icons.title signature.placeholder Gabriel Cassar e Jonas Moura
19/02/2015
16:53

Nada melhor do que um torneio de saibro, realizado sob os olhos do Cristo Redentor, para receber o maior nome da história do tênis brasileiro. Gustavo Kuerten, o Guga, concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, especialmente convidado pela organização do Aberto do Rio. O catarinense falou um pouco sobre cada aspecto do tênis no Brasil, desde Copa Davis até estrutura e investimento e falou com otimismo sobre as chances de o paulista Thomaz Bellucci se tornar um dos dez melhores do mundo. Confira os melhores momentos da entrevista.

Ser treinador

- Hoje, nem passa pela minha cabeça. Pelo estado do quadril, para ser treinador do Luis Felipe e da Maria Augusta (filhos), é difícil. Minha cabeça está voltada à família. Os principais casos de sucesso são poucos. Caras que tem sabedoria para desmistificar paradigmas. Hoje, é bom curtir minha família. Quero continuar assim.

Copa Davis

- A grande desvantagem é jogar na Argentina, com a torcida contra. O Brasil ainda é a zebra do confronto, mas não é um caso de outro mundo. Seria surpresa? Sim. Porém, a Espanha veio aqui, um time que é uma supremacia, e conseguimos ganhar. As chances são reais. Está mais aberto do que nunca. O Brasil surpreendeu com o Feijão, com chances reais de ir à final no Aberto de São Paulo. O Brasil chega no melhor momento possível.

Temos que ter consistência. Nossa equipe, que há cinco anos atrás era vulnerável, hoje tem consistência para não conseguir apenas vitórias casuais.

Geração brasileiras de tenistas

- Nossos meninos desistem muito cedo, com 19, 20 anos. Ser o 150º do mundo é excelente. Eles têm uma imagem de que precisam ser top 10, mas eles precisam tentar. A Bia teve bons resultados dois anos atrás e agora está voltando a ter sucesso.

Torneios no Brasil

É preciso continuar nesse processo de evolução após a Olimpíada, que está puxando os investimentos agora. Acredito que o Brasil já está em um segundo nível de investimentos, mundialmente falando. Temos que trazer esse espírito positivo. O Finals já foi cogitado. Precisamos também de um ginásio bom para receber esses eventos.
 
Número de competições no país

- Acho que está na medida certa. É claro que seria excelente ter 10 torneios, Grand Slams, mas é incompatível. O próximo passo é pleitear um Masters 1.000. Tem que ser uma visão construtiva. Nos meus anos profissionais, joguei uns 4 torneios aqui. O fato de ter dois é um belo avanço.

Bellucci

- Não gosto de dar muito pitaco, mas tem uma diferença entre ser um grande tenista e um grande jogador. O bom tenista o Bellucci já é, mas como agir, o que fazer em determinados momentos, isso ele ainda pode evoluir muito. Se ele (Bellucci) continuar melhorando, pode ser um top 10, mas tem que melhorar. Aprender alternativas, sair de enrascadas, ser mais vitorioso. A gente pega no pé do Bellucci, mas se for buscar no histórico, é um cara muito bom, com resultados consistentes. É um garoto novo, tem potencial, pode evoluir muito. O Feijão pode ajudar muito o Bellucci a elevar sua posição. Um faz o outro acreditar. 

Aberto do Rio

- Sempre pode melhorar. Esse torneio está da média para cima em comparação aos outros torneios que existem. A estrutura é excelente. O calor, o sol, que todo mundo reclama... acontece. Na minha época as pessoas não choravam tanto como hoje (risos). Sol é sol, tênis é tênis"
A vinda do Nadal mostra como o torneio está interessado em dar as melhores condições aos jogadores. Ele poderia ir para a África, qualquer outro lugar, mas vem para cá. Não é só uma questão de negociação