icons.title signature.placeholder Thiago Ferri
04/03/2014
07:10

Um dos líderes do elenco de Gilson Kleina no começo do ano e capitão palmeirense na Série B, Henrique não saiu como queria do clube. Querido pela torcida, o jogador foi embora sem se despedir dela ao aceitar a proposta no fim da janela de transferências de janeiro do Napoli (ITA).

Mais do que isso, viveu um impasse com a diretoria, da qual ele reclama falta de respaldo. Nesta entrevista ao LANCE!Net, Henrique respondeu ao presidente do Verdão, Paulo Nobre, que se disse decepcionado ao ser notificado extrajudicialmente por conta de uma dívida de R$ 1,2 milhão gerada ainda na gestão de Arnaldo Tirone, na contratação do atleta, em 2012.

Negociado por 4 milhões de euros (quase R$ 13 milhões) – o clube ficou com 3,2 milhões de euros (R$ 10,3 milhões) do valor, que devem ser usados para comprar o atacante Alan Kardec –, o ex-camisa 3 ficou chateado por não ter recebido uma posição da cúpula quanto ao pagamento das luvas de sua transferência, e pelo fato de o dinheiro do bicho da Série B ter sido usado para quitar esse débito.

Além de explicar o imbróglio no fim da sua passagem, Henrique conta sobre sua segunda tentativa de ter sucesso na Europa, o sonho de jogar na Seleção, e até sobre uma possível volta ao Palmeiras.

L!Net: Como está sendo a sua adaptação e o início da nova vida na Itália?
H: Bom demais, não achei que seria assim. O Napoli dá estrutura fora de campo e dentro de campo estamos tentando nos acertar o quanto antes. Todos ajudam, o que facilita na adaptação. O mais complicado é que aqui já estamos na metade da temporada, e para mim era começo no Brasil. Estão tentando fazer de tudo para eu não sentir isto.

Está morando com quem?
Por enquanto eu estou sozinho, mas minha esposa já veio para cá, escolhemos um lugar para morar, o colégio para as crianças, e agora ela voltou para resolver coisas burocráticas antes da mudança pra cá.

Você está mais preparado para jogar na Europa do que quando foi para o Barcelona, em 2008?
Com certeza, da outra vez eu não tinha tanta experiência. Depois fiquei três anos fora (nota da redação: ele passou por Bayer Leverkusen, da Alemanha, e Racing Santander, da Espanha, antes de voltar ao Verdão) e aprendi muito. Daquela vez era mais difícil a adaptação para mim, a convivência, e agora já sabia o que iria enfrentar, então é tranquilo.

Quanto à Seleção, falou com o Felipão sobre ir atuar na Itália?
Não. Foi tudo muito rápido, mas sabendo do tamanho do Napoli, como vem crescendo na Europa, sabia que era uma grande oportunidade. A primeira proposta era por empréstimo, e não era bom nem para mim nem para o Palmeiras. Claro que gostaria de jogar o centenário, mas aconteceram algumas coisas que influenciaram na decisão. Pode me ajudar (na Seleção) se eu for bem na Europa, mas isto é indiferente.

Quais coisas aconteceram para você decidir sair do Palmeiras?
Coisas internas que resolvemos ali, muito do que acontece em negociações fica só entre jogador e clube. Seria bom atuar no centenário por um time que eu gosto e tenho carinho, mas um conjunto de coisas se formou e acabou dando certo.

E a reação quando Nobre disse que ficou decepcionado com você?
Ele não falou as coisas tão certas como aconteceram. Não coloquei ninguém na Justiça, foi uma notificação (extrajudicial), é totalmente diferente. Jamais faria isto. Foi conversado três ou quatro vezes com eles, e nunca falaram o que iam fazer. Eu tinha que receber, contava com o dinheiro, é complicado. Tenho a consciência tranquila de tudo o que fiz, sou transparente. Sempre fui muito claro com a torcida e eles comigo. Passamos momentos ruins juntos, rebaixamento, Série B. Não tive tempo de me despedir deles, isso que me deixou triste, mal consegui falar com os jogadores. Foram três anos fundamentais na minha carreira, e fiquei triste por não poder falar de meu sentimento para eles.

A única dívida que tinha com você era em relação às luvas de 2012?
Sim, fazia um ano que não cobrava nada, sempre foi se jogando para frente, e eu falei que estávamos em um momento importante (durante a disputa da Série B), e que no fim do ano conversaríamos. Não aconteceu nada, e aí gerou essa situação.

Deixou o clube chateado?
O que me chateou foi não poder me despedir. Fui muito bem recebido pela torcida e queria agradecer a eles.

Já foi pago pelo Palmeiras?
Sim, fui. Restam algumas coisas da transferência, mas aquilo já está certo. Tem algumas coisas pendentes como bicho da Série B. Fiquei chateado que teve de tirar o bicho (dos jogadores), era só chegar e falar, não omitir. Se dissesse, beleza, mas não teve respaldo. Fico aliviado que com a transferência possa pagar quem ficou, que isso possa ajudar.

Se soubesse que iriam usar o bicho do elenco para te pagar teria feito algo diferente?
Tentei conversar com eles três vezes no fim do ano, mudei passagem em viagem nas férias, perdi voo para falar com o Nobre pessoalmente, mas em duas ele não estava. Em uma falei com o (José Carlos) Brunoro (diretor-executivo), outra com o Omar (Feitosa, gerente de futebol). É uma situação difícil de lidar, se tem coisa para acertar, não enrola, fala e acabou. Não queria tumultuar, tenho amizade com todo mundo, gostava de todos, e o grupo tem um ambiente excepcional. Ficamos na torcida para que dê tudo certo, pelo pessoal, o (Gilson) Kleina (técnico), e tudo o que passamos em 2013. Torcemos por quem quer o bem do Palmeiras.

A falta de respaldo da diretoria foi o que mais te incomodou?
Não teve respaldo, mas eu jamais entrei na Justiça, tá louco. Chegou a notificação, pega e acabou, precisava ter respaldo dele, mas ninguém me falava nada. É bem diferente do que mover um processo contra o clube. A situação era esta.

Ao L! na última semana, o presidente do Palmeiras só te elogiou. Por que acha que ele mudou?
Olha, não sei, eu tenho minha consciência tranquila de tudo o que fiz no Palmeiras, até mesmo na saída, tanto que não falei nada que deixou de acontecer. As coisas foram todas certas, e ele (Nobre) tem a consciência dele, eu tenho a minha, que está 100% tranquila.

Pensa em voltar ao Palmeiras?
Ainda tenho que fazer a despedida da torcida, e isto acontecerá na hora certa. Mas com certeza para eu voltar no Brasil, mais para frente, quando for pensar em encerrar a carreira, sem dúvidas será para o Palmeiras, mas isto é só mais para frente, ainda tenho muito caminho a percorrer aqui (risos).