se interessou pelo snowboard e resolveu se aventurar na modalidade. Apesar de ter praticado surfe e skate antes de perder a perna, teve dificuldades no início. Equilibrar-se utilizando uma prótese era muito difícil. Com o equipamento apropriado para o esporte e as técnicas aprimoradas, passou a competir entre 2009 e 2010.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM ANDRÉ CINTRA:

LANCE!Net: Como foi garantir a vaga para a Paralimpíada de Inverno?
André Cintra: Estava com uma expectativa grande. Essa era a missão que tinha sido concedida a mim. O Comitê Paralímpico e a Confederação Brasileira de Desportos na Neve tinham esse objetivo. Este ano tem sido muito novo, tudo tem acontecido de uma maneira nova. Tenho aprendido muito com os técnicos, outros atletas. Para essa primeira Olimpíada, é difícil ter medalha pela separação das categorias. Vão ser duas categorias diferentes que competem juntas. E os atletas que têm amputação abaixo do joelho possuem uma vantagem grande.

L!Net: Como é seu esquema de treinamento normalmente?
AC: Meus treinos normalmente são antes das competições. Se tem uma Copa do Mundo, viajo antes e trabalho por dez dias, uma semana. Faço vários esportes que me ajudam a manter a forma, como kitesurf, wakeboard. Não consigo treinar as técnicas no Brasil. Também jogo squash, faço corrida e pedalo.

L!Net: E a preparação para os Jogos?
AC: Farei treinos mais intensos, de 45 a 60 dias na montanha, nos Estados Unidos, Canadá e Eslovênia. Vou passar o 1 trimestre na neve.