icons.title signature.placeholder Michel Castellar e Rafael Valesi
28/02/2015
14:25

O último dia das reuniões do Comitê Olímpico Internacional (COI) no Rio de Janeiro foi marcado por um protesto a poucos andares de onde a cúpula da entidade discutia os temas de seu Comitê Executivo.

Membros do grupo Ocupa Golfe invadiram o hall do Hotel Windsor Atlântica perto do fim dos debates do COI, no segundo andar do edifício. Uma mulher não identificada, vestindo boné e óculos escuros e dizendo que era uma hóspede foi o centro das atenções. O motivo do protesto foi a construção do campo de golfe para os Jogos Rio-2016 na reserva ambiental de Marapendi.

A mulher gritou frases como "estão matando o Rio de Janeiro" e "vá embora, COI". A gritaria gerou confusão. Seguranças do hotel e até mesmo policiais tentaram conter a manifestante, que esbravejou durante cerca de 10 minutos. Tudo foi registrado em fotos e vídeos pela imprensa nacional e internacional, que aguardava o início da entrevista coletiva do presidente do COI, Thomas Bach, que encerra a longa programação de quase uma semana do comitê nesta semana no Rio.

Minutos antes da confusão, manifestantes mostraram duas faixas nas cercanias do hotel. Uma delas anunciava o "holocausto ecológico" com a construção do campo de golfe e pedia para o COI "ir para casa". A outra também criticava a devastação ambiental criada pela Olimpíada Rio-2016, e pedia o embargo das obras na Marina da Glória, base das competições olímpicas da vela. No local, algumas árvores também serão cortadas para permitir a construção de instalações. 

Presidente do COI tenta diálogo, mas só recebe ofensas

Os membros do COI não ignoraram a manifestação do grupo Ocupa Golfe. Muito pelo contrário. Mark Adams, diretor de comunicação da entidade, e até mesmo o presidente Thomas Bach buscaram o diálogo com o grupo. Adams até foi ouvido, mas Bach só recebeu ofensas.

Adams entrou em ação enquanto a mulher não identificada causou alvoroço no hall do Hotel Windsor Atlântica. Por meio de um tradutor, ele explicou alguns benefícios dos Jogos, se comprometeu a ouvir os pedidos e reclamações dos manifestantes, e deu seus contatos para conversas futuras entre as duas partes.

Bach, por sua vez, tentou iniciar uma conversa com o grupo depois de conceder sua entrevista coletiva, sem sucesso. Mesmo atrasado para um evento com crianças na cidade, ele não entrou na van que o aguardava e foi em direção aos manifestantes. O grupo, no entanto, recebeu o dirigente alemão com gritos de "COI, vá para casa" e "assassino". Cerca de dois minutos depois, Bach deu meia volta, entrou na van e partiu para seu compromisso ao lado de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio-2016 e do Comitê Olímpico do Brasil (COB).