icons.title signature.placeholder Lucas Bachião
21/02/2015
09:00

'Guerreiro', é assim que Diego Sacomam se descreve após superar a batalha contra os problemas cardíacos (hipertrofia no coração - causada por uma mancha no coração). Afastados dos gramados, desde o começo de setembro do ano passado (há cinco meses e meio), o jogador de 28 anos irá estrear pelo Santa Cruz no duelo deste sábado diante do Salgueiro, às 18h30, pela quarta rodada do Campeonato Pernambucano.

O zagueiro surpreendeu a todos nos últimos treinamentos, inclusive à comissão técnica do Coral. A volta do jogador estava programada para acontecer somente na semana que vem. No entanto, Sacomam foi liberado pelo departamento médico do clube e retorna antes do tempo previsto. Ele estará à disposição do técnico Ricardinho para a partida desta noite.

Em entrevista ao LANCE!Net, o defensor revelou o susto que passou quando foi descoberta a doença. Na ocasião, atleta estava deixando a Ponte Preta e caminhava para um acerto com o Atlético-PR. Agora, recuperado o beque quer corresponder às expectativas em campo, mostrar que está 100%, e voltar em grande estilo. O jogador declarou que ficou chateado por ter que se afastar do futebol por um tempo, porém entendeu que a situação era grave.

O defensor só recebeu a boa notícia que iria pisar nos gramados novamente, em meados de janeiro do mês passado. A felicidade dele foi enorme, que saiu correndo do hospital "no pique", rumo em direção à Avenida 23 de Maio (no centro de São Paulo). Segundo ele, foram cerca de 5 Km.

Confira o bate-bola na íntegra:

LANCE!Net - Qual é a expectativa para estrear pelo Santa Cruz contra o Salgueiro neste sábado?
Diego Sacomam: A expectativa é a melhor, poder jogar a jogar, o que eu gosto, estar em campo, mesmo que não seja de titular, mas só de estar ali vivendo esses momentos de concentração, de pré e pós-jogo. É muito bom. A expectativa é a melhor possível. E espero sair com a vitória.

L! - Passa algum filme pela sua cabeça?
DS: Na minha cabeça não passa nada, não me preocupo com isso, estou tranquilo quanto a isso. Foi superado, ficou pra trás. Estou bem e em perfeitas condições. Na minha cabeça agora só estou preocupado em jogar, em fazer o melhor e ajudar o Santa Cruz.

L!Net - Como foi a descoberta dos seus problemas cardíacos?
DS: Quando eu fui me transferir para o Atlético-PR, fiz exames de rotina e lá identificaram alterações. Aí acharam melhor eu vir para São Paulo para investigar. Eu vim, passei por exames e realmente identificaram a alteração. Aí o doutor (Nabil Ghorayeb) optou por me deixar de molho por 90 dias, por causa de umas manchas que apareceram. Então tive que ficar em repouso absoluto sem qualquer atividade física

L!Net - Como foi a reação  das pessoas próximas a você?
DS:Tive total apoio. Da minha família em especial, jogadores do próprio elenco da Ponte, do Ceará também. Ligaram, mandaram mensagem. Torcedores do Ceará, do Corinthians, da própria Ponte... Foi um momento difícil, mas essa ajuda, esse apoio me fortaleceu.

L!Net - O que você fez nesse tempo em que ficou de molho?
DS: Dormi bastante, passei com minha esposa, fui ao cinema, visitei parentes e joguei videogame. Não tive muito o que fazer. O doutor me falou que não precisava deixar de fazer coisas da minha rotina. Mas procurei evitar longas caminhadas. Evitei algumas coisas, mas também fiz coisas que antes não fazia por conta do futebol, como ir ao teatro, cinema. Foi um momento delicado, mas gostoso para eu aproveitar a família.

L!Net - Medicina Esportiva melhorou bastante após a morte de Serginho. O que você pensa sobre isso?
DS: Meu caso é diferente a do Serginho. Mas os exames de rotina que fazemos periodicamente nos clubes evoluiu bastante. Esse cuidado deles com a gente. A medicina vem em evolução constante. Havia uma possibilidade de o doutor me liberar mesmo com as manchas, mas é uma coisa muito séria. É o coração, né? Muito complicado. Então preferi agir com precaução. Optei por preservar e fazer esses 90 dias de repouso.

L!Net - Como recebeu a notícia sobre esse afastamento?
DS: O que me deixou abalado foi quando recebi a notícia do Atlético-PR, porque até então não sabíamos o que era. Conforme foram passando os dias, os exames. Quando o doutor falou que precisava me afastar, fiquei chateado. Eu encarei como se fosse uma lesão de joelho, de coxa, uma lesão qualquer que me deixaria fora por um tempo.

L!Net - Jogadores do Ceará prestaram homenagem a você e entraram com uma faixa no ano passado (antes do jogo contra a Ponte). Te pegou de surpresa?
DS: Claro. Vi eles entrarem com a faixa, e a Ponte também fez uma homenagem antes do jogo. Eu ter visto aquelas homenagens, faixa, torcedores gritando meu nome, jogadores dedicando a vitória pra mim... Foi um momento difícil, mas aquilo ali foi algo muito bom para mim, me deu força para querer voltar ao palco, aos vestiários.

L!Net - Contra o Bragantino (no jogo do acesso da Série B do ano passado), a torcida da Macaca gritou o seu nome. Como reagiu depois que viu a cena?
DS: Muita felicidade. Esse reconhecimento pelos momentos que passei na Ponte... Tive momentos bons e ruins. E a torcida sempre esteve comigo. Sempre quando me criticaram ou me apoiaram mantive minha postura. Fiquei contente pelo carinho e nunca vou esquecer deles.

L!Net: Após resultado de exames feito no último dia 14 de janeiro do mês passado, você soube que iria voltar a jogar bola após vencer o problema cardíaco. Qual foi a sua reação?
DS: Quando fiquei sabendo do resultado do exame, sai correndo do hospital, com uns 5 quilômetros na Avenida 23 de maio (centro de São Paulo). Durante o tempo parado procurei cuida da minha alimentação, não engordei muito. O mais importante é voltar a fazer o que eu gosto. Vi os meus pais e familiares chorarem, mas tudo deu certo, graças a Deus.

L!Net - O que representa essa volta ao futebol?
DS: Representa muita coisa, uma nova oportunidade que Deus me deu, de fazer novamente o que eu gosto. A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem. A fé em Jesus me fez crer que eu voltaria a fazer o que eu mais gosto.

L!Net - Como você define o Diego Sacomam?
DS: Eu me defino como um Guerreiro.